Óleo de ojon

Osvaldo Munguia e Judith Collins.

O povo miskito, de Honduras, sempre usou o óleo de caiaué – extraído da noz do caiaué (Elaeis oleifera) – como tratamento para a pele e o cabelo, tornando o cabelo mais grosso e brilhante e reparando o cabelo danificado. Também é extraído óleo de cozinha tanto da noz quanto da casca, e a casca é usada para fazer um tipo de mingau. Depois de extrair o óleo, os produtos residuais servem como um alimento nutritivo para os porcos locais.

Esta palmeira cresce em forma silvestre nas florestas tropicais da América Central e do Sul. Muitas palmeiras crescem na zona úmida isolada do Rio Kruta, uma região muito pobre. Cada árvore produz de 10 a 20 pencas muito grandes de frutos a cada ano, das quais podem ser extraídos de 2 a 4 litros de óleo cru. Os frutos são fervidos e socados, para retirar a casca externa cor-de-laranja. As nozes são lavadas, secas ao sol e partidas com uma pedra, para retirar as amêndoas. Estas são cozidas no fogo até extrair o óleo. Finalmente o óleo quente é colocado em garrafas de vidro, onde esfria, formando uma pasta grossa. Nos anos 80, a ONG local MOPAWI começou a trabalhar com as comunidades para aumentar as vendas de óleo de caiaué fora da região imediata. Porém, apesar do seu esforço, as vendas nunca passaram de 2.000 litros por ano.

Investimento externo

No final dos anos 90, um negociante canadense visitou Kruta depois de notar os efeitos positivos do óleo no cabelo da sua esposa hondurenha. Ele tinha muita experiência na fabricação de produtos de beleza. Trabalhando com a MOPAWI, a sua empresa começou a explorar as possibilidades comerciais do óleo, agora chamado de “Ojon” (o nome da palmeira em miskito). Depois de anos de pesquisa, a empresa fez a sua primeira encomenda grande, de 4.500 litros. Eles ofereceram pagar mais de duas vezes o preço de mercado anterior pelo óleo bruto. Em 2004, a produção chegou a 30.000 litros, e, em 2005, espera-se que a demanda chegue a 50.000 litros. Isto beneficiará mais de 1.000 produtores e as suas famílias.

Antes, os produtores tinham de remar as suas canoas por até três dias de ida e três dias de volta, a fim de vender pequenas quantidades de óleo na cidade mais próxima. Agora, há seis pontos de coleta locais. De Honduras, o óleo é enviado para um pequeno povoado na Itália, onde é transformado em produtos de cabelo de luxo, os quais agora podem ser comprados em várias partes do mundo. (Para obter mais informações, veja www.ojonhaircare.com.)

Os produtores receberam equipamento de segurança para usar ao lidarem com o óleo quente, e estão sendo feitas experiências para testar diferentes tipos de fornos que usam menos lenha. Tanto a MOPAWI quanto a Ojon Corporation têm como foco a gestão sustentável das florestas em que as palmeiras crescem naturalmente.

Qualidade de vida

Houve melhorias consideráveis na vida das comunidades de Kruta em termos de segurança alimentar, habitação e saúde. Com os lucros da corporação, também foi estabelecido um fundo para bolsas de estudos para as crianças da área. A MOPAWI ainda coordena toda a organização da compra do óleo. Entretanto, com treinamento e o fortalecimento da capacidade organizacional local, espera-se que as associações de produtores assumam esta função no futuro. Outros planos para o futuro incluem trabalhar com as associações de produtores para obter o certificado de orgânico e pesquisar a possibilidade de se obter a certificação Fairtrade, o que garantirá preços justos e estáveis para os produtores e ajudará a alcançar os mercados do Norte.

Os produtores escolheram como lema “Ojon ba Dawan yamnika kum sa”, que significa “Ojon é uma bênção de Deus”!

Osvaldo Munguia e Judith Collins trabalham para a MOPAWI em Honduras. Osvaldo é Diretor e Judith é uma Assessora Ambiental, designada pela Tearfund, Reino Unido. E-mails: munguiaoe@yahoo.com S-J.Collins@tearfund.org


Questões para discussão

  • Que alimentos ou produtos medicinais tradicionais são cultivados e usados na nossa região, que poderiam ter um mercado muito mais amplo?
  • Como poderíamos incentivar a pesquisa sobre possíveis mercados, sem perder o controle do produto para as organizações comerciais de fora?
  • A MOPAWI desempenhou um papel crucial no desenvolvimento do ojon, assegurando que os benefícios permanecessem com os produtores locais e fossem sustentáveis. Que organizações poderiam nos ajudar de maneira semelhante?
  • Possuímos produtos alimentícios ou outros, que sejam produzidos sem o uso de substâncias químicas ou de maneira que tratem bem os produtores? Poderíamos procurar obter o certificado de orgânico ou Fairtrade para os nossos produtos?

Fairtrade (Comércio Justo)

A Fairtrade Labelling Organisation (FLO) é responsável pela certificação Fairtrade para produtos. O seu website é www.fairtrade.net. 

Para os produtos não alimentícios, qualquer organização pode registrar-se ela própria como comércio justo. 

Web: www.ifat.org/theftomark.html para obter mais informações.