O que é tráfico humano?

No dia 30 de julho de 2014, as Nações Unidas realizaram o primeiro Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas para conscientizar as pessoas sobre um crime que afeta milhões de comunidades vulneráveis por todo o mundo. Tráfico humano é o transporte ou rapto de pessoas para fins de exploração, através de coação, fraude ou engano.

O tráfico está presente em quase todos os países do mundo. A maioria das vítimas é traficada perto de casa, em seu país ou região de origem, e seus exploradores são frequentemente conterrâneos. Os tipos de exploração podem variar, mas, em geral, as mulheres são mais afetadas do que os homens.

As vítimas do tráfico humano não consentem em ser exploradas, mesmo que, no início, elas talvez concordem em ir com os traficantes por acreditarem nas suas mentiras. Depois, porém, elas são mantidas contra sua vontade e exploradas. Os traficantes ganham dinheiro com suas vítimas através dessa exploração, que pode consistir em forçar as vítimas a trabalhar sem remuneração, fazê-las trabalhar em prostituição ou vender seus órgãos para fins lucrativos.

O tráfico está relacionado com outras atividades ilegais, como o contrabando de pessoas, em que pessoas que querem migrar ilegalmente para outro país pagam a um contrabandista pelo transporte para cruzar uma fronteira internacional. Ao chegarem ao seu destino, elas não são mantidas contra sua vontade, mas permanecem ilegalmente no país, sem documentos legais. Assim como no caso do tráfico, elas se tornam vulneráveis à exploração. Porém, se tiverem ido voluntariamente e estiverem livres para deixar os contrabandistas ao chegarem ao seu destino, isso não é considerado tráfico.

Em 2005, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estimou que a indústria do tráfico humano gerava US$ 32 bilhões por ano, provavelmente tendo aumentado desde então. Essa quantia equivale ao Produto Interno Bruto (PIB) total da Tanzânia.

Noventa por cento dos países possuem leis que criminalizam o tráfico humano, porém, essas leis frequentemente não são colocadas em prática, e o número de pessoas condenadas é muito pequeno. Em quarenta por cento dos países pesquisados pelas Nações Unidas em seu recente relatório sobre o tráfico humano, foram efetuadas menos de dez condenações por ano. A corrupção, a violência e o medo contribuem para essa injustiça.

A pobreza torna as pessoas vulneráveis ao tráfico humano. A falta de instrução e compreensão sobre a migração segura dificulta às pessoas reconhecerem as mentiras dos traficantes. Por falta de uma renda estável, as pessoas procuram oportunidades noutros lugares, mesmo que os riscos sejam altos. Os desastres naturais e as guerras desmembram as famílias e as redes que normalmente protegem as pessoas contra os traficantes.

Para eliminar o tráfico humano, é necessário que as comunidades, igrejas, organizações locais e governos trabalhem juntos para enfrentar as questões de pobreza e injustiça que causam esse problema global crescente.

Estatísticas do tráfico humano

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) publica seu Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas uma vez a cada dois anos. O relatório mais recente, publicado em novembro de 2014, está repleto de estatísticas e análises úteis e pode ser baixado gratuitamente no site da agência (www.unodc.org).

É difícil coletar dados sobre o tráfico humano, porque as vítimas frequentemente são ocultadas dos pesquisadores. As estatísticas abaixo são provenientes do Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas de 2014 do UNODC. Elas mostram que cerca de metade de todos os casos de tráfico humano detectados está ligada à exploração sexual, quase metade das vítimas são mulheres, e um terço dos casos são traficados dentro de fronteiras nacionais. Os dados do UNODC são reunidos a partir de estatísticas coletadas por governos nacionais. Algumas regiões não podem fornecer dados confiáveis, o que afeta as estatísticas globais gerais apresentadas nos gráficos abaixo.

Estatísticas do tráfico humano
Fonte das estatísticas: Elaboradas pelo UNODC com base em dados nacionais