Transformando Masculinidades: a abordagem da Tearfund para acabar com a VSG

Passo a Passo 106 - Violência sexual e de gênero

A Passo a Passo 106 explora como podemos pôr fim à violência sexual e de gênero e oferecer apoio holístico às sobreviventes.

Transformando Masculinidades: a abordagem da Tearfund para acabar com a VSG

O que podemos fazer para acabar com a violência sexual e de gênero (VSG) em nosso lar e nossa comunidade? A Tearfund desenvolveu uma nova abordagem baseada na fé chamada Transformando Masculinidades para ajudar a alcançar esse objetivo.

Um grupo no Brasil participa de uma atividade de Transformando Masculinidades sobre gênero, poder e status. Foto: Prabu Deepan/Tearfund
Um grupo no Brasil participa de uma atividade de Transformando Masculinidades sobre gênero, poder e status. Foto: Prabu Deepan/Tearfund

A desigualdade entre os homens e as mulheres é uma das forças motrizes por trás da VSG. Se quisermos realmente acabar com a desigualdade de gênero, precisaremos abordar as ideias prejudiciais das pessoas sobre o que significa ser homem ou mulher. 

Até agora, muitos programas de desenvolvimento concentraram-se em aumentar a conscientização sobre a VSG e empoderar mulheres, meninas e sobreviventes e defender seus direitos. No entanto, o que tem faltado é o engajamento com os homens e meninos, que formam o principal grupo a praticar a violência (e, às vezes, também são vítimas eles próprios). Além disso, os homens ocupam posições de poder e influência em muitos contextos – na cultura, na política e na igreja. Se nos engajarmos com eles de maneira significativa, eles poderão atuar como grandes aliados para promover a igualdade de gênero. 

A abordagem Transformando Masculinidades aborda as diferentes ideias que as pessoas têm sobre o que significa ser homem – no lar, nos relacionamentos, na comunidade e na sociedade em geral. Às vezes, a sociedade ensina os homens a se comportarem de maneira prejudicial para si mesmos e para outros, especialmente para as mulheres e meninas. Transformando Masculinidades cria um espaço para discussões, reflexões, responsabilização e uma jornada compartilhada com outros homens para quebrar o ciclo da violência. A abordagem promove os aspectos positivos de ser homem, tomando Jesus como nosso exemplo.

utilização da fé e das escrituras

A maioria das pessoas do mundo segue uma tradição religiosa ou fé. Às vezes, os líderes religiosos (que geralmente são homens) e certas interpretações dos textos das escrituras podem reforçar as crenças que dão aos homens mais poder e valor do que às mulheres. Essas interpretações prejudiciais permitem que a desigualdade de gênero continue e frequentemente são usadas para justificar a violência e envergonhar as sobreviventes da VSG. 

No entanto, as tradições e os líderes religiosos podem igualmente atuar como agentes poderosos para a mudança no combate à VSG. A abordagem Transformando Masculinidades engaja líderes religiosos e treina “Promotores de Gênero”, os quais, então, facilitam diálogos comunitários.

Transformando Masculinidades

qual é o impacto? 

A abordagem Transformando Masculinidades atualmente está sendo usada em oito países, entre eles, Brasil, Burundi, República Democrática do Congo, Mianmar e Nigéria. Até agora, a Tearfund treinou mais de 400 líderes religiosos e 200 Promotores de Gênero, sendo que mais de 3.000 pessoas concluíram os diálogos comunitários. Os resultados e dados de monitoramento iniciais mostraram: 

  • uma redução significativa na violência por parceiro íntimo; 
  • mais discussões sobre gênero; 
  • uma redução da violência de gênero entre homens e mulheres; 
  • líderes religiosos falando mais sobre a violência de gênero em seus cultos; 
  • um apoio melhor para as sobreviventes; 
  • homens participando mais das tarefas domésticas; 
  • melhoria nos processos de tomada de decisão nas famílias.

Acreditamos que a abordagem Transformando Masculinidades ajudará a mudar o comportamento individual e construir uma sociedade livre de todas as formas de VSG.


atividade em grupo: jesus, nosso modelo

Esta reflexão bíblica para um pequeno grupo foi adaptada a partir do manual Transformando Masculinidades.

Leia Efésios 5:22–25 

Peça aos participantes que formem três grupos. Cada grupo deverá fazer uma lista de 10 a 12 características dos homens de sua comunidade e, em seguida, 10 a 12 de Jesus Cristo. 

Peça a cada grupo que discuta o seguinte e apresente os principais pontos ao grande grupo, dando-lhes 20 minutos para uma discussão/reflexão:

Grupo 1: Observe os relacionamentos. Como Jesus interagia com sua família, amigos, colegas, discípulos e as mulheres que o seguiam?

Pensamentos orientadores: Se os homens, hoje, fossem como Jesus, como eles tratariam as mulheres? E as meninas? E as filhas? E as irmãs? E as esposas? E as mães? Que tipo de pais/esposos eles seriam? (Pense em Jesus lavando os pés de seus discípulos (João 13:1–17), cozinhando para Pedro (João 21:10–14), dizendo a Marta que dar atenção a ele era mais importante do que correr de um lado para outro (Lucas 10:38–42), chorando por seu amigo Lázaro (João 11:17–43), etc.)

Grupo 2: Como Jesus reagia diante daqueles que eram estigmatizados por sua comunidade, como as mulheres rejeitadas e discriminadas?  

Pensamentos orientadores: Se os homens, hoje, fossem como Jesus, como eles responderiam às sobreviventes de abuso? Eles culpariam as “vítimas”? Eles as estigmatizariam? Eles as rejeitariam? Eles permitiriam que elas fossem abusadas novamente? (Veja como Jesus trata a mulher samaritana (João 4:4–26), a mulher com hemorragia (Lucas 8:43–48), a mulher surpreendida em adultério (João 8:1–11), a mulher que lavou seus pés (Lucas 7:36–50), etc.)

Grupo 3: Que tipo de líder foi Jesus? Como ele liderou? Como ele ensinou? Como ele interagiu com as pessoas que liderava?

Pensamentos orientadores: Se os homens e as mulheres quiserem ser líderes como Jesus, como eles deverão liderar? Como eles liderariam para acabar com a VSG? Como eles abordariam a desigualdade de gênero? E a poligamia? E as práticas nocivas em casa, em nossas igrejas e em nossa comunidade? (Foque em Jesus como líder-servo: ele veio para servir, e não para ser servido; ele liderou com humildade, amor, compaixão e empatia.)

para concluir... 

Saliente que podemos ver que Jesus foi um ótimo exemplo para os homens. Mesmo em circunstâncias que nem sempre eram justas ou corretas, ele mantinha seu autocontrole. Ele ficava irado, mas nunca foi violento. Na verdade, ele falava contra a violência. Ele se comunicava sem agressividade e era paciente, atendendo às pessoas em suas necessidades. Mais importante ainda: ele rejeitava todas as normas sociais, religiosas e culturais sobre como ser homem naquela época. 

Peça aos participantes que reflitam sobre como eles podem promover este modelo em suas comunidades, igrejas e lares e como eles, pessoalmente, podem ser exemplos desse comportamento.

Prabu Deepan
Prabu Deepan lidera o trabalho da Tearfund sobre gênero e masculinidades. Site: www.tearfund.org/transformingmasculinities E-mail: prabu.deepan@tearfund.org