Fístula

Compilado por Helen Gaw.

Fístula obstétrica é um orifício no canal do parto que se desenvolve como resultado de um trabalho de parto longo ou obstruído. As mulheres com fístula não conseguem controlar o fluxo de urina e sofrem um vazamento contínuo, que pode causar mau cheiro. Seus bebês geralmente não sobrevivem ao trabalho de parto. Muitas vezes, elas são excluídas da família e da comunidade e desenvolvem outros problemas de saúde.

A Organização Mundial da Saúde estima que dois milhões de mulheres vivam com fístula obstétrica não-tratada somente na Ásia e na África Subsaariana. Na Europa, na América do Norte e na América do Sul, as mulheres tinham maior probabilidade de desenvolver fístula antes da melhora do acesso aos cuidados de saúde.

Formas de prevenir a fístula obstétrica

  • prorrogar a idade da primeira gravidez da mulher
  • eliminar as práticas tradicionais prejudiciais (mutilação ou corte genital feminino)
  • obter assistência médica cedo no trabalho de parto

Mitos comuns sobre a fístula

Mitos comuns sobre a fístula

  • Você já ouviu alguma destas explicações para a fístula? O que você acha delas?
  • É importante lidar com estas crenças como parte dos cuidados para mulheres com fístula?

E as mulheres que não podem ser curadas?

Um pequeno número de mulheres não pode ser curado, mesmo após várias tentativas de cirurgia. O Hospital de Fístulas de Addis Ababa, na Etiópia, dá o exemplo de como cuidar destas mulheres. Desta Mender – que significa “aldeia da alegria” em amárico – é uma comunidade de mulheres que precisam de cuidados de longo prazo. Várias delas dependem de bolsas especiais, fornecidas pelo hospital, que recolhe suas excreções. Elas conseguem viver juntas em paz, sem medo do estigma. Elas podem aprender novas habilidades, e muitas se tornam prestadoras de cuidados e ajudantes dos enfermeiros no hospital. Na verdade, todas as ajudantes de enfermeiros são mulheres com fístula que precisam de cuidados de longo prazo: cerca de 100 delas.

Fístula traumática

A fístula obstétrica desenvolve-se quando a cabeça do bebê pressiona o canal do parto por muito tempo durante o trabalho de parto. Entretanto, um orifício no canal do parto também pode resultar de uma laceração direta causada por violência sexual. Há muitos casos de fístulas traumáticas em regiões destruídas pela guerra, onde o estupro é usado como uma arma ilegítima de guerra.

Uma mulher com uma fístula traumática pode precisar de incentivo especial para procurar ajuda. É provável que ela sofra estigma e vergonha. Ela pode ter muito medo, pois o seu problema de saúde é um lembrete constante do abuso que sofreu.

Porém, há esperança, porque, assim como a fístula obstétrica, a fístula traumática também pode ser curada com cirurgia.

Encontrando ajuda

  • Você sabe onde fica o hospital mais próximo para o tratamento de fístulas? Algum profissional da saúde local poderia lhe dizer?
  • Se o hospital mais próximo for longe, você poderia descobrir se algum funcionário médico com treinamento em fístula poderia vir até um local mais próximo? Você poderia entrar em contato com as autoridades de saúde local para pedir que sejam tomadas medidas?
  • O que pode ser feito para ajudar mulheres com fístulas a viajar e encontrar tratamento?

A história de Fatu 

Um livro de figuras contando a história de Fatu é usado pelas mulheres que trabalham com a Health Poverty Action como defensoras e promotoras de direitos em relação à fístula em Serra Leoa. Sem palavras, as figuras mostram como Fatu passou por um longo trabalho de parto antes de procurar assistência médica, o efeito que a fístula teve na sua vida, como ela encontrou a cura e como decidiu ajudar outras mulheres como ela. 

Assim como Fatu, as defensoras e promotoras de direitos são mulheres que viviam com fístula e fizeram correção cirúrgica. Uma simples cirurgia para corrigir o orifício pode curar até 90 por cento das mulheres com fístula, porém, em muitos locais, a cirurgia não está disponível. Assim, é ainda mais importante transmitir a mensagem da prevenção. As defensoras e promotoras de direitos usam a história de Fatu para conversar com pessoas nas suas comunidades sobre a fístula, conscientizando-as sobre como ela é causada, como preveni-la e como obter tratamento. 

Os livros de figuras são destinados a defensoras e promotoras de direitos que os carregam consigo para transmitir a mensagem como parte da sua vida diária. Elas usam os livros para iniciar debates em mercados, escolas, igrejas, mesquitas, encontros comunitários e até mesmo em transportes públicos. Elas também conversam com mulheres grávidas nos postos de saúde e em clínicas pré-natais para enfatizar a importância de procurar assistência médica no hospital no início do trabalho de parto, ao invés de esperar até que haja algum problema. 

As mulheres dizem que o relato da história de Fatu resultou: 

  • num maior conhecimento sobre as verdadeiras causas da fístula 
  • na dissipação dos mitos em torno da fístula nas suas comunidades 
  • em mais mulheres decidindo fazer o parto no hospital 
  • em menos mulheres desenvolvendo fístulas 



Crie o seu próprio livro de figuras 

  • Faça uma lista das coisas mais importantes que você quer transmitir. Esta lista deve incluir como a fístula é causada, onde obter tratamento e como preveni-la. 
  • Pense sobre uma história que mostre como uma mulher tem probabilidade de desenvolver uma fístula na sua região e adapte-a de forma a incluir as mensagens importantes. 
  • Faça uma lista das ilustrações de que você precisará para contar a história. 
  • Procure um bom ilustrador. Antes de concordar em contratar o ilustrador, peça-lhe para fazer algumas amostras de ilustrações para que você possa decidir se gosta ou não do estilo. 
  • Pense sobre como reproduzirá as ilustrações quando estiverem terminadas. Você pode:
    • contratar uma empresa de artes gráficas local
    • usar um scanner para criar uma versão digital e uma impressora para fazer tantas cópias quanto necessárias 

Se isto não for possível, considere a possibilidade de pedir ao ilustrador para fazer desenhos em preto e branco que possam ser xerocados ou facilmente copiados à mão. 


  • Teste a primeira versão do livro com um pequeno grupo de pessoas, mas que seja representativo. Pergunte-lhes como ele pode ser melhorado e peça ao ilustrador para fazer as alterações que o grupo recomendar antes de fazer muitas cópias.

Regina Bash-Taqi, Diretora Nacional, Health Poverty Action, Serra Leoa rbashtaqi@healthpovertyactionsl.org.uk