O estigma causa muita vergonha e solidão. Richard Hanson/Tearfund
O estigma causa muita vergonha e solidão. Richard Hanson/Tearfund

ESTIGMA

No início, estigma significava uma marca de fato no corpo de uma pessoa, porém, a palavra agora é usada para descrever a maneira como marcamos uma pessoa como sendo diferente de nós.  

O estigma é um assunto difícil de discutir. Às vezes, somos cegos ao estigma à nossa volta e mesmo ao estigma dentro de nós mesmos. Às vezes, reconhecemos que o estigma existe, mas temos medo de conversar sobre ele, porque as outras pessoas nunca o fazem.

Mesmo quando somos capazes de conversar sobre o estigma e agir para preveni-lo, pode ser difícil. Quando falamos abertamente sobre o estigma, expomos crenças profundas que precisam mudar. Muitas pessoas acham isto desconfortável porque ameaça o seu senso de identidade.

O estigma causa discriminação, o que atrasa o desenvolvimento comunitário e mantém as pessoas na pobreza. Ao invés de comunidades alcançando juntas suas metas - como, por exemplo, disponibilizar a educação para todas as crianças – algumas pessoas podem ser deixadas de fora ou para trás.

Nesta edição, trazemos artigos de diferentes grupos estigmatizados, tais como pessoas com deficiências (O que significa ser surdo no Afeganistão), pessoas vivendo com HIV (O poder do estigma e o poder do amor) e ex-presidiários (Dando uma mão aos ex-presidiários). Muitas vezes, o estigma relacionado a um problema de saúde específico (como a fístula ou a lepra) evita que as pessoas procurem tratamento, o que pode causar sofrimento desnecessário e até mesmo a morte.

É um fato triste que os grupos religiosos sejam freqüentemente responsáveis por estigmatizar os outros. As igrejas excluem pessoas e justificam sua atitude citando a Bíblia. Ao invés de ajudarem as pessoas a cicatrizarem a vergonha causada pelo estigma, elas pioraram a situação. Por este motivo, incluímos dois estudos bíblicos, que transmitem uma mensagem diferente. O preconceito que leva ao estigma pode ser superado através do desenvolvimento de relações com as pessoas que são diferentes de nós – por exemplo, pessoas que possuem uma fé diferente (Construindo a paz entre grupos religiosos).

Examinamos especificamente maneiras de mudarmos as atitudes. O relato de histórias pessoais é uma forma excelente de fazer isto (Reconciliação – contando uma história diferente). Agradecemos a todos que compartilharam suas próprias experiências contribuindo para esta edição da Passo a Passo.

A Passo a Passo 87 será sobre o tópico das doenças não-transmissíveis – doenças que não podem ser contraídas ou propagadas.

Abaixo estão os artigos da edição 86 da Passo a Passo em html.

Para baixar uma versão pdf da edição 86 da Passo a Passo, clique aqui (695K).


  • Aconselhamento com misericórdia

    [Aconselhamento] Gladys K Mwiti e Al Dueck A doença mental é um problema que deve ser enfrentado diretamente, ao invés de negado, respondendo-se a ele com misericórdia, ao invés de punição. As pessoas com doenças mentais freqüentemente são desprezadas e tratadas como “loucas”. A recriminação vê as pessoas com doenças mentais como sem esperança. A misericórdia é o oposto da recriminação. Uma pessoa misericordiosa transmite simpatia, empatia, preocupação, bondade, consideração e ...

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  • Cartas

    Estigma no Brasil No Brasil, há um grande estigma em relação às pessoas que vêm do “interior” para viver na cidade grande. É muito pior para as pessoas que migram de qualquer parte do nordeste para o sudeste. O preconceito local e a ignorância criam um obstáculo para a mobilidade social e o sucesso de muitas pessoas capazes. Para sobreviver, as pessoas ficam quietas sobre as suas origens, tentando se camuflar no seu novo ambiente.

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  • Construindo a paz entre grupos religiosos

    [Desenvolvimento comunitário] Joe Campbell. O preconceito entre diferentes grupos é o início do que pode se transformar em séria divisão, conflito e, muitas vezes, violência. Ambos os lados se sentem mal compreendidos e isolados um pelo outro. Ambos se sentem mais à vontade entre a “sua própria gente”. Este é um solo fértil para que pessoas com pontos de vista radicais espalhem boatos e criem medo.

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  • Dando uma mão aos ex-presidiários

    [Defesa e promoção de direitos] Em alguns locais, o estigma e a discriminação tornam-se ainda piores devido a práticas oficiais que negam às pessoas seus direitos ou as excluem da sociedade. Aqui, uma organização do Quirguistão que possui um centro de reabilitação para ex-presidiários do sexo masculino conta como os está ajudando a se reintegrarem na sociedade.

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  • Estudo bíblico

    O que realmente sabemos? Reverendo Dr. Michael Beasley. Leia Lucas 8:42b-48. Como seres humanos, muitas vezes, sabemos menos sobre os outros do que imaginamos. Reflita sobre a história da mulher com hemorragia. O que as seguintes pessoas sabem sobre a situação descrita e o que elas não sabem?

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  • Fístula

    [Saúde] Compilado por Helen Gaw. Fístula obstétrica é um orifício no canal do parto que se desenvolve como resultado de um trabalho de parto longo ou obstruído. As mulheres com fístula não conseguem controlar o fluxo de urina e sofrem um vazamento contínuo, que pode causar mau cheiro. Seus bebês geralmente não sobrevivem ao trabalho de parto. Muitas vezes, elas são excluídas da família e da comunidade e desenvolvem outros problemas de saúde.

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  • O poder do estigma e o poder do amor

    [Desenvolvimento comunitário] Gracia Violeta Ross Quiroga Sendo filha de um pastor evangélico na Bolívia, revelar meu status de HIV era correr o risco de enfrentar a censura, o sentimento de culpa e a recriminação. 

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  • O que significa ser surdo no Afeganistão

    [Deficiência] Justin Power. A SERVE Afeganistão trabalha com grupos de afegãos estigmatizados há muitos anos. Assim como é comum por todo o mundo, a sociedade afegã tem idéias errôneas sobre as pessoas com deficiências. Para lidar com este estigma, a SERVE fornece informações corretas e mostra que as idéias da sociedade precisam mudar.

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  • Reconciliação – contando uma história diferente

    [Construção da paz] Philbert Kalisa cresceu no exílio, no Burundi, antes de fazer treinamento como líder de igreja. Desde a época do genocídio, quando muitas pessoas foram mortas num conflito entre duas tribos, os hutus e os tutsis, ele tinha a visão de levar a reconciliação ao país dos seus pais – Ruanda.

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  • Recursos

    Construindo a paz nas nossas comunidades Este livro ROOTS examina ferramentas para a construção da paz e o trabalho de transformação em conflitos. Ele traz estudos de casos de trabalho na área de paz e reconciliação nas comunidades e está disponível em inglês, francês, espanhol e português.

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