Cartas

O trabalho de um animador.     

Vejo um processo real começar quando as pessoas aprendem a assumir suas próprias reponsabilidades. Comece sempre com pessoas em primeiro lugar. Ajude-as a compreender as questões completamente. Normalmente, um começo vagaroso significa um final melhor. Visitar e conversar com as pessoas leva bastante tempo - pode haver pouco tempo para trabalhar no escritório!

As pessoas podem precisar de visitar outras áreas e aprender sobre as escolhas que fizeram. Elas precisam tomar decisões por si própias – e não vê-las feitas por especialistas.

Nós recentemente conseguimos financiamento para um projeto de saneamento por exemplo, em uma das nossas áreas. Ajudamos alguns residentes da povoação a visitar outros poços artesianos e poços rasos que foram perfurados no distrito. Os especialistas apresentaram todas as opções às pessoas. A opção era principalmente entre três poços artesianos que lhes poderiam ser oferecidos ou 20 poços rasos perfurados manualmente que precisariam do apoio da comunidade. O treinamento necessário para construir e reparar os poços seria fornecido. As pessoas demoraram algum tempo para tomar uma decisão e decidir como usar o dinheiro disponível. Eles decidiram ajudar na perfuração dos poços rasos. Agora há orgulho quando as pessoas dizem aos seus filhos: 'meus tijolos revestiram este poço'. Agora, a comunidade tem a experiência necessária para transmitir a seus filhos.

As comunidades que discutem em conjunto e abertamente podem fazer um progresso real. O mesmo se aplica às famílias. Famílias que discutem juntas - e oram juntas – permanecem juntas.

Francis Gonhasa, Zonal Coordinator – Church of Uganda, PRD Dept PO Box 4, Mukono, Uganda

Consumindo menos madeira

Gostei de ler o seu artigo sobre sustentabilidade ambiental na Passo a Passo 20 . muitos dos problemas mencionados estão relacionados com desflorestamento. Apesar de ser importante pensar sobre a plantação de nossas árvores, precisamos também pensar como consumir menos madeira.

No Uganda, as pessoas cozinham tradicionalmente sobre três pedras. Apesar de ser fácil de usar, este sistema consome muita madeira. Uma maneira de se usar menos madeira é construir um fogareiro simples ao redor das três pedras, coloque sua vasilha de cozinhar sobre as pedras. Coloque um pouco de água sobre as pedras, a vasilha e o chão ao redor. Faça uma mistura de barro e esterco de vaca e construa uma parede ao redor das pedras até o topo da vasilha. A parede deve ter uma espessura de 8-10 cm com um espaço de aproximadamente 3 cm entre a vasilha e a parede de barro, para permitir que o ar chegue ao fogo adequadamente.

Deixe o barro secar até se firmar mas não endurecer e então faça uma porta por onde se pode colocar a lenha, usando-se uma faca molhada. A porta deve ter entre 10 cm de largura e 15 cm de altura. Após o fogareiro secar, você pode alisá-lo para cobrir qualquer fenda. E então, estará pronto para uso.

Você perceberá a redução no uso de madeira – mais ou menos metade do que antes. Isto é bom para as árvores, para o ambiente e para as mulheres e crianças que não precisam de passar tanto tempo apanhando lenha. Dentro de um mês após se ter construído o fogareiro, todas as famílias em nossa aldeia estavam usando um!

Alistair Seaman, 43 Weavers Way, Tillicoultry, Scotland, FK13 6BD, Reino Unido

Idéias sobre reciclagem de lixo

Recentemente tomei conhecimento da Passo a Passo e achei muito interessante seu propósito de estimular novas idéias e encorajar pessoas a trabalharem com suas comunidades.

No ano passado organizamos um seminário que reuniu líderes de vários projetos ligados à Visão Mundial para discutir sobre a propriedade da terra em nosso meio ambiente. Tivemos o apoio da prefeitura e dos funcionários da universidade local. Um dos funcionários tem grande preocupação com questões sociais e apoiou um 'fórum comunitário', para obter um grande depósito onde pessoas pobres possam coletar e organizar vários tipo de lixo para reciclagem.

Gostaria de receber a Passo a Passo pois nos ajudará em nossas discussões com os líderes comunitários sobre questões ambientais. Estamos lidando com muitas perguntas ligadas ao nosso meio ambiente – reciclagem de lixo, hortas comunitárias, canalização de riachos que passam pelas vilas, a falta de coleta de lixo em muitos lugares, etc. Se qualquer leitor da Passo a Passo puder nos ajudar com idéias ligadas a estes assuntos, ficaríamos agradecidos se nos contactassem no endereço abaixo:

Léa Beray Andrade, ACMG – Visão Mundial, Caixa Postal 848, 30.161-970 Belo Horizonte, MG – Brasil

EDITORA A montagem de hortas em telhados e zonas urbanas e o uso de minhocas na reciclagem de lixo são idéias que serão debatidas nas próximas edições.

Cuidando da terra

Sou um refugiado da Somália, vivendo em um campo de refugiados em Mombasa. Nesta terra, o que mais importa para a humanidade é a saúde do planeta, sem a qual não podemos sobreviver. No entanto, tragédias ambientais estão acontecendo em muitas partes do mundo. Freqüentemente vemos nos jornais os problemas de produtos químicos perigosos, lixo, falta de esgotos e muitos outros. Grupos ambientalistas freqüentemente colocam pressão nos cientistas e os advertem sobre o que está acontecendo. Empresas que exploram nosso planeta com políticas suicidas deveriam ser proibidas de funcionar, pelos ministros e câmaras municipais.

Quem sabe o que teria acontecido à nossa terra hoje se não fosse pelos esforços dos grupos ambientalistas que cuidam do nosso mundo? Neste campo, os refugiados construíram uma chaminé para queimar todo o lixo do campo – estamos fazendo aqui o que podemos.

Siad Hussein Sh Mohamed, PO Box 98588, Mombasa, Quênia

Benefícios em treinamento agrícola

Concepcion Alvarez é um agricultor de 68 anos de idade da comunidade Ojo de Agua em Honduras. Ele tem nove filhos. Ele começou a trabalhar em agricultura independentemente quando tinha 22 anos, desejando ter controle de sua própria vida com a ajuda de Deus. Ele teve alguns bons resultados, mais pela graça de Deus do que por suas capacidades agrícolas. Sua maneira de trabalhar na lavoura era muito tradicional, incluindo a queima de todos os talos e o plantio com vara. Não tinha como aprender novas idéias e técnicas.

Ele foi o primeiro agricultor a tentar plantar sésamo (gergelim) na região. Mas logo sua terra começou a perder sua fertilidade. Por muitos anos ele passou por dificuldades com uma moradia inadequada e pouco dinheiro, incapaz de melhorar sua situação.

Ele continua a história: ‘Em 1988 o grupo DIACONIA Nacional foi estabelecido e começou a ensinar novas técnicas agrícolas que melhoraram a condição de minha família. Algumas das técnicas foram sobre controle de pragas, adubos verdes, uso de materiais orgânicos, cultivo mínimo do solo, plantio de sésamo (gergelim), milho e mandioca. Estas novas idéias produziram mudanças em minha vida, as quais todos puderam ver. Graças ao cultivo de gergelim, nossa situação econômica melhorou consideravelmente. Temos agora uma casa grande com piso de cimento e paredes de alvenaria e também uma loja.

Agradeço especialmente a Deus, pois ele me deu a oportunidade de começar este processo que rapidamente mudou a minha vida. Eu incentivo a todos que estão envolvidos em atividades semelhantes a continuar, pois elas contribuem para o desenvolvimento dos agricultores e pois de todo o país.

Mauricio R Orellana, DIACONIA Nacional, CONSEDE, Apdo 4339, Tegucigalpa, Honduras

Seja Observador!

As pessoa que trabalham em desenvolvimento comunitário e animadores não precisam de trabalhar no escuro. Precisam de acesso a fontes de informação que possam ajudar a responder às necessidades de suas comunidades, bem como melhorar sua conscientização política, social e cultural. O clima político pode incentivar ou prejudicar o trabalho de desenvolvimento comunitário. Na região do Sahel, novos desenvolvimentos em tecnologia e na ciência ajudaram estações de pesquisa a recuperarem áreas desérticas. No entanto, a política não permite que os resultados deste interessante trabalho sejam transferidos para as povoações.

Os agricultores usaram o método do farro nesta região durante muitas gerações. Por causa disto, no final de um período longo de seca, o solo é preparado e os agricultores semeiam a semente de painço (milho miúdo), esperando que germine quando as chuvas chegarem. Temos agora muitos anos de seca e freqüentemente as sementes apodrecem e uma nova sementeira tem de ser feita. Este método tradicional atualmente não funciona com freqüência devido à mudanças climáticas. Os cientistas sabem agora que uma certa humidade é necessária para as sementes germinarem. Mas apesar de termos uma estação meteorológica em nossa área, eles nunca transmitem informações essenciais aos agricultores para que eles saibam o melhor tempo para o cultivo do painço. Uma vez mais, as políticas impedem que informações úteis sejam prestadas.

Diz-se que os agricultores no meio rural não estão dispostos a mudar. Pelo contrário, vejo que há uma grande necessidade de se treinar agricultores que estejam abertos à idéias e técnicas novas e canalizar os resultados de trabalhos de pesquisa através deles. Eles precisam de preencher a lacuna entre os agricultores e as estações de pesquisa. Precisamos de agricultores treinados em considerar o que é útil para os agricultores em suas comunidades e fornecer-lhes condições para passar esta informação adiante.

Nohoune Leye, PO Box 10, Khombole, República do Senegal

Um capacho forte!

Aqui está uma boa idéia vista na porta de um hotel pequeno em Gulu, Uganda. Junte tampinhas de garrafas de refrigerante. Pregue-as de baixo para cima em uma tábua forte de madeira, o mais junto possível. O resultado é um capacho forte e eficiente para manter o barro do lado de fora!