Poços de água perfurados à mão

Dr Richard Carter. 

Muitas pessoas caminham longas distâncias para obter água, a qual, muitas vezes, está contaminada. Entretanto, pode haver água subterrânea limpa a menos de 30 ou 40 metros abaixo de suas comunidades. Esta água subterrânea tem um grande potencial para economizar tempo, diminuir a inconveniência e melhorar a saúde. 

Foto: Richard Hanson/Tearfund
Foto: Richard Hanson/Tearfund

Poços cavados à mão e poços perfurados 

Os poços cavados à mão são um meio óbvio de se obter acesso à água subterrânea. A alternativa é geralmente um poço profundo perfurado por um equipamento de perfuração caro. A maioria das comunidades não têm condições de ter acesso ou comprar um, a não ser que tenham recebido ajuda de governos ou ONGs. Entretanto, há uma terceira alternativa – os poços perfurados à mão. 

Poços rasos de pequeno diâmetro 

Estes geralmente têm somente 15 cm de diâmetro (em comparação aos poços cavados à mão, que têm 1,2 metros ou mais) e até 30 metros de profundidade, como a maioria dos poços cavados à mão. Os poços perfurados à mão podem ser mais baratos e mais rápidos de se construírem que os poços cavados à mão. Equipados com uma bomba manual, eles funcionam com eficácia, mesmo quando o abastecimento de água subterrânea for baixo. Uma vantagem de um poço cavado à mão é que, se a bomba estragar, ainda se pode obter água com um balde e uma corda. 

Qualquer poço, seja ele cavado à mão, perfurado à mão ou perfurado por uma máquina – envolve três processos: 

  • afrouxar o solo 
  • remover o solo e as pedras 
  • apoiar as paredes do buraco. 

Os poços perfurados à mão usam uma broca grande chamada trado para perfurar o solo, sustentada por uma armação de metal. Uma grande vantagem dos poços de pequenos diâmetros é que é preciso atravessar e remover muito menos solo e pedras. 

Energia 

Três ou quatro homens construindo um poço perfurado à mão possuem menos de 2% da energia de um equipamento de perfuração. Se a broca tiver que atravessar pedras, isto pode ser impossível com a perfuração manual. Os materiais macios, como a areia e o lodo, exigem menos energia, mas podem causar problemas, se os buracos se desmoronarem.

Outras questões 

Há também questões mais amplas a serem consideradas pelas comunidades, quando estiverem pensando sobre a perfuração manual: 

  • Há fontes de água alternativas que poderiam ser protegidas? 
  • As fontes existentes poderiam ser melhoradas? 
  • A geologia é adequada para a perfuração manual? 
  • Como serão escolhidos os locais? 
  • Como serão mobilizadas e envolvidas as comunidades? 
  • Quem pagará pelos poços? 
  • Quem construirá os poços? 
  • Onde serão feitos os equipamentos de perfuração manual? 
  • Será fácil conseguir peças sobressalentes?
  • Quem fornecerá os revestimentos e outros materiais de construção para os poços? 
  • Quanto custarão os poços? 

Trabalho recente 

Estas questões foram exploradas durante um recente projeto de três anos em Uganda, o qual examinou possíveis parcerias entre agências governamentais, doadores externos, empreiteiros comerciais e comunidades locais. 

O projeto desenvolveu uma nova tecnologia adequada para as condições locais. Eles incentivaram pequenos empreiteiros a adotar as tecnologias e a começar a fabricação local de equipamento. Eles descobriram que, com o auxílio dos doadores, do governo e das comunidades, é possível criar parcerias entre o setor público, o setor privado e as comunidades, para melhorar o abastecimento de água rural. Se isto pode resultar realmente num maior acesso à água limpa, a um preço razoável, só será visto no futuro. 

Dr Richard C Carter, Institute of Water and Environment, Cranfield University, Silsoe, Bedford, MK45 4DT, Inglaterra E-mail: r.c.carter@cranfield.ac.uk 

Para mais informações

Esta é uma tecnologia nova e emocionante. No momento, há pouco equipamento sendo fabricado. Uma exceção é o Vonder Rig, que pode ser obtido através da V & W Engineering, PO Box 131, Harare, Zimbábue.

Em alguns países, há pessoas que produziram suas próprias versões de brocas manuais. Pedimos aos leitores com experiência nesta área que entrem em contato com Richard, para que ele possa compartilhar seus dados com outras pessoas.

Este website tem vários dos relatórios do projeto e um pacote de recursos com todas as informações: www.silsoe.cranfield.ac.uk/lcdrilling