Estudos de casos

Em todo o mundo, grupos estão respondendo à problemas ambientais em uma variedade de maneiras. Aqui estão alguns exemplos…

Projeto Eco-florestal da Comunidade de ‘Bainings’

A extensa floresta de Papua Nova Guiné fornece muitos produtos para as necessidades diárias das pessoas. Ela também mantém um dos mais ricos e variados sistemas de fauna e flora selvagens. Nos últimos 30 anos, desenvolveu-se um importante comércio de madeiras. Quase toda a madeira coletada é exportada sem ser processada. Os vastos recursos das florestas estão sendo retirados em um nível alarmante, particularmente pelos negociantes de madeira do Japão e da Malásia. A Papua Nova Guiné é distinta no sentido de que a maior parte da terra é propriedade do povo, como clãs e tribos. Estes proprietários de terras recebem certa indenização pela madeira retirada mas os pagamentos são pequenos e o estrago feito é grande e permanente.

O povo ‘Bainings’ mora nas áreas montanhosas norte e central de Nova Bretanha. O Projeto Comunitário Ecoflorestal montou uma empresa comercial ecológica para encorajar a recolha sustentável de produtos da floresta. O projeto almeja…

  • aumentar a conscientização entre as pessoas locais sobre a riqueza e diversidade da floresta
  • melhorar as condições de vida das pessoas locais através de métodos benéficos ao meio ambiente de como se manejar os recursos naturais.

Algumas das atividades que as pessoas locais estão realizando incluem…

  • pesquisa e mapeamento da vegetação e vida selvagem
  • montagem de pequenas serrarias com base nos vilarejos para seletivamente recolher árvores da floresta para uso
  • comercialização de nozes e produtos de palmeiras
  • reabilitação de áreas de antigas hortas de subsistência com a plantação de árvores
  • criação de borboletas para venda a colecionadores.

Grupos de Ação Comunitária, Uganda Ocidental

O Uganda, como muitos países pouco desenvolvidos, enfrenta muitos problemas ambientais. A maioria da população está preocupada com estes problemas e fariam esforços para ajudar a resolvê-los, quando possível.

Realizei um estudo na parte oeste do país onde encontrei comunidades organizadas em grupos – na maioria dominados por mulheres e jovens que estão tomando medidas positivas para se prevenir a continuação dos estragos ao meio ambiente local. Eles estão envolvidos, por exemplo, em…

  • Estabelecer estufas para o fornecimento de enxertos de árvores para lotes e plantações de árvores para se reduzir a falta de madeira, para uso como combustível e outros produtos de madeira.
  • Métodos apropriados de cultivo – arado adequado às áreas de montanha, cultivo em faixas alternadas e cultivo em terraças – os quais ajudam a prevenir a perda do solo através da erosão. Eles também cobrem as hortas para reduzir a perda de água.
  • Discutir suas preocupações com a comunidade e ensiná-la sobre questões ambientais. Eles também dão conselhos sobre assuntos ambientais através de encontros, seminários e conferências.

Desta maneira, estas comunidades fazem o melhor possível para manter os seus problemas ambientais em um nível mínimo possível. Eles são limitados, no entanto, pela situação econômica da nação, pela falta de organização e de técnicos e ambientalistas adequadamente treinados.

Beatrice Akoth

Os Samitis do Oeste de Bengala, Índia

Em todos os lugares as mulheres são especialistas locais no cultivo de produtos de subsistência e para venda, na identificação de problemas de erosão e na compreensão do uso de florestas e árvores. Elas sabem se a madeira de cada espécie é melhor para ferver água (um fogo forte e rápido), cozinhar feijão (um fogo fraco e lento), cozer tijolos (um fogo forte e duradouro), preparar tabaco ou fermentar cerveja. Elas conhecem as propriedades medicinais das árvores e se elas são resistentes a cupins (térmitas).

No Oeste de Bengala, colonizadores e empresas madeireiras devastaram áreas florestais causando a perda não somente das florestas mas da fertilidade do solo. As tribos indígenas ‘Santhal’ foram forçadas a migrar sazonalmente. Muitas pessoas perderam as suas terras – especialmente mulheres, que tinham menos direitos tradicionais à terra. As mulheres começaram a formar samitis ou grupos para protestar contra estas leis governamentais. Elas chegaram a ter o apoio de vários grupos e terras erodidas e abandonadas foram-lhes então doadas. Elas começaram a ocupar a terra replantando árvores usadas pelo bicho da seda. Elas desenvolveram outros interesses, incluindo a produção de xícaras e pratos feitos com folhas da árvore Shorea robusta, a confecção de cordas com plantas, o cultivo de forragem para vacas leiteiras e a abertura de estufas de enxertos de árvores para se estabelecer novas florestas.

Uma membra de um grupo samiti declarou…

‘Nós aprendemos que na verdade é a terra que possui as pessoas. Trabalhamos duro para dar à terra uma cobertura verde e em retorno ela nos vestiu com autoridade. Estamos avançando juntos. A jornada começou.’

Karlyn Eckman Extraído da revista Forests, Trees and People

Programa de Conscientização da Conservação da Amazônia

A continuação da destruição da selva amazônica é apenas um exemplo da destruição ambiental vista em todo o mundo. Os solos da floresta mantém a sua fertilidade por muitas centenas de anos. No entanto, quando a floresta é removida, os solos não mantém a sua fertilidade por mais do que dois anos. Se manejada de uma maneira sustentável, a Bacia Amazônica poderia fornecer mais proteínas animais do que em toda a terra que agora é usada para a produção de carne bovina.

O Programa de Conscientização da Conservação da Amazônia foi montado pela JOCUM (Jovens com uma Missão) no Brasil, para ajudar a conservar os recursos naturais da Amazônia. O programa educa pessoas de todas as idades a compreender e a conservar estes recursos. Espera-se que uma grande área de terra em Rondônia, Brasil, possa ser transformada em reserva natural. A área está próxima das terras de duas tribos indígenas e as terras na redondeza estão sendo ocupadas por colonizadores que se mudam de outras áreas para lá. A reserva seria portanto muito importante como um ‘espaço amortizador’, permanecendo entre a vida tribal tradicional na selva e os métodos agrícolas frequentemente destrutivos dos novos colonizadores. Isto protegerá o estilo de vida tribal das pessoas dos efeitos diretos do estilo de vida dos colonizadores. A JOCUM espera usar a área como uma ‘reserva extrativa’, onde produtos florestais como a madeira, frutas, carne, produtos medicinais e palha são recolhidos sem prejudicar a floresta.

Um centro de treinamento foi construído na área, oferecendo cursos para povos tribais, crianças, estudantes e turistas. As matérias ensinadas incluem agricultura, agro-silvicultura e pequenas indústrias – todas ajudando a aumentar a compreensão sobre o meio ambiente. Jovens serão treinados a dar conselhos e a patrulhar a área visando a conservação.

A JOCUM espera que os benefícios a longo prazo incluirão…

  • melhores empregos
  • uso adequado dos recursos naturais
  • a preservação de práticas culturais tradicionais
  • melhor nível de saúde e de educação • crescimento de grupos cristãos e de igrejas
  • introdução de métodos sustentados de agricultura
  • uma população que é ambientalmente consciente.

Les Batty

Programa de Desenvolvimento Rural ‘Eldoret’, Quênia

TODOS NÓS precisamos cuidar e proteger a área que nos circunda. De acordo com Deus, a terra foi criada de tal maneira que a humanidade pudesse obter alimentos sem destruir o meio ambiente. Precisamos refletir no que causou problemas ambientais em nossas áreas e, se necessário, desenvolver novos métodos agrícolas e estilos de vida que ajudarão a restaurar nosso ambiente.

Em nosso programa integrado de desenvolvimento rural, uma de nossas prioridades é a proteção do meio ambiente. Ensinamos agro – silvicultura em todas as reuniões, discussões, encontros e seminários. Durante demonstrações práticas sempre nos asseguramos que uma árvore é plantada para marcar a ocasião.

As pessoas precisam ser ensinadas sobre a importância de nosso meio ambiente. Envolva a comunidade desde o começo. Deixe-os participar na troca de preocupações, planejamento e implementação de programas de proteção ambiental. Evite introduzir idéias que arrisquem a fonte de alimentos e de dinheiro. Sempre tente introduzir proteção ambiental que trará eventualmente algum tipo de benefício para aqueles envolvidos – por exemplo: produtos da floresta ou alimentos.

Desde que começamos a introduzir a idéia de agro – silvicultura em 1987, vimos que o ambiente aqui tem melhorado pois as pessoas combinam a plantação de colheitas com a plantação de árvores. As pessoas dizem que a produção de suas colheitas aumentaram por várias razões – o fato de cobrirmos a plantação com folhas de árvores, o uso de quebra-ventos, o controle de erosão do solo, a reciclagem de nutrientes, etc.

Todos deveríamos proteger o nosso meio ambiente porque nenhum de nós poderia evitar os efeitos se o destruíssemos.

Ezekiel Sitienei

Escola de Agricultura ‘Umudike’, Nigéria Oriental

Esta escola montou um Grupo Ambiental de Trabalho formado por funcionários. O grupo propõe duas atividades principais…

  • Rever todos os cursos ensinados, melhorar e aumentar o ensino sobre assuntos ambientais.
  • Examinar todas as atividades na escola (na fazenda, nas cozinhas e hospedagens, na administração, no transporte, etc) e a minimizar o impacto das atividades no meio ambiente.