Adaptando práticas agrícolas em Burquina Faso

Burquina Faso é um país no interior da África Ocidental. O norte do país possui um clima seco quente, enquanto que o sul tem mais chuva. As chuvas são irregulares e, há 30 anos, Burquina Faso tem tido muito pouca chuva, com três secas particularmente rigorosas (1973–1974, 1983–1984 e 2000–2001).

Os solos geralmente são de pouca qualidade, em parte, devido à erosão. A produção é baixa e resultou numa escassez de cereais e fome em áreas do norte e das planícies centrais.

O crescimento populacional cada vez maior causa mais pressão na agricultura e no meio ambiente. Além disso, há 20 anos, tem havido um alto nível de migração interna. Muitos agricultores do norte e das planícies centrais mudaram-se para as terras baixas em busca de terras para arrendar. Geralmente, um membro da família vai primeiro e chama os outros depois para que o sigam. Em algumas áreas, agora, há tantos migrantes quanto pessoas nativas. Isto está ameaçando os costumes e a língua locais. Às vezes, os migrantes usam os leitos secos de rios para plantar. Se chove, estas plantações geralmente são arruinadas, pois os leitos dos rios enchem-se de água. A CREDO, uma parceira da Tearfund, trabalha com a mobilização de projetos agrícolas nas bases, com resultados muito positivos.

Os agricultores de Burquina Faso têm sofrido com o impacto da mudança climática por muitos anos. Com o tempo, eles adaptaram as suas práticas agrícolas para se protegerem dos ciclos intermináveis de seca e pouca chuva.

A seguir, estão algumas das técnicas e idéias mais usadas.

Semeando no solo seco

Para evitar desperdiçar uma única gota das primeiras chuvas, as sementes são plantadas no solo seco um pouco antes do início das chuvas. Assim, até mesmo a chuva mais leve é aproveitada para que as plantas comecem a crescer.

Variedades de crescimento rápido

Muitos agricultores do sul do país começaram a usar variedades de crescimento rápido de painço, milho, sorgo e arroz (variedades normalmente usadas apenas no norte, que é mais seco), mesmo sabendo que estas produzem menos.

Sementes aperfeiçoadas

Os centros de pesquisa governamentais produziram variedades de sementes que se tornaram populares entre as ONGs e os agricultores. Estas sementes, agora, são bastante aceitas e apreciadas pelos agricultores.

Tração animal

Os agricultores estão muito cientes dos benefícios do uso da força animal na agricultura para assegurar que a terra seja arada e as sementes sejam plantadas assim que as chuvas comecem. O único problema é o acesso aos animais e arados, o qual está além do alcance de muitos agricultores. A CREDO ajuda distribuindo arados.

Desmatamento

Para terem certeza de que haverá algo para ser colhido em cada estação, os agricultores das áreas florestais não hesitam em derrubar um pouco da floresta remanescente a cada ano a fim de usar o solo mais fértil possível. As pessoas cortam madeira e vendem- -na para a cidade. Os agricultores nem sempre percebem a importância das árvores. A CREDO incentiva as comunidades a manterem comitês de manejo florestal, reconhecidos pelo governo, para treinar as pessoas a gerirem a floresta, para que haja um equilíbrio entre a derrubada e o plantio.

São transmitidos programas de rádio nos idiomas locais sobre a importância do plantio de árvores, e os alunos das escolas são incentivados a plantar e cuidar de 200 árvores em cada escola.

Treinamento em agricultura sustentável

Os agricultores jovens recebem treinamento de longo prazo (por oito meses) sobre tração animal, criação de animais e manejo agrícola. Eles são ensinados sobre a agricultura sustentável, agrossilvicultura, viveiros de árvores e horticultura para a comercialização. Após treinamento, estes agricultores podem causar um grande impacto nos seus povoados. As suas colheitas, muitas vezes, dobram; algumas triplicam. Isto ajuda os outros agricultores do povoado a ficarem mais dispostos a aprender com o conhecimento que estes agricultores treinados podem compartilhar.

Yanogo André é o coordenador de programas de desenvolvimento da CREDO. CREDO, 01 BP 3801, Ouagadougou 01, Burquina Faso. E-mail: xyanogo@hotmail.com


Técnica zai

Esta é uma práctica agrícola tradicional que é particularmente útil em solos pobres e inférteis. Cave pequenos buracos medindo 20–30cm de diâmetro por 10–20cm de profundidade. Coloque alguns punhados de resíduos de colheitas ou esterco de animais nos buracos e cubra o solo. Quando as chuvas começarem, plante sementes de sorgo ou painço nos buracos. Estes buracos são úteis, porque a preciosa água da chuva se junta neles, e eles fazem uso das pequenas quantidades de resíduos orgânicos e esterco de maneira extremamente eficaz. 

O esterco animal dá melhores resultados do que os resíduos de colheitas por ser um fertilizante mais concentrado. Fazer um composto com os resíduos de colheitas antes de usá-los melhora a fertilidade, mas leva mais tempo. Pode ser difícil cavar os buracos zai, mas isto pode ser feito durante a estação seca, quando há menos trabalho. Esta técnica simples está aumentando a produção das colheitas dos agricultores em Burquina Faso.