Nossas amigas – As Minhocas

As minhocas vivem na camada superior do solo. Elas são pequenas criaturas, que geralmente passam desapercebidas e, no entanto, são muito valiosas para os fazendeiros. Elas comem restos de plantas e animais, transformandoos em nutrientes úteis para as plantas. Com suas tocas, elas permitem que mais ar penetre no solo e aumentam a drenagem. Os solos com muitas minhocas são férteis.

O processo de utilização das minhocas para tornar a matéria orgânica em composto chama-se vermicompostagem. Elas podem transformar os restos domésticos e dos jardins em um condicionador de solo e fertilizante de alta qualidade. Isto melhora o solo e aumenta a produção de hortaliças em pequena escala. O vermicomposto não tem odor, é agradável de ser manuseado e pode ser colocado diretamente nas plantas, utilizado em sementeiras ou colocado no fundo dos sulcos das sementeiras. Ele pode ser produzido criando-se minhocas em recipientes especiais conhecidos como canteiros.

Fazendo um canteiro de minhocas

O canteiro de minhocas pode ser feito de madeira, concreto (cimento), arame coberto com plástico, metal, plástico ou cerâmica. Deve ter aproximadamente 1,5m x 1,5m e 30–40cm de profundidade, pois as minhocas de compostagem tendem a se alimentarem de pé, mordiscando os materiais logo abaixo da superfície. Quanto maior a área da superfície, mais oportunidades as minhocas terão de se alimentarem. O canteiro não deve ter nenhuma base ou, se forem utilizados recipientes de metal ou de plástico, devem-se fazer alguns buracos para drenagem. Um tambor de óleo de 200 litros cortado ao meio ao comprido (e lavado com cuidado) serve como dois recipientes bons. Encha o canteiro exatamente como se estivesse fazendo composto – camadas de restos vegetais e de plantas picadas entremeadas de camadas de estrume e solo. Regue o composto com água e cubra-o com um plástico preto, papelão ou uma esteira de bambu. Mantenha-o sempre umedecido e coberto, pois as minhocas só crescem em condições úmidas e no escuro. Após 1–2 semanas (quando o calor inicial do composto tiver esfriado), faça furos e coloque minhocas ou ovos. Existem cerca de 4.000 espécies de minhocas, e somente algumas (pequenas e de cor vermelha viva) são adequadas para a vermicompostagem. Vale a pena entrar em contato com os serviços de extensão agrícola ou de consultoria locais para ver se é possível obter espécies recomendadas (tais como a Eudrilus euginea e a Eisenia foetida). Você precisará de aproximadamente 50 a 100 minhocas para começar cada caixa de composto. Se você não conseguir encontrar nenhum fornecedor de minhocas para compostagem, tente utilizar minhocas para isca de pescaria ou minhocas comuns de jardim.

Fazendo composto

As minhocas para compostagem comem qualquer tipo de restos vegetais da cozinha. A grama (relva) e as ervas daninhas devem ser secas um pouco antes para evitar que o composto se aqueça demais. Os restos podem ser colocados ao redor das bordas do canteiro, utilizando-se um lugar diferente a cada dia. Eles podem ser revolvidos na terra um pouco para evitar moscas, ou simplesmente deixados na superfície. Após 2–3 meses, os restos vegetais terão-se transformado em um composto fino e muito fértil, e as minhocas terão-se multiplicado rapidamente. Para colher o vermicomposto, empurre-o para um lado e pare de aguá-lo. Coloque o estrume velho no outro lado e mantenha-o úmido. As minhocas irão para o estrume, e você poderá colher o vermicomposto. Continue, então a colocar restos vegetais no canteiro como antes para produzir mais composto.

De negócio com a minhoca

Durante os anos 80, Cuba teve que encontrar alternativas para as importações de fertilizantes inorgânicos. O programa de vermicompostagem de Cuba começou em 1986 com duas caixas pequenas de minhocas vermelhas. Menos de dez anos mais tarde, havia 172 centros de vermicompostagem em Cuba, produzindo mais de 99.000 toneladas de vermicomposto por ano. Um fazendeiro no Equador, Enzo Bollo, transformou a produção de composto de minhocas em um negócio enorme, empregando 14 trabalhadores de tempo integral e produzindo 20.000 sacos (de 33kg cada) de composto valioso por ano, o qual é vendido comercialmente.

Informações fornecidas por Sam Ross e CEDEPO, os quais produziram um pequeno livro em forma de história em quadrinhos sobre a criação de minhocas. O endereço é: CEDEPO, CC 109, (1878), Quilmes, Provincia Buenos Aires, Argentina. Tel/Fax: +54 222 949 2130

E-mail: cedepo@geocities.com ou samross@iafrica.com 

Fornecedores de minhocas

Hennie Eksteen, Affmech, PO Box 300, Cato Ridge 3680, África do Sul

Meyer, 18 Smit Street, Potchestrom, África do Sul

Ajude-se a si mesmo ajudando os outros

Um agricultor que ganhava prêmios todos os anos por causa de seu milho foi entrevistado por um repórter jornalístico que descobriu que o agricultor compartilhava seu milho para sementeira com seus vizinhos. ‘Por que você compartilha seu melhor milho para sementeira com seus vizinhos, se o milho deles compete com o seu todos os anos?’, perguntou o repórter.

 ‘Ué’, disse o fazendeiro, ‘o senhor não sabia? O vento pega o pólen do milho que está amadurecendo e carrega-o num torvelinho de campo para campo. Se os meus vizinhos produzirem um milho de baixa qualidade, a polinização cruzada reduzirá a qualidade do meu milho. Se eu quiser produzir um bom milho, eu preciso ajudar meus vizinhos a produzirem um bom milho.’

Este agricultor é bem consciente de como toda a vida está conectada. O milho dele não pode melhorar a não ser que o milho de seus vizinhos também melhore. Isto ocorre em muitas outras situações. As pessoas que quiserem ter paz devem ajudar seus vizinhos a terem paz. As pessoas que quiserem viver bem, devem ajudar os outros a viverem bem, pois o valor de uma vida é medido pelas vidas que ela afeta.

De Sid Kahn, baseado em um extrato de um livro de James Bender