Corrupção nas nossas sociedades

O estudo bíblico realizado com regularidade ajuda os cristãos a evitarem o uso da corrupção nas nossas sociedades - Photo: Mike Webb/Tearfund
O estudo bíblico realizado com regularidade ajuda os cristãos a evitarem o uso da corrupção nas nossas sociedades - Photo: Mike Webb/Tearfund

Hoje, na América Latina, como em qualquer outro lugar, a ganância e a corrupção fazem com que quantias enormes de dinheiro terminem nas mãos de umas poucas pessoas, enquanto a maioria das pessoas ficam cada vez mais pobres. Hoje, estamos tão acostumados com a corrupção em todos os níveis, que não nos chocamos mais com ela e nem sempre enfatizamos o fato de que ela é pecado.

Os métodos tradicionais de troca de trabalho por alimento ou troca de mercadorias diferentes raramente ocorrem. Nossas sociedades veneram dois ídolos: dinheiro e o sistema do mercado. Estes beneficiam as pessoas privilegiadas, enquanto as pessoas mais pobres são marginalizadas. Obter dinheiro ou riquezas agora parece ter a prioridade em todos os aspectos da vida. O resultado é que há cada vez mais dinheiro e serviços beneficiando um número cada vez menor de pessoas.

A corrupção ocorre tanto nos serviços públicos quanto nos privados. Alguns exemplos de corrupção são: o cancelamento de multas, comissões ilegais, escriturações falsas e projeções falsas do desempenho de ações e lucros. Outras formas ilegais de se ganhar vastas somas de dinheiro podem ser através do tráfico de drogas, tráfico humano (seja para emigração ou prostituição), venda de favores políticos e sonegação de impostos.

Os homens e as mulheres que trabalham honestamente durante todas as suas vidas raramente fazem fortunas. Qual é o propósito verdadeiro da riqueza? Que funções sociais o dinheiro deveria oferecer? O que a situação mundial atual desigual nos diz como cristãos?

A parábola do “rico insensato”, em Lucas 12, conta a história de um homem egoísta, que acumulava cereais em seus celeiros. Ele tirou os cereais de circulação e, como resultado, pode ter causado a escassez de um alimento básico, ligado ao aumento nos preços. Ele provavelmente planejava vender os cereais por um preço mais alto. Seu comportamento estava baseado na especulação, para ganhar mais dinheiro com os cereais. Que distinção devemos fazer entre este acumulador de cereais e a boa prática dos agricultores que evitam vender todos os seus cereais na época da colheita, quando os preços estão muito baixos?

Provérbios 11:26 conta que acumular está errado: “Ao que retém o trigo o povo o amaldiçoa, mas bênção haverá sobre a cabeça do vendedor.”

O Apóstolo Tiago diz em Tiago 5:4: “Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras e que por vós foi diminuído clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos.” Quando as pessoas traba-lham sem remuneração hoje em dia? Em que situações as pessoas poderiam estar clamando por um pagamento justo nas nossas sociedades?

Só porque a corrupção é comum nas nossas sociedades, não significa que ela tenha qualquer justificação bíblica ou que o Senhor a deixe passar sem ver o pecado que realmente é.

Este artigo foi adaptado, com nossos agradecimentos, de Globalizar la Vida Plena, Ediciones CLAI, 2002. Ele faz parte de uma série de materiais educativos publicados pelo Programa de Fé, Economia e Sociedade, cujo endereço é Programa de Fe, Economía y Sociedad, CLAI, Inglaterra N32-113 y Mariana de Jesús, Quito, Equador.

Questões para discussão

  • Que características do “rico insensato” poderiam ser encontradas na nossa sociedade hoje em dia?
  • De que formas as pessoas ganham dinheiro ilegalmente hoje em dia?
  • Vemos alguma destas formas de ganhar dinheiro na nossa organização? O que podemos fazer em relação a isto?
  • A que valores o evangelho nos chama?
  • Que atividades ajudam a destruir a nossa sociedade? Quais delas afetam os pobres e os marginalizados?
  • Como podemos ajudar a mudar os valores básicos do sistema econômico atual?