Quando “família de acolhimento” é um novo termo

Passo a Passo 101 - Assistência aos órfãos

Inclui estudos de casos, atividades infantis e uma entrevista comovente sobre como é crescer em um centro de acolhimento infantil.

Quando “família de acolhimento” é um novo termo

A Casa Viva é a única organização que implementa ativamente o trabalho com famílias de acolhimento na Costa Rica. Trabalhando através da igreja local, eles incentivam as famílias a oferecer um lar às crianças necessitadas. 

Participantes de Honduras, Panamá, Costa Rica e República Dominicana concluindo um curso de treinamento da Casa Viva. Foto: Casa Viva
Participantes de Honduras, Panamá, Costa Rica e República Dominicana concluindo um curso de treinamento da Casa Viva. Foto: Casa Viva

Philip e Jill Aspegren começaram a Casa Viva em 2003. Antes disso, eles dirigiram um centro de acolhimento infantil na República Dominicana durante seis anos. Embora adorassem seu trabalho, eles queriam saber se havia alguma alternativa melhor para o acolhimento residencial. Em 2003, a organização Viva convidou os Aspegrens para investigar essa questão na América Central. 

Philip e Jill escolheram a Costa Rica como sua sede. Quando começaram, o termo “família de acolhimento” nem sequer era usado na Costa Rica. 

Primeiros passos 

Os Aspegrens começaram construindo relacionamentos com o governo local e nacional. Eles examinaram as leis e políticas da Costa Rica para ver o que teriam permissão para fazer. A seguir, eles começaram a compartilhar sua visão com as igrejas. A Casa Viva contratou profissionais, como assistentes sociais, e desenvolveu um currículo de treinamento para igrejas e famílias. 

Após oito meses, a primeira criança foi colocada em uma família da igreja local. Desde então, mais de 400 crianças foram recebidas por famílias de acolhimento através do trabalho da Casa Viva. O departamento de proteção infantil do governo agora encaminha crianças regularmente a eles. 

Estratégias 

A Casa Viva sempre começa organizando uma colocação numa família de acolhimento de curta duração. Isso atende às necessidades imediatas da criança, enquanto se busca uma solução de longo prazo. A primeira opção da Casa Viva é sempre reintegrar as crianças em suas famílias biológicas, com o apoio adequado. Mas quando isso não é possível ou seguro, eles procuram uma colocação permanente através da adoção. Se nenhuma família estiver disposta a adotar, eles organizam uma família de acolhimento de curto ou longo prazo. 

A parceria com a igreja local é central no trabalho da Casa Viva. Eles descobriram que as igrejas se inspiram com a ideia bíblica de mostrar hospitalidade aos necessitados. As igrejas são responsáveis pelo recrutamento de famílias de acolhimento, apoiando‑as depois da colocação das crianças. Os profissionais da Casa Viva realizam levantamentos para garantir que a colocação seja adequada e ajudam a preparar e acompanhar a família. 

Divulgação da mensagem 

Mudar a mentalidade das pessoas pode ser um grande desafio. A Casa Viva agora oferece treinamento para igrejas, organizações e governos de outros países da América Latina. Philip e Jill respondem a pedidos de informações sobre seus cursos de treinamento, os quais estão disponíveis em inglês e espanhol.

IDEIAS SOBRE COMO USAR ESTE ARTIGO

Em grupo, discutam se as famílias de acolhimento são comuns na região onde vocês moram. As pessoas da sua igreja ou comunidade considerariam a possibilidade de oferecer acolhimento a órfãos e crianças vulneráveis? Em caso afirmativo, com quem vocês precisam estabelecer contato para iniciar o processo?

Com nossos agradecimentos a Philip e Jill Aspegren. Este artigo foi compilado usando Replicable models for transition to family-based care (Modelos replicáveis de transição para o acolhimento familiar) da CAFO. Consulte www.cafo.org/resource/replicable-models-for-transition-to-family-based-care 

Site: www.casaviva.org
E-mail: cafecito@casaviva.org


Rosa's artwork
estudo de caso

“uma família para mim?”

Quando a mãe e a avó de Rosa* morreram, não havia mais ninguém para cuidar dela. Assim, ela foi levada para um orfanato do governo, onde parecia que passaria o resto de sua infância. 

Um ano depois, um casal chamado Stefano e Marielos ouviu a história de Rosa. Eles tinham sido treinados pela Casa Viva e estavam dispostos a lhe oferecer um lar por longo prazo. 

Um assistente social do governo deu a notícia a Rosa. A princípio, ela ficou tão surpresa que não conseguia falar. Por fim, ela disse: “Uma família para mim? Para mim, quando já estou tão velha?”. Crianças de onze anos de idade em sua situação têm pouca chance de, algum dia, viver com uma família. 

No primeiro dia de Rosa com sua nova família, ela encontrou uma caixa de materiais artísticos. Ela passou algum tempo brincando com sua nova “irmã” e expressando seus sentimentos através da arte. 

Naquela noite, quando Stefano e Marielos foram para a cama, encontraram o trabalho de arte de Rosa (acima) enfiado debaixo dos lençóis. Ela havia desenhado uma árvore genealógica, dando-se a si mesma um lugar na nova família. Ela pertencia à família.

*Os nomes foram mudados.