Administração da vida selvagem

Um estudo de caso da Zâmbia

Após muitos anos de tentativas, através de uma campanha cara para a imposição da lei, para se lidar com a matança ilegal de animais selvagens, a Zâmbia percebeu que nenhum progresso estava sendo feito. A matança ilegal continuou no mesmo nível e em algumas áreas o nível até mesmo cresceu.

Esta situação fez com que os Parques Nacionais e o Serviço de Proteção aos Animais Selvagens da Zâmbia realizassem estudos para se descobrir as causas reais da matança ilegal. Eles descobriram quatro fatores importantes que influenciam o nível de matança ilegal de animais. Estes fatores podem ser de grande interesse para outros grupos que trabalham com conservação da vida selvagem e com reservas naturais.

1. Suprimento de alimentos

Em vilarejos com bom suprimento de alimentos – particularmente carne e peixes – há menos caçadores tradicionais e menos abatimento ilegal de animais.

  • Incentive a produção de fontes alternativas de proteína – por exemplo: feijão, amendoim ou a produção de peixe. Caçadores de vilarejos poderiam receber uma quota de certos animais para caçar a cada ano – na condição de que a carne é então colocada à disposição da comunidade. Desta forma, espécies em perigo de extinção serão protegidas.

2. Empregos

Há uma necessidade crescente de empregos nas zonas rurais. Se não houver nenhum emprego, os moradores dos vilarejos desesperados por dinheiro se envolverão na venda de carne e de outros produtos animais – seja isto legal ou não. A necessidade das pessoas por dinheiro deve ser respeitada e vista como genuína.

  • Residentes locais devem ser treinados e empregados. Estas pessoas treinadas têm mais conhecimento, são mais dedicados e custam menos do que funcionários públicos do governo. Isto resulta em um aumento na compreensão e apreciação dos recursos da vida selvagem.
  • Incentive projetos pequenos de produção de recursos que dependam do uso de produtos sustentáveis da vida selvagem. Como os residentes passam a depender destes projetos, o apoio deles à conservação dos recursos irá aumentar.
  • Incentive a realização de reuniões nos vilarejos onde os moradores locais possam partilhar as suas opiniões sobre o manejo destes recursos.

3. Liderança tradicional

Tradicionalmente, chefes e líderes tomam decisões quanto ao uso e propriedade da terra. A perda destas responsabilidades para o governo levou-se a uma má proteção da vida selvagem.

  • Incentive a liderança tradicional local a trabalhar em parceria com os oficiais do governo para lidar com questões ligadas à conservação da vida selvagem. Os líderes de vilarejos devem ter seu respeito e autoridade restaurados em assuntos como estes. Eles podem então lidar eficazmente com os problemas e receber maior respeito do seu povo.

4. Aumento de rendimentos

A área deve poder fazer um bom rendimento da administração dos recursos da fauna e flora selvagens. Os rendimentos devem ser usados para aumentar a oferta de empregos locais, desenvolver fontes alternativas de alimentos e incentivar a administração local dos recursos.

Precisa-se de tempo para que estas mudanças sejam implementadas. As pessoas locais talvez a princípio não queiram cooperar devido ao mau tratamento recebido anteriormente por oficiais do governo e de proteção da vida selvagem. Paciência e persistência serão necessárias para se criar amizades. Os benefícios destas idéias devem alcançar a maioria dos moradores. Do contrário, os moradores dos vilarejos que se sentirem prejudicados podem causar problemas.

Uma vez que se alcance sucesso, as boas notícias se alastrarão rapidamente. Isto certamente ocorreu na Zâmbia. Uma vez mais, programas tiveram sucesso e outras comunidades quiseram também participar.

Adaptado de um artigo na revista no 13 da Forest, Trees and People, baseado em um relatório de D M Lewis, A Mwenga e G B Kawache: African Solutions to Wildlife Problems in Africa.