Para um saneamento melhor

A água potável e o saneamento seguro melhoram a saúde e as oportunidades na vida de todos. Quando as pessoas têm água potável e saneamento seguro, muitas doenças propagam-se com menos facilidade. Entretanto, segundo a Organização Mundial da Saúde, enquanto cerca de 750 milhões de pessoas no mundo não têm acesso à água potável, 2,5 bilhões não têm acesso ao saneamento seguro

Por que é tão difícil ter um bom saneamento?

No âmbito nacional, o saneamento raramente recebe prioridade na agenda política. No âmbito comunitário, as pessoas podem não entender bem a ligação entre o saneamento seguro e a saúde melhor, especialmente os benefícios da eliminação segura dos resíduos humanos e da erradicação da defecação ao ar livre. Mesmo quando as pessoas estão cientes de que um saneamento melhor leva a uma saúde melhor – algum professor na escola ou agente de saúde comunitária pode ter-lhes dito isso – ainda assim pode levar muito tempo para que elas mudem seus hábitos. Consequentemente, nos últimos anos, cada vez mais pesquisas estão sendo feitas sobre o que leva as pessoas a mudar de comportamento, inclusive pesquisas sobre como os promotores de saúde podem trabalhar de maneira mais próxima às comunidades e compreender melhor suas necessidades e capacidades.

Aqueles que tradicionalmente oferecem soluções para melhorar o saneamento também estão questionando os métodos usados no passado. Nos 15 anos desde que os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio foram acordados – que incluem a meta específica de melhorar o saneamento – os governos e organizações têm desenvolvido abordagens mais eficazes, que investigam o que as comunidades querem antes de sugerir as tecnologias e soluções disponíveis.

Devemos focar na oferta ou na demanda?

Os métodos anteriores geralmente eram “orientados pela oferta”. Uma abordagem orientada pela oferta é aquela em que o provedor dá a solução. Por exemplo, o governo ou uma organização não governamental (ONG) doa kits e serviços de latrinas, pedindo pouca ou nenhuma contribuição da comunidade. Isso pode ser adequado num contexto de emergência, quando há necessidade de ajuda imediata, como, por exemplo, num campo de refugiados ou pessoas deslocadas. Caso contrário, o que acaba acontecendo é que muitas das latrinas são mal-usadas ou simplesmente não são usadas, porque não houve consulta nem acordo de que elas seriam apropriadas. As latrinas que são usadas talvez não sejam esvaziadas ou trocadas quando cheias por falta de conhecimento e suporte técnico e falta de gestão administrativa ou financeira.

A experiência recente mostra que as abordagens “orientadas pela demanda” geralmente são mais eficazes, mesmo que iniciem de forma mais lenta. Isso se deve ao fato de que essas abordagens empoderam as comunidades, ajudando-as a analisar seus próprios comportamentos e explorar suas necessidades e possíveis soluções. Muitas pessoas, inclusive as pessoas pobres, estão dispostas a pagar ou contribuir para um bom saneamento que atenda às suas necessidades, se a tecnologia for bem “empacotada e comercializada”, e se houver suprimento garantido de peças e serviços a preços acessíveis. Para isso, o setor de saneamento desenvolveu um “marketing de saneamento”, o qual consiste em melhorar o mercado de saneamento, começando por entender as motivações das pessoas par ter um saneamento melhor e os obstáculos que elas enfrentam. Assim, é possível estabelecer uma oferta melhor de serviços de saneamento para atender à demanda.

Por exemplo, uma abordagem orientada pela demanda que inclua o marketing de saneamento poderia consistir em: 

  • Criar um “balcão único” de serviços de saneamento (inclusive o esvaziamento das latrinas) de forma que as pessoas não tenham de ir a diferentes fornecedores para obter diferentes serviços;
  • Desenvolver um serviço de esvaziamento autofinanciado que possa ser pago em prestações;
  • Treinar artesãos locais, tais como construtores; 
  • Trabalhar com escolas, clínicas e serviços governamentais;
  • Treinar grupos de gestão comunitária para oferecer apoio contínuo ao saneamento da comunidade; 
  • Fazer publicidade através de outdoors, panfletos e do rádio;
  • Dizer às pessoas o que está e o que não está funcionando para que a abordagem possa ser constantemente aperfeiçoada. 

Um programa eficaz estimula a economia local e garante que as soluções sejam sustentáveis.

Esta edição da Passo a Passo cobre alguns dos desafios das abordagens orientadas pela demanda do ponto de vista do facilitador comunitário.

Com o nosso agradecimento a Frank Greaves, Líder de Água, Saneamento e Higiene (WASH) da Tearfund.