Objetivo 5 Melhorar a saúde materna

Um dos alvos deste objetivo é reduzir em três quartos o número de mulheres que morrem durante o parto. A cada ano, mais de 50 milhões de mulheres dão à luz sem ajuda.

Ajudar as mulheres em trabalho de parto

A cada ano, quase 600.000 mulheres, no mundo, morrem como resultado de complicações, que podem ser prevenidas, durante a gravidez ou o parto. 99% destas mulheres vivem no Sul.

As causas mais comuns das mortes são:

  • 25% hemorragia (sangramento excessivo)
  • 15% infecção
  • 13% abortos arriscados
  • 12% eclâmpsia (uma doença perigosa no final da gravidez, com pressão alta e convulsões)
  • 8% parto obstruído.

As mães jovens, com menos de 20 anos de idade, têm cinco vezes mais chances de morrer durante o parto. Dois milhões de meninas passam por algum tipo de mutilação genital feminina a cada ano, o que aumenta consideravelmente a probabilidade de infecção e complicações durante o parto.

Além das mulheres que morrem, há também as milhares que acabam com lesões ou inférteis após o parto. O trabalho de parto longo e difícil pode resultar em fístula obstétrica. Se a cabeça do bebê pressionar a bexiga e o reto por muitas horas, eles podem se rasgar. Assim, depois do parto, a mulher vaza urina e, às vezes, fezes. Desta forma, elas têm de enfrentar uma vida de vergonha, sendo freqüentemente rejeitadas pela família e não conseguindo se livrar do cheiro de urina ou fezes. Na África, a MaterCare calcula que haja dois milhões de mulheres precisando de cirurgia para reparar fístulas obstétricas, mas há poucos hospitais e centros de saúde capazes de oferecê-la.

Parteiras tradicionais

As Parteiras Tradicionais (PTs) podem ser treinadas para apoiar as mães em trabalho de parto e reduzir as infecções. Ensiná-las a lavar as mãos, limpar as superfícies e cortar o cordão umbilical com uma lâmina nova (ou com uma faca ou tesoura fervida por 20 minutos antes de serem usadas) reduz consideravelmente o risco de infecção. As PTs também podem ser ensinadas a reconhecer as mulheres que provavelmente precisarão de cuidados médicos adicionais e encaminhar os partos difíceis para o hospital.

Entretanto, uma pesquisa feita no Paquistão (pela Health-Pakistan) mostrou que o impacto das PTs provavelmente só salvaria 3% das mulheres que morrem durante o parto. Muito mais vidas poderiam ser salvas, se as mulheres tivessem um bom acesso aos cuidados de emergência e à assistência médica, no caso de complicações no parto.

Uma pesquisa recente mostrou que as seguintes são as formas mais eficazes de reduzir o número de mortes resultantes do parto:

Melhor educação para as meninas As meninas que terminam a escola primária têm muito mais probabilidades de terem menos filhos e darem à luz mais tarde na vida. Elas também têm muito mais probabilidades de procurar cuidados prénatais e ter bebês saudáveis.

Parteiras treinadas As PTs oferecem um bom apoio para as mulheres que têm partos sem complicações e reduzem a probabilidade de infecção. Entretanto, as parteiras treinadas, capazes de ajudar, se o parto for complicado, são muito mais importantes no que diz respeito a salvar vidas.

Cuidados médicos de emergência Os partos difíceis precisam ser encaminhados rapidamente para um centro de saúde ou hospital devidamente equipado, para salvar a vida das mães e dos bebês.

Outras idéias para alcançar o Objetivo 5

  • Programas de nutrição comunitária para gestantes, que incluam suplementos de zinco e vitamina A.
  • Treinamento para PTs e parteiras comunitárias.
  • Conscientizar as pessoas sobre os riscos da mutilação genital feminina.
  • Assegurar que as meninas concluam o ensino primário.
  • Lobby para que haja cirurgia disponível para as mulheres que sofrem de fístula obstétrica.

Progresso do Objetivo 5 

Até agora, houve pouco progresso em direção a este objetivo.


Agindo na nossa comunidade

Faça uma dramatização de papéis de uma jovem mãe dando à luz o seu primeiro filho.

Primeiro, mostre os amigos e os familiares entusiasmados. Algumas mulheres e a PT chegam para ajudar a mãe. As horas passam…

O parto obviamente não está indo bem, e a mãe precisa de ajuda de emergência (disponível a oito km de distância, num centro de saúde). O pai e os mais velhos encontram-se à noite para conversar sobre onde encontrar transporte. Finalmente eles telefonam para um parente numa cidade vizinha, que vai procurar um caminhão e trazê-lo. Depois eles conversam sobre como encontrar o dinheiro necessário. Duas pessoas vão procurar parentes para pedir dinheiro emprestado. Enquanto isto, as mulheres estão cada vez mais preocupadas.

Ao meio dia do dia seguinte, o caminhão chega, e eles conseguem dinheiro emprestado, mas a mulher está completamente exausta por causa do longo trabalho de parto. Ela morre, quando eles ainda estão se preparando para locomovê-la. Todo o mundo pergunta: “Por que levou tanto tempo para encontrar transporte e dinheiro?”

Termine a dramatização de papéis com as pessoas entrando em acordo quanto a estabelecer um comitê de saúde comunitária, responsável por fornecer transporte de emergência (usando uma maca e voluntários) e administrar um pequeno fundo para poder ser emprestado às famílias de todas as mulheres em trabalho de parto.


Questões para discussão

  • Que acesso as mulheres da nossa comunidade têm aos cuidados de saúde de emergência?
  • Onde fica o hospital ou centro de saúde com funcionários médicos habilitados mais próximo?
  • Quanto custa para fazer um parto neste hospital ou centro de saúde?
  • Há alguma parteira ou médico disposto a vir à comunidade para auxiliar com partos difíceis?
  • Quanto custam os seus serviços?
  • Como a nossa comunidade poderia estabelecer um bom sistema para oferecer transporte de emergência às mulheres que tiverem problemas durante o trabalho de parto?
  • Seria possível estabelecer um fundo de emergência para emergências médicas? Como ele poderia ser bem administrado e restituído depois de ser usado?
  • As mães fazem o pré-natal, para que os partos arriscados possam ser reconhecidos já no início?