Verduras de folhas comestíveis tradicionais

Dr. Patrick Maundu.

O Quênia, Centro de Recursos do Quênia para o Conhecimento Nativo (KENRIK) documentou todas as plantas comestíveis do Quênia. O trabalho deles mostra o potencial das plantas comestíveis nativas para a melhoria da segurança alimentar. Na África, cerca de 4.000 espécies de plantas têm o potencial para produzir alimentos, podendo-se usar as folhas de cerca de 1.000 as como verduras.

As verduras tradicionais são geralmente ricas em nutrientes como a vitamina A e o ferro – os quais freqüentemente faltam na dieta das crianças e das grávidas. Entretanto, há muitas coisas que limitam a sua utilização.

  • Muitas vezes, as pessoas têm uma atitude negativa em relação a estas verduras e não conseguem apreciar o seu sabor, preferindo alimentos “modernos”.
  • Pode ser difícil obter sementes ou mudas.
  • As vendas nos mercados locais são muitas vezes ruins.
  • Pouca pesquisa foi feita, é há uma falta geral de conhecimento sobre o seu potencial.
  • Muitas pessoas, especialmente nas cidades, não sabem como prepará-las. Este conhecimento está a ser perdido rapidamente, à medida que as pessoas mais idosas morrem.
  • As políticas agrícolas geralmente dão mais importância às culturas para a exportação e oferecem pouco ou nenhum financiamento para o trabalho com os alimentos tradicionais.
  • Algumas variedades, especialmente as espécies cultivadas, como o feijão-de-vaca, podem desaparecer à medida que são substituídas por variedades comerciais. Estas variedades precisam ser colhidas, documentadas e preservadas para o futuro.

Para usar a maior parte destas verduras, as folhas verdes e as hastes tenras são colhidas, lavadas e cortadas. Elas são geralmente cozidas à vapor ou fervidas com outras folhas de verduras e, depois, fritas com especiarias, cebolas e tomates. Há muitas oportunidades para novas idéias de geração de recursos, para produzir produtos usando verduras de folhas comestíveis tradicionais, especialmente de maneiras que as tornem mais convenientes para o processamento, a comercialização e o preparo.

O trabalho do KENRIK aprendeu algumas lições úteis:

  • A promoção do alto valor nutritivo das verduras de folhas comestíveis tradicionais causa um bom impacto no incentivo da sua utilização.
  • É fácil usar e compartilhar técnicas simples de produção de sementes e embalagem.
  • A seleção simples conduzida pelos pesquisadores pode rapidamente levar a grandes aumentos no rendimento ou na produção de variedades com as características necessárias.
  • Técnicas simples para conservar verduras de folhas comestíveis, tais como secagem, ajudam a fazer com que elas estejam disponíveis durante as épocas de baixa produção.
  • A troca de receitas com restaurantes em áreas urbanas pode aumentar as vendas.

O Dr. Patrick Maundu é o chefe do KENRIK, PO Box 62876, Nairobi, Quênia.
E-mail:
p.maundu@cgiar.org


Processamento de manteiga de carité

As nozes de manteiga de carité são um outro alimento silvestre tradicional. A manteiga de carité vem da árvore carité – Vitellaria paradoxa ou Carité, e é muito apreciada pelos seus benefícios para a pele. Aqui estão alguns conselhos de mulheres com experiência na produção de manteiga de carité e de especialistas para melhorar tanto a quantidade quanto a qualidade da manteiga extraída, as quais são especialmente importantes, se a manteiga for ser vendida para a exportação. Há um mercado em rápido crescimento na Europa para a manteiga de carité.

  • Colha os frutos quando estiverem totalmente maduros. Não os corte da árvore, nem sacuda a árvore para fazê-los cair. Espere para que caiam sozinhos, pois os frutos totalmente maduros têm mais óleo.
  • Depois de retirar a polpa, cozinhe as nozes em água fervente, ao invés de defumá-las.
  • Seque as nozes rapidamente ao sol, para evitar o mofo, virando-as com freqüência.
  • Escolha as nozes, retirando as que estiverem pretas, estragadas, quebradas ou tiverem germinado. As nozes boas são duras, inteiras, limpas, castanhas (marrom)-claras e têm um cheiro agradável.
  • Torre as nozes, cuidando para não queimá-las.
  • Processe as nozes num moedor, pilão ou entre pedras para fazer uma pasta castanha. 
  • Adicione água potável e continue misturando até que se forme uma pasta de cor creme.
  • Extraia o óleo usando a prensa (para obter uma manteiga de melhor qualidade) ou aquecendo a pasta com água até que a manteiga suba para a superfície.
  • Para clarear mais a manteiga derretida, adicione o sumo de dois ou três limões em 25 litros de manteiga fervente.
  • Guarde a manteiga em recipientes herméticos. Enche-os completamente e feche-os bem, cuidando para não deixar nenhum espaço com ar. Use folhas de plástico como cobertura para ajudar a proteger a manteiga do ar e da luz.

Retirado de Les Fiches Techniques des paysannes africaines, de Marie-Thérèse Abela. Publicado por GRAD.