Saneamento e o HIV

Jennifer Organ

O HIV está afetando comunidades por todo o mundo, especialmente na África subsaariana. As pessoas que vivem com o HIV freqüentemente sofrem de diarréia e cansaço. A diarréia aumenta a necessidade de um uso facilitado e freqüente do banheiro, enquanto que a fraqueza diminui a mobilidade e o acesso às instalações sanitárias.

Muitas crianças ficaram órfãs por causa da AIDS, e, em áreas muito atingidas, as crianças, os idosos e os doentes, muitas vezes, têm de cuidar uns dos outros. Nestas situações, até mesmo cavar uma latrina de fossa simples não é considerada uma tarefa simples ou barata (veja o quadro à direita).

A inexistência e a não utilização de instalações sanitárias adequadas podem aumentar a propagação de muitas doenças. As pessoas que vivem com HIV têm um sistema imunológico enfraquecido, portanto, são mais vulneráveis à doença e, muitas vezes, têm um período de recuperação da doença mais longo. Muitas destas doenças são agravadas pelas condições precárias de água e saneamento e podem ser facilmente evitadas aumentando-se o acesso às instalações sanitárias e a uma higiene melhor.

Um estudo com comunidades afetadas pelo HIV foi realizado na Província de Copperbelt, na Zâmbia, no final da estação seca, em 2006. Foram entrevistadas pessoas que vivem com o HIV ou são afetadas por ele, para ver quais eram suas necessidades, dificuldades e capacidades em termos de acesso à água e ao saneamento.

As entrevistas mostraram que havia muitos problemas ligados ao saneamento:

Foto: Jennifer Organ
Foto: Jennifer Organ

Uso das latrinas Metade das pessoas que vivem com HIV disseram que tinham dificuldade para usar uma latrina de fossa. Muitas explicaram que, quando estão doentes e têm pouca força, acham difícil se agacharem. Uma mulher usa um balde dentro de casa, para ter o conforto de poder se sentar, e, depois, elimina os dejetos. Embora isto ajude, há um certo grau de desconforto e falta de dignidade. Há também o risco extra de diarréia para as outras pessoas que ajudam a esvaziar o balde, principalmente se não houver água e sabão ou cinzas para lavar as mãos depois. São necessárias orientações especiais sobre a higiene para as pessoas que vivem com HIV e as que cuidam delas quando estão doentes. Elas precisam saber como eliminar com segurança os dejetos que contêm fluídos corporais, como, por exemplo, usando desinfetante e luvas ou sacos de plástico.

Duas mulheres explicaram que não usavam as latrinas na estação das chuvas por medo de caírem dentro delas, pois as latrinas correm o risco de desabarem por causa da água das chuvas.

Custo da construção de latrinas Mesmo que uma família tenha a sua própria latrina, se ela desabar (o que acontece com freqüência na estação das chuvas), precisar ser concertada ou ficar cheia, a família pode ter dificuldade quando for necessário construir outra. Todos os entrevistados que possuíam latrinas básicas disseram que não teriam condições de construir outra latrina se fosse necessário. Mesmo que a família seja fisicamente capaz de cavar, ela pode não ter as ferramentas para construir uma nova latrina.

As famílias que não têm sua própria latrina disseram que não são capazes de construir a fossa por si mesmas ou pagar para que alguém o faça. Estas famílias freqüentemente têm de pedir permissão para usar a latrina de um vizinho ou simplesmente usar os arredores a céu aberto. Isto resulta na falta de dignidade, riscos para a saúde e um ambiente desagradável.

Uma versão completa do estudo HIV and water: working for positive solutions está disponível através da Action Against Hunger Reino Unido. E-mail: info@aahuk.org Site: http://www.aahuk.org/publications.htm


Falta de recursos

Elena tem 16 anos. Ela vive com os irmãos e as irmãs numa pequena comunidade nos arredores do centro da cidade de Kitwe. A latrina de fossa deles foi construída pelo pai de Elena, mas ela desabou depois que ele adoeceu, e eles agora usam o mato nos arredores como banheiro. Juntos, eles acham que poderiam construir uma latrina de fossa, porém a maior dificuldade é conseguir as ferramentas para isto. Com apenas uma pequena renda disponível para sustentar dez membros da família, uma simples tarefa torna-se quase irrealizável.


Questões para a discussão

  • Que problemas de saneamento afetam as pessoas que vivem com HIV ou são afetadas por ele na nossa região?
  • O que pode ser feito para ajudar as pessoas enfraquecidas por doenças ligadas ao HIV a terem um acesso mais fácil às latrinas?
  • Como seria possível ajudar as famílias afetadas pelo HIV a construírem latrinas, se elas mesmas não têm a força ou o dinheiro para construí-las?
  • De que maneira o estigma poderia dificultar o trabalho para solucionar as necessidades de saneamento das pessoas que vivem com HIV na nossa comunidade? O que pode ser feito em relação a isto?