Montagem de programas? Pense HIV!

As pessoas que vivem com o HIV têm um risco maior de contrair doenças diarreicas devido à água e ao saneamento inseguros. Foto: Richard Hanson/Tearfund
As pessoas que vivem com o HIV têm um risco maior de contrair doenças diarreicas devido à água e ao saneamento inseguros. Foto: Richard Hanson/Tearfund

por Shannon Thomson

A resposta ao HIV está mudando. Estamos passando de programas que lidam especificamente com o HIV para respostas que incluem o HIV, mas também abordam outras questões, o que algumas pessoas chamam de “integração do HIV”.

O que é integração?

Integração do HIV simplesmente significa pensarmos sobre o HIV em todas as nossas respostas de desenvolvimento. Significa vermos as pessoas que vivem com o HIV como um grupo único dentro de qualquer programa comunitário, seja ele de segurança alimentar, meios de sobrevivência, WASH (água, saneamento e higiene) ou de qualquer outro setor.

Integração significa compreender que as pessoas que vivem com o HIV têm outras necessidades além das necessidades do resto da comunidade, que podem não ser atendidas a menos que as abordemos especificamente. Integrando o HIV, não apenas melhoramos nossa resposta para as pessoas que vivem com o HIV, mas também evitamos prejudicar os resultados dos programas de desenvolvimento por termos ignorado esse grupo especial.

No final de 2014, mais de 36 milhões de pessoas no mundo viviam com o HIV. Na África Subsaariana, quase uma em cada vinte pessoas é soropositiva. Se você é um profissional de desenvolvimento que trabalha numa comunidade, é muito provável que esteja trabalhando com pessoas que vivem com o HIV.

Ideias práticas para a integração do HIV

Pense sobre estas sugestões de como integrar o HIV de forma mais significativa no seu trabalho.

1. Montagem do programa Você consultou grupos de pessoas que vivem com o HIV para compreender quaisquer necessidades específicas que elas possam ter dentro do programa?

2. Monitoramento e avaliação Você incluiu indicadores específicos ao HIV no seu quadro de monitoramento e avaliação? (Você encontrará exemplos de indicadores na página 27 do recurso Trócaire, na lista abaixo.)

3. Capacidade organizacional A sua organização possui uma política de HIV para o local de trabalho? Os seus funcionários foram treinados para compreender questões relacionadas com o HIV? Você tem acesso a suporte técnico adicional sobre o HIV, se precisar?

4. Inclusão Você considerou os grupos marginalizados? As pessoas que vivem com o HIV podem ser frequentemente marginalizadas em geral, mas também há grupos específicos de pessoas que vivem com o HIV afetadas pelo estigma de forma ainda pior. Esses grupos incluem os trabalhadores sexuais, usuários de drogas injetáveis, homens que fazem sexo com homens, trabalhadores migrantes e a comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros).

5. Necessidades básicas Como as pessoas estão atendendo às suas necessidades básicas (moradia, educação, cuidados de saúde e segurança alimentar)? As pessoas que vivem com o HIV têm alguma necessidade específica que frequentemente não seja atendida?

6. Compreensão da vulnerabilidade A comunidade com que você trabalha compreende o que torna uma pessoa vulnerável à infecção pelo HIV? Até que ponto as pessoas têm autoconfiança para abordar essas vulnerabilidades por si próprias?

7. Serviços de HIV Que serviços há disponíveis para as pessoas que vivem com o HIV? Como você pode desenvolver formas de encaminhar as pessoas a esses serviços?

Compreensão das questões

É importante que os profissionais de desenvolvimento tenham uma boa compreensão do HIV e das questões com ele relacionadas a fim de integrá-las efetivamente.

VOCÊ SABIA…?

  • Os adultos que vivem com o HIV precisam de dez por cento mais calorias do que as pessoas que não são soropositivas apenas para sustentar seu organismo enquanto estão fazendo a TARV.
  • O estigma do HIV pode ser forte o suficiente para afetar os meios de sobrevivência de uma pessoa. Em algumas comunidades, as pessoas recusam-se a comprar artigos no mercado de alguém que vive com o HIV.
  • Uma pessoa que vive com o HIV terá seis vezes mais chances de sofrer de doenças diarreicas, se não tiver acesso à água e saneamento seguro.
  • Em algumas regiões, as mulheres que sofrem violência de um parceiro íntimo têm 1,5 vez mais chance de contrair o HIV do que as mulheres que não sofrem violência por parte do parceiro.

Recursos para a integração do HIV

  • Acesse www.stopaids.org.uk para baixar folhas informativas sobre o HIV e WASH (água, saneamento e higiene), HIV e meios de sobrevivência e HIV e a violência contra as mulheres (clique em “Our work”, depois, em “Information exchange” e, então, em “Factsheets”). Disponível somente em inglês.
  • Acesse www.trocaire.org e digite “HIV mainstreaming” na caixa de pesquisa para baixar o HIV mainstreaming resource pack (Pacote de recursos para a integração do HIV) da Trócaire. Disponível somente em inglês.

Shannon Thomson é a Coordenadora de Projetos da Unidade de HIV da Tearfund.