Editorial

Começamos a planejar esta edição com o tema ’como armazenar a colheita’, mas achamos que seria importante ampliar o assunto, abordando o temo da segurança alimentar, o qual levanta muitas questões adicionais. Uma definição útil sobre o que é a segurança alimentar foi feita por von Braun (1992): ’Acesso por parte de todas as pessoas, a todo momento, aos alimentos necessitados por elas para levarem uma vida saudável e produtiva’. Hoje em dia, sabe-se que mais de 800 milhões de pessoas no mundo passam fome, cerca de 190 milhões de crianças estão abaixo do peso normal, 230 milhões são raquíticas e 2 bilhões de pessoas estão em risco devido às deficiências nutricionais – rapidamente se torna claro que uma proporção enorme da população mundial não desfruta de segurança alimentar.

Três quartos das pessoas que enfrentam a insegurança alimentar vivem nas zonas rurais. Os Drs Mukherjee enfatizam a situação dos moradores de um povoado tribal na Índia que, sem dúvida, são semelhantes àqueles que vivem em regiões rurais de outras partes do mundo. Da África, recebemos algumas diretrizes para bancos de cereais e idéias sobre como realizar encontros para discutir a segurança alimentar local. Da América do Sul, Miges Baumann apresenta a sua preocupação sobre o rápido desaparecimento de variedades tradicionais de cultivos.

Freqüentemente, os homens são tradicionalmente responsáveis pelos principais celeiros da família, enquanto as mulheres coordenam o abastecimento alimentar diário. As mulheres preocupam- se diariamente com a possibilidade de não conseguirem prover alimentos adequados a partir dos suprimentos disponíveis. As mulheres são mais propensas a gastarem qualquer renda obtida para atender as necessidades imediatas da família do que os homens. Consideramos a armazenagem de cereais e a conservação de alimentos, dando algumas idéias práticas e simples.

A segurança alimentar é uma questão freqüentemente discutida a nível governamental ou em inúmeras conferências internacionais. No entanto, acreditamos que é mais provável que se alcance a segurança alimentar quando os alimentos são localmente produzidos, processados, armazenados e distribuídos. Há muitos outros tópicos que poderíamos ter incluído, mas esperamos ter fornecido idéias úteis suficientes para que você comece a pensar neste tema. Gostaríamos de incentivá-lo a seguir as idéias de Pukuta Mwanza e formar grupos de discussão ou encontros no seu povoado ou comunidade urbana para discutir as questões locais de segurança alimentar.

Isabel Carter