Objetivo 8 Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento

Os alvos deste objectivo estão voltados para os governos do Norte e consistem em grandes aumentos na assistência de desenvolvimento, no alívio da dívida em países pobres em recursos e na criação de um sistema de comércio internacional justo.

Situação geral

  • Quase 90% da dívida do terceiro mundo continua. Os países do Sul continuam a pagar $200 milhões de dólares por dia com o serviço da dívida.
  • A maioria dos países ricos estão longe de cumprir a sua promessa de assistência de 0,7 por cento da receita nacional. Se os países ricos honrassem a sua promessa, os $120 bilhões de dólares gerados por ano seriam suficientes para reduzir a pobreza pela metade.
  • O sistema de comércio internacional continua a favorecer os países ricos e as empresas poderosas. As regras do comércio injusto roubam dos países pobres £1,3 bilhões de libras esterlinas a cada ano – 14 vezes o que eles recebem em assistência.

Campanha pela mudança

Mari Griffith.

O comércio injusto, a dívida do terceiro mundo e a assistência ineficaz são factores fundamentais que causam a pobreza e a desigualdade mundial. No Reino Unido, mais de 250 organizações, inclusive a Tearfund, reuniram-se para formar uma campanha chamada Make Poverty History. Esta campanha exige regras de comércio internacional mais justas, o cancelamento de toda a dívida impagável e uma assistência melhor direccionada.

Em 2005, o governo do Reino Unido será o anfitrião da Reunião de Cúpula do G8, dos líderes económicos mundiais, e terá a presidência da União Europeia, o que oferecerá oportunidades importantes para o avanço nestas áreas. Milhares de pessoas estão a mandar cartões postais e cartas ao governo, a participar de encontros e passeatas e a orar pela mudança.

Comércio: uma injustiça mundial

O comércio injusto prejudica os meios de vida das pessoas no mundo. Os países do Sul são forçados a abrir os seus mercados e não têm permissão para usar políticas de comércio, tais como subsídios, para ajudar a combater a pobreza e proteger o meio ambiente. No entanto, os países ricos continuam a subsidiar os seus agricultores e a proteger os seus mercados.

Burquina-Faso, na África Ocidental, ilustra algumas destas questões. No final dos anos 90, o país foi obrigado a liberar o preço e o comércio do arroz para obedecer às políticas do Banco Mundial e do FMI. Como resultado, o arroz barato importado da Ásia invadiu o mercado, e os agricultores de Burquina tiveram dificuldade para vender o seu arroz. Os produtores de algodão de Burquina-Faso também estão a enfrentar dificuldades. O EUA e a União Europeia dão grandes subsídios aos seus produtores de algodão. Assim, eles podem vender o seu algodão a um preço muito baixo e ainda tirar um grande lucro. Isto força o preço internacional do algodão a baixar. Os dois milhões de produtores de algodão de Burquina Faso, que não recebem nenhuma ajuda do governo, também têm de vender a este preço baixo.

Halidou Yaro é casado e tem seis filhos. Ele depende dos rendimentos da sua plantação de algodão para atender as necessidades da família. Porém, o preço do seu produto já é baixo, e disseram-lhe que vai baixar ainda mais. “Fiquei triste ao saber das notícias”, explicou Halidou. “Mesmo quando o preço é mais alto, temos problemas, porque não temos dinheiro para pagar as nossas contas do hospital e as receitas médicas e não podemos comprar artigos escolares para os nossos filhos. Tudo o que compramos vem do dinheiro do algodão… Sinto que a pobreza está a chegar. Já estamos na pobreza, mas há uma pobreza ainda maior a caminho.”

O comércio tem o potencial para ajudar milhões de agricultores como Halidou a ter um meio de vida decente, mas, no momento, ele apenas os empobrece ainda mais. É por isto que a campanha Make Poverty History exige que os líderes mundiais parem de fazer com que os países pobres em recursos abram as suas economias para o comércio injusto e também o fim dos subsídios de exportação, que prejudicam os meios de vidas das comunidades pobres por todos o mundo.

Progresso do Objectivo 8 

Os governos do Norte estão a ter algum progresso nos seus alvos, mas ainda há um longo caminho pela frente.