Ibtida

Um programa comunitário de reabilitação de drogas: um projeto da Diocese de Karachi, Igreja do Paquistão.

O número oficial de dependentes de heroína no Paquistão era de 1,5 milhões em 1994. 80% da heroína nos países ocidentais passam pelo Paquistão, sendo a cidade de Karachi o principal porto de saída. O ópio, a partir do qual a heroína é feita, é cultivado ao longo da fronteira afegã (o crescente dourado). Em Karachi, cerca de um em cada seis homens adultos usa heroína. Apesar de serem ilegais, as drogas são baratas e em muitas partes da cidade são usadas abertamente nas ruas. Parte do problema é a falta de propósito na vida entre tantos homens jovens. Ociosidade e frustração faz com que muitos se voltem para a heroína.

Os governos de outros países estão ajudando com programas para introduzir culturas alternativas. As agências judiciais tentam impedir a distribuição. No entanto, os altos lucros tornam o seu trabalho muito difícil. A desintoxicação hospitalar é fornecida a drogados de maneira limitada mas há pouco acompanhamento e um alto nível de desistências.

O Ibtida tem trabalhado com drogados desde 1984. Em Urdu, ibtida significa começo. O programa ajuda pessoas de todos os credos a deixarem as drogas, crendo que a melhor maneira de se abster de drogas é através de uma vida transformada. Os setores público e privado colocam ênfase em fornecer serviços de desintoxicação. O Ibtida fornece uma nova abordagem à dependência de drogas enfatizando um tratamento com base na comunidade e uma resposta espiritual à mensagem de arrependimento que é dada. ‘Temos visto que cada vez mais drogados respondem à nossa mensagem para se arrependerem do pecado de usar drogas, sejam eles cristãos, muçulmanos ou hindus’, diz Philip Simpson. ‘Oramos em nome de Jesus e as pessoas reconhecem o poder do Seu nome, seja qual for a sua fé.’

Muitos dos que abandonaram as drogas através do Ibtida dizem que a oração é mais poderosa do que a medicina. ‘Sabemos que a maioria dos drogados vão deixar de usar drogas por um curto período e depois começarão novamente. Desejamos trabalhar com as pessoas até que elas estejam firmes em sua nova vida.’

A maioria das pessoas abandonaram a heroína em casa. Deve haver três pessoas envolvidas no processo traumático inicial de desabituação...

Aquele que deseja – o drogado em si, que deve querer sair das drogas.

Aquele que observa – um membro da família do drogado, que esteja preparado para estar com ele 24 horas do dia.

Aquele que ajuda – um funcionário ou voluntário que tenha saído das drogas, que saiba sobre a dor e os sentimentos envolvidos, por ter feito a mesma jornada.

Mas como todos os drogados sabem, a tarefa não é completada apenas abandonando a heroína. Uma nova vida deve ser formada onde não haja lugar para as drogas. Há cinco aspectos do programa Ibtida:

Libertação Os drogados são visitados em suas comunidades para se identificarem aqueles que querem seriamente abandonar o hábito. A desabituação da droga é geralmente feita em casa e sem o uso de medicação. O Ibtida também promove acampamentos de desabituação de três em três meses.

Disciplina Os drogados são incentivados a participar em reuniões de acompanhamento regulares durante três meses, onde recebem apoio espiritual e social. Há uma reunião mensal de senhoras para os parentes de sexo feminino dos drogados para apoiá-las e incentivá-las. As pessoas são motivadas a estabelecer alvos e planejar o uso do tempo. Celebramos quando uma pessoa completa um ‘aniversário’ sem o uso de drogas, dando pequenos presentes – ao fim de um mês, três meses, seis meses e um ano. Uma nova idéia tem sido o Grupo Intensivo de Recuperação de 90 dias, realizando-se em um centro diurno de atendimento.

Discipulado As pessoas são colocadas em grupos peuqenos ou ‘células’ para aprenderem e compartilharem da Bíblia e de uns dos outros e para aconselhamento pessoal. Mais tarde eles são incentivados a acompanhar o pessoal de campo em visitas domiciliares. Isto é  importante pois eles aprendem de suas experiências - uns treinam os outros. O testemunho de alguém que acabou de sair das drogas é muito importante também. Os drogados pensam: ‘Se ele pode, eu também posso.’

Disseminação Informações sobre tratamento de drogas são compartilhadas em palestras com vários grupos e na produção de folhetos, manuais e em uma revista em Urdu – Payyam–e-Ibtida-  que podem ser adquiridos a um baixo custo pelo nosso centro de recursos.

Desenvolvimento Uma rede de contactos - DAWN Drug Addiction Workers Network está se desenvolvendo com outros grupos no Paquistão para o apoio mútuo e encorajamento. Há um acampamento de treinamento uma vez por ano para drogados e para voluntários.

Além dos acampamentos, o trabalho do Ibtida é todo feito na comunidade. Ao contrário de centros residenciais, eles podem distribuir seus recursos entre um grande número de pessoas pois assim quando um drogado está pronto para responder positivamente, eles já possuem algum envolvimento com o projeto.

Desde o começo, o Ibtida estabeleceu contacto com milhares de drogados. Em 1993 o programa trabalhou com cerca de 750 pessoas. Destes, 250 deixaram de usar heroína, cerca de 100 pessoas abandonaram todo tipo de drogas e mais de 50 pessoas tinham estado fora das drogas entre seis meses e nove anos. Nossa esperança para o futuro é ver:

  • Um projeto em todas as dioceses
  • Uma pessoas trabalhando em cada paróquia
  • Um professor em cada escola, conscientizando sobre o uso de drogas

Apesar do Ibtida ser um grupo pequeno enfrentando problemas enormes, eles são optimistas. Temos um ditado em Urdu que diz: ‘Diye se diya jelao’ – ‘Uma lâmpada acende a outra’.

Philip e Rachel Simpson são missionários da CMS que trabalham com o Ibtida durante nove anos. IBTIDA, PO Box 10433, Karachi, 75530, Paquistão.