VSG e o Conflito

A violência sexual e de gênero (VSG) já está presente nas comunidades antes de uma crise atingi-las, mas os riscos e a vulnerabilidade à VSG aumentam durante e após as emergências. Em uma situação de crise, em que os contextos de segurança, político, social, econômico e ambiental são frágeis, os indivíduos correm um maior risco de violência. A VSG pode ser cometida por qualquer pessoa, inclusive membros da família, grupos armados, agentes humanitários e indivíduos de comunidades anfitriãs ou comunidades de refugiados/pessoas deslocadas internamente.

As pessoas em posições de autoridade, como a polícia, autoridades de segurança, líderes comunitários, professores, empregadores, locadores de imóveis e agentes humanitários, podem abusar de seu poder. As mudanças nos papéis e responsabilidades sociais e de gênero, bem como os estresses resultantes do deslocamento, podem causar ou exacerbar as tensões dentro do lar, resultando em violência doméstica. O estresse econômico e a insegurança podem aumentar os mecanismos de enfrentamento negativos, tais como o sexo pela sobrevivência e o casamento precoce ou forçado, e aumentam a vulnerabilidade ao tráfico. Durante o conflito armado, a violência sexual pode muitas vezes ser usada como arma de guerra.

Prevenir e responder à VSG pode salvar vidas e é, portanto, um componente vital da proteção em qualquer resposta humanitária.

Nossa resposta para a VSG em um contexto de crise

As intervenções de VSG diretas podem se concentrar em:

  • proporcionar acesso a serviços médicos, legais e psicossociais adequados às sobreviventes ou fornecer informações sobre como acessar os serviços disponíveis (vias de referência);
  • compartilhar as principais mensagens sobre segurança para mulheres e meninas na comunidade;
  • atividades de prevenção que promovam a igualdade de gênero;
  • combater o estigma social, que é um dos principais obstáculos para que as sobreviventes acessem os serviços;
  • criar espaços seguros para as mulheres se reunirem e discutirem questões que as afetem e estabelecer mecanismos através dos quais a violência possa ser denunciada e combatida.

Devemos também assegurar que as intervenções sejam integradas: as respostas emergenciais de todos os setores devem ser elaboradas de forma a garantir a prevenção da VSG, e todo o pessoal humanitário deve respeitar os códigos de conduta na prevenção da exploração e do abuso sexual.

Há várias normas e diretrizes internacionais para auxiliar a integração da prevenção da VSG e garantir padrões mínimos durante emergências, entre elas:

Diretrizes do IASC sobre a VSG na ação humanitária  (em inglês, árabe, espanhol e francês)

Diretrizes operacionais do IASC para a proteção de pessoas em situações de desastres naturais (em inglês)

Padrões Mínimos para a prevenção e a resposta à violência de gênero em emergências do UNFPA (em inglês, árabe, espanhol, francês e russo)

Qual é o papel dos grupos religiosos?

Os líderes religiosos são formadores de opinião locais importantes, e os grupos religiosos estão presentes até mesmo em comunidades remotas, afetadas por conflitos ou deslocadas, difíceis de alcançar para o governo e outras agências. Em uma crise, as igrejas e mesquitas frequentemente se tornam locais de refúgio e, na prática, os líderes religiosos frequentemente são os primeiros a responder.

A falta de conhecimento ou capacidade, os tabus e as crenças prejudiciais entre esses líderes podem torná-los incapazes de se engajarem positivamente nas questões de VSG. Em particular, eles podem se sentir relutantes em discutir questões sexuais, podendo, na verdade, até tolerar ou contribuir para as crenças prejudiciais, as quais são a causa fundamental da VSG. A falta de compreensão também dificulta o engajamento de muitas agências humanitárias com grupos religiosos, limitando as respostas de prevenção coordenadas e eficazes no âmbito comunitário.

Quando significativamente engajados, os grupos religiosos podem causar um grande impacto na prevenção da VSG em comunidades afetadas por conflitos.

Nossos recursos sobre a vsg e os conflitos

Rethinking relationships - front coverRethinking relationships: Moving from violence to equality (PDF 608 KB) (em inglês)
Esse relatório apresenta os resultados completos da pesquisa final realizada em 15 comunidades na província de Ituri, na República Democrática do Congo, acerca de fé, normas ligadas ao gênero e VSG em comunidades afetadas por conflitos.
Esse recurso também está disponível no formato de resumo de evidências (PDF 673 KB) (em inglês)

Does faith matter front coverDoes faith matter? (PDF 505 KB)
Este relatório fornece as principais conclusões de uma pesquisa de linha de base realizada em 15 comunidades na Província de Ituri, na República Democrática do Congo, sobre fé, normas de gênero e VSG em comunidades afetadas por conflitos. Também disponível em francês (PDF 537 KB.
Esse recurso também está disponível na forma de um Policy Brief (Informe sobre Políticas) (PDF 335 KB) bem como em francês (PDF 799 KB)

Who can we turn to front coverWho can I turn to? (PDF 468 KB)
Este relatório fornece uma perspectiva sobre o mapeamento de conexões sociais, a confiança e a resolução de problemas entre populações afetadas por conflitos no Iraque. Esse recurso também está disponível na forma de um Policy Brief (Informe sobre Políticas) (PDF 473 KB)

Passo a Passo 106Passo a Passo 106
Uma edição especial da revista, que explora como podemos acabar com a violência sexual e de gênero e oferecer apoio holístico às sobreviventes.