Cartas

Agricultura urbana

Os agricultores comerciantes da região de Borna, no sul do Zaire, não são muito fortes economicamente. O nosso grupo usou as lições da INADES e percebemos que precisamos de promover-nos de uma forma mais positiva para melhorarmos a nossa situação. Precisamos melhorar a nossa produção de vegetais mas também vemos outras áreas importantes:

  • Nós não preservamos os nossos produtos para vendê-los no tempo certo, quando os preços estão altos.
  • Nós não temos instalações para armazenagem.
  • Nós não temos conhecimentos sobre técnicas apropriadas de preservação.
  • Alguns membros precisam urgentemente de dinheiro e não podem armazenar os seus cultivos.

Nós não temos condições de vender os nossos vegetais por um bom preço porque:

  • Nós não temos nenhum controle sobre os preços.
  • Nós não estamos bem organizados.
  • Há competição com os vegetais importados, tais como a cebola.
  • Nós não temos transporte.

Nós vemos a necessidade de nos organizarmos em grupos com objectivos claros, de confiarmos nos outros membros e termos metas comuns. A partir daí, poderemos trabalhar juntos para comprar ferramentas, construir instalações para armazenagem, melhorar as vendas e o transporte. Nós gostaríamos de entrar em contato com outros grupos que possam compartilhar experiências conosco.

Gédéon Mbenza Panzu, AMIP, BP 23, Kalamu, Boma 2, Zaire.

Produção de biogás

Poucas pessoas aqui na nossa comunidade rural estão conscientes sobre os estragos ambientais que são causados pelo constante derribar das árvores. As poucas pessoas que plantam árvores, plantam eucaliptos, que não são bons para a fertilidade do solo. Este desmatamento está causando a extinção de plantas medicinais e a falta de lenha para cozinhar.

O nosso pequeno grupo está construindo viveiros de árvores e incentivando a sua plantação. Alguém pode nos ajudar com informações sobre a produção de escala baixa de biogás para ajudar a reduzir o número de árvores que estão sendo cortadas?

Ngah Edward, Citex Farmers, G H S Kumbo, PO Box NSO – NWP, República dos Camarões.

EDITORA Freqüentemente as pessoas estão conscientes sobre os estragos ambientais causados pela remoção das árvores. No entanto, elas podem ser forçadas a fazer isto por precisarem vender madeira ou carvão para conseguirem dinheiro.

Planeamento familiar – uma questão para o governo ou para Deus?

EU VISITEI RECENTEMENTE a minha casa de campo no oeste do Quênia, onde conversei com várias pessoas sobre questões ligadas ao planeamento familiar. Aqui, muitas famílias têm dez filhos ou mais. Para muitos cristãos, esta parece ser uma questão controversa. Alguns culpam o Estado por não atender as necessidades do seu povo devido ao mau uso dos recursos. Alguns reclamam que quantias enormes de dinheiro são gastas em educação sexual e preservativos, os quais podem incentivar o sexo entre as pessoas jovens.

Em Gênesis 1:28, lemos sobre como Deus disse ao Homem para que fosse fértil e aumentasse em número, enchesse e dominasse a terra. Para Deus, as crianças são uma benção. Ele as conhece antes de nascerem (Jeremias 1:15). Mas através da sabedoria e do conhecimento que Ele nos deu, sabemos que hoje em dia a terra está toda ocupada! Se rejeitarmos este facto, também ignoraremos o futuro das nossas crianças (Oséias 4:6). A pergunta é a seguinte: As crianças de rua, a falta de terras, a fome, o uso de drogas e os crimes violentos estão aumentando devido a população excessiva? Nós estamos tolamente esperando que Deus apague o versículo de Gênesis enquanto estamos sendo destruídos pela nossa falta de conhecimentos e compreensão?

Hezron Sande, PO Box 60954, Nairobi, Quênia. 

Cogumelos

Há vários anos atrás eu me interessei em cultivar cogumelos. Eu obtive um manual mas o meu interesse logo diminuiu quando descobri que teria que aprender sobre a acidez do solo, a temperatura, a esterilidade do ambiente de crescimento e dos pequenos cogumelos.

No entanto, o meu interesse foi renovado recentemente. Um amigo daqui descobriu que a palha do arroz é muito boa para condicionar o solo e por isto ele mistura cerca de 10 cm de palha de arroz na sua horta. No ano passado ele obteve uma recompensa inesperada – uma colheita maravilhosa de cogumelos, mais do que ele e os amigos podiam comer durante um ou dois meses.

O povo Idoma, que vive na região, conhece os cogumelos, que são chamados de Ifu Ap’Ochi Kapa – o que significa cogumelo de palha de arroz – porque eles perceberam há muito tempo que os cogumelos aparecem onde o arroz é debulhado nos campos e as cascas e palhas são deixadas.

Assim, se você cultiva arroz ou vive próximo a um moinho de arroz, talvez você também possa incentivar o cultivo de cogumelos sem preocupar-se com procedimentos complicados. Faça primeiro uma cerca para manter os animais do lado de fora.

Padre Vincent O’Brien, Ogobia, PO Box 13, Otukpo, Benue State, Nigeria.

EDITORA Você provavelmente descobrirá que ao deixar alguns cogumelos maduros no solo, eles ajudarão os outros cogumelos a crescerem pois liberam sementes para dentro do solo.

Velas de cera de abelha

Eu sou um pastor que trabalha na região dos povos Fula. Aqui se produz muito mel e cera. Nós tentamos fazer velas com cera de abelha mas elas não ficaram boas. Alguém poderia ajudar com idéias sobre como fazer velas e outros produtos com a cera de abelha?

Pastor Augusto Gomes, Guiné-Bissau.

EDITORA Favor enviar as suas respostas para a Editora para que possamos compartilhá-las com outros leitores.

Cidades africanas

Infelizmente, há muitas crianças de rua na África. No meu país, o Mali, elas freqüentemente engraxam sapatos, vendem coisas aos transeuntes e motoristas ou servem como guias para os seus pais, quando estes são cegos. A sociedade culpa-os e considera-os os menores entre os menores. A cidade deveria reservar-lhes um lugar especial, oferecer-lhes lugares de recreação e um sistema educacional de apoio, onde elas seriam valorizadas e ajudadas a desenvolver o seu papel na sociedade. Em resumo, elas deveriam ter lugares onde pudessem realizar os seus sonhos, assim como as outras crianças da idade delas.

A nossa revista, Villes d’Afrique (Cidades Africanas), começou ao percebermos que pouco se pensa sobre as cidades de África. Apesar de todas as ineficiências e a falta de energia, acreditamos na dinâmica que está presente em todos os lugares de África. Nós desejamos contribuir para as discussões colectivas sobre as cidades. Esperamos formar uma rede de pessoas que vivem em cidades africanas com diferentes habilidades. Por isto, pegue a sua caneta e escreva se você desejar ser parte desta rede!

M LY Hassimiyou, Editor – Villes D’Afrique, 5 Avenue Rose Dalaunay, 92330 Sceaux, França.

EDITORA A revista Villes d’Afrique só está disponível em francês.