Mobilização de cidades para proteger crianças e adolescentes

Começou com pequenos passos, em 2011, quando a campanha Bola na Rede foi sonhada e planejada. Durante três anos, indivíduos, redes, igrejas e organizações começaram a se unir com a esperança de ver as crianças e adolescentes livres da ameaça do abuso e da exploração sexual por parte de turistas durante a Copa do Mundo da FIFA de 2014. O movimento cresceu. No verão de 2014, a campanha já contava com a participação de mais de 300 igrejas, dezenas de organizações e centenas de indivíduos.

Os realizadores da campanha convidam pessoas para “entrar em campo” para combater a exploração sexual de crianças e adolescentes por turistas. Foto: Bola na Rede
Os realizadores da campanha convidam pessoas para “entrar em campo” para combater a exploração sexual de crianças e adolescentes por turistas. Foto: Bola na Rede

Envolvimento das crianças e adolescentes

Foram realizadas ações para prevenir o abuso de crianças e adolescentes através de:

  • acolhimento e proteção para crianças e adolescentes;
  • treinamento de crianças e adolescentes para compreenderem seu valor e os perigos do abuso.

Os espaços de acolhimento ofereceram um local seguro para as crianças e adolescentes de 11 das 12 cidades-sede durante a Copa do Mundo. Ao todo, tivemos 40 espaços de acolhimento durante a Copa do Mundo, inclusive 25 Escolas Bíblicas da Copa. O objetivo de um dos projetos era aumentar a autoestima das crianças e prevenir a exploração sexual através da distribuição de kits que contavam a história de Jesus acolhendo crianças (Marcos 10:13-16) num álbum seriado e folhas para colorir. Os kits foram distribuídos por igrejas e organizações das cidades-sede entre crianças vulneráveis.

Para educar e sensibilizar as pessoas, foi realizada uma oficina contra maus tratos para as crianças e adolescentes dos municípios de Anori, Beruri e Coari. O prefeito de Coari, suspeito de chefiar uma rede de exploração sexual na cidade, havia sido preso alguns meses antes da Copa do Mundo, mas parecia ainda comandar a cidade. Até as igrejas estavam divididas entre as que apoiavam o prefeito e as que estavam contra ele. Nessas circunstâncias, era particularmente importante ajudar a proteger as crianças e adolescentes.

Foco nos turistas

Equipes bilíngues sensibilizaram turistas nos aeroportos, em estações de metrô, praças, praias, na Fan Fest da FIFA, pontos turísticos e áreas conhecidas de prostituição. Foram realizadas mais de 100 ações de sensibilização em 16 cidades brasileiras, entre elas: teatro, vigílias de oração pública e distribuição de panfletos informativos.

Denúncia de incidentes

No Rio de Janeiro, três turistas informaram à equipe que tinham recebido ofertas de pacotes de sexo com crianças. A equipe denunciou os casos à Polícia Federal para que esta fosse aos hotéis, prendesse os gerentes e multasse os estabelecimentos.

Parceria com o poder público

O convite para formar parceria com o poder público abriu portas para que a equipe ocupasse espaços frequentados pelos turistas, tais como aeroportos, locais de eventos e até mesmo o Caminho do Gol, em Porto Alegre, que ia desde o centro da cidade, passando pelo mercado público, até o Estádio do Beira Rio. O acesso ao Caminho do Gol foi especialmente eficaz nos dias de jogo.

Dificuldades

Em várias cidades, como Belo Horizonte, São Paulo e o Rio de Janeiro, algumas ações foram dificultadas pelos guardas da FIFA, que impediram ações como panfletagem, música e alto-falantes, dança e qualquer mobilização que “atrapalhasse” os turistas. No Rio de Janeiro, uma ação com 100 adultos e 60 adolescentes que aconteceria na orla de Copacabana, teve seu alvará negado pela Prefeitura Municipal. Entretanto, foram realizadas outras ações, com grupos menores, que não precisavam de alvará.

Igrejas unidas em ação e oração

Assim como as cidades-sede da Copa do Mundo, que incentivaram as ações de sensibilização e acolhimento, várias outras cidades apoiaram a campanha Bola na Rede. Na cidade de João Pessoa, a organização AME Brasil entrou em contato com a equipe do Bola na Rede, e logo elas começaram a trabalhar juntas. A organização adotou o slogan da campanha “Exploração sexual de crianças e adolescentes não é turismo. É crime”.

Ediomare Nóbrega, uma das coordenadoras, descreve a ação realizada no dia 28 de junho de 2014: “Centenas de voluntários, de dezenas de igrejas das mais variadas denominações, espalhados pelos semáforos da cidade e uma só mensagem: ‘Nós amamos com atitude e também entramos em campo contra o abuso e a exploração sexual de nossas crianças’. Todos juntos, numa só voz. Lindo demais! Emocionante demais!”

O Bola na Rede realizou 16 eventos de oração e vigílias em casas e salas de oração por todo o Brasil durante os 30 dias da Copa do Mundo. As cidades de Fortaleza e Porto Alegre disponibilizaram locais específicos para a oração, abertos 12 horas por dia.

Apoio dos jogadores ao Bola na Rede

Dois jogadores que entendem tudo de Bola na Rede participaram da campanha. Marcos Venâncio de Albuquerque, mais conhecido como Ceará, é lateral direito do Cruzeiro e pastor da Igreja Batista Getsêmane, em Belo Horizonte. Lucas Pierre dos Santos Oliveira também é cristão e atua como meio campista do Atlético Mineiro.

Rivais só dentro do campo, os dois fazem parte dos Atletas de Cristo e vestiram a mesma camisa por uma causa maior: a proteção de nossas crianças e adolescentes.

Esta vitoria é também do movimento Bola na Rede, que se vem empenhando em mobilizar atletas e cristãos para que entrem no nosso time!

O jogo continua até 2016!

Entendemos que a exploração sexual de crianças e adolescentes ainda é um problema que precisa ser enfrentado. A Igreja brasileira já entrou em campo nessa luta, e não podemos desperdiçar essa força! O Bola na Rede está-se preparando para continuar com algumas ações até 2016, quando serão realizadas as Olimpíadas no Brasil.

Campanha e ações em massa

Receita para o sucesso…

  • planejar atividades e criar redes com bastante antecedência;
  • usar vários tipos diferentes de abordagens para focar em diferentes grupos;
  • coordenar indivíduos, igrejas e organizações cristãs;
  • obter apoio de pessoas famosas;
  • promover atividades através da mídia;
  • fornecer recursos básicos às pessoas que trabalham na campanha e recursos publicitários a todos.

Como promover a campanha

Bola na rede

Numa campanha em massa, com um bom financiamento, há oportunidades para produzir diferentes tipos de materiais para apoiar a campanha. Aqui estão alguns exemplos.

EXTRATOS DO MANUAL DA CAMPANHA

O manual da campanha explica sobre o abuso sexual, traz exemplos fornecidos por sobreviventes, usa versículos bíblicos e reflexões para inspirar cristãos a agir e descreve como as pessoas podem participar da campanha Bola na Rede.

Silêncio da vítima

É o medo que faz com que as vítimas permaneçam caladas.

Esse medo está associado a:

  • Segurança pessoal O agressor diz: “Se você contar a alguém, eu te mato.”
  • Reprovação de outras pessoas O agressor diz: “Se você contar a alguém, vão ficar com nojo de você.”
  • Ficar longe da família O agressor diz: “Se você contar a alguém, eu te boto para fora de casa.”
  • Machucar pessoas amadas O agressor diz: “Se você contar a alguém, eu pego sua irmã.”
  • Ninguém acreditar na história de abuso O agressor diz: “Ninguém vai acreditar em você.”

O que você pode fazer

  • Tente conscientizar as pessoas sobre a existência do fenômeno através de panfletagem, palestras, etc.
  • Escreva aos seus representantes políticos e exija a criação de um acordo internacional que garanta a deportação, sem direito de retorno ao Brasil, de estrangeiros que cometerem crimes sexuais com indivíduos vulneráveis em nosso território.
  • Incentive as empresas de turismo da sua cidade a postarem em seus próprios sites e incluírem, em seus materiais publicitários, informações que incentivem uma política de proteção a crianças e adolescentes.
  • Monitore e denuncie qualquer material transmitido (por rádio, televisão, jornal e Internet) que possa estimular a exploração sexual de crianças e adolescentes.

PANFLETO DA CAMPANHA

Campaign leaflet

Podemos aprender muito com a maneira como o Bola na Rede produziu seus materiais publicitários. Eles usaram a linguagem do futebol para atrair as pessoas e ligar a questão da exploração sexual à Copa do Mundo. O nome da organização, Bola na Rede, é um bom exemplo. Eles frequentemente falam de “gols” e dizem que as pessoas estão “entrando em campo” quando elas decidem participar publicamente da campanha. As pessoas, organizações e igrejas que participaram usaram os mesmos materiais, com as mesmas gravuras e frases da campanha. O número de telefone de emergência para “discar para os direitos humanos” aparece com destaque nos panfletos, faixas e outros materiais publicitários.

Artigo escrito por funcionários da RENAS (Rede Evangélica Nacional de Ação Social) e editado por Helen Gaw.

Mais recursos e informações podem ser encontrados no site da campanha: www.bolanarede.org.br  (disponível somente em português e inglês)