Enfermeira verificando o batimento cardíaco de um bebê. Foto: Richard Hanson/Tearfund

Da: Saúde materna – Passo a Passo 91

Como ajudar famílias e comunidades a prestar apoio crucial às mulheres antes e durante o parto

Para diminuir a mortalidade materna nas áreas rurais do Afeganistão, assim como em muitas partes do mundo, é necessário enfrentar vários desafios:

Superar estes desafios requer uma abordagem de longo prazo, com melhorias na infraestrutura por parte do governo, tais como estradas e clínicas, acompanhadas de melhorias na educação feminina e na conscientização comunitária sobre questões relacionadas com as mulheres.

Treinamento e trabalho de defesa e promoção de direitos

A abordagem de desenvolvimento comunitário da International Assistance Mission usa uma combinação de treinamento e trabalho de defesa e promoção de direitos. A organização oferece aulas de alfabetização e BLiSS (sigla em inglês de Habilidades Básicas para Salvar Vidas), e, sempre que possível, o treinamento é administrado por instrutores locais. Um exemplo de defesa e promoção de direitos seria pedir às clínicas para fornecerem vacinas antitetânicas.

O curso BLiSS foi desenvolvido para o Afeganistão pela Operation Mercy para permitir que homens e mulheres sem instrução saibam o que fazer para se ajudarem durante a gravidez, o parto e após o parto. O curso concentra-se na importância de obter atendimento médico na hora certa e, através da aprendizagem participativa e da dramatização, lida com muitas crenças culturais prejudiciais tais como:

Crenças tradicionais


O curso BLiSS, que consiste em 17 aulas, incentiva as mulheres a falar sobre as suas tradições de parto e ideias e examina cuidadosamente as crenças culturais subjacentes.

As mulheres mostram uma grande dependência da fé, do sobrenatural e dos remédios caseiros, mas também estão começando a confiar na clínica local. O objetivo é dar valor às ideias das mulheres (e, consequentemente, às mulheres) escutando, ensinando e, então, tentando, juntamente com elas, encontrar a melhor prática através da combinação das crenças tradicionais saudáveis e das habilidades saudáveis de obstetrícia. As crenças e práticas prejudiciais são confrontadas gentilmente através de dramatizações, cartões com figuras e debates orientados que mostram por que, por exemplo, a higiene, a amamentação na primeira hora e manter uma mulher com hemorragia deitada e com as pernas elevadas são coisas que as mulheres podem fazer para se ajudarem mutuamente. 

E a crença tradicional?

Se for útil… use-a

Se não tiver efeito algum…ignore-a

Se for prejudicial…eduque contra ela

Comunicação com os homens

Um elemento importante da abordagem é o envolvimento dos homens. A Operation Mercy oferece treinamento para facilitadores do sexo masculino bem como para mulheres em cursos separados. Para os facilitadores afegãos do sexo masculino provenientes de áreas conservadoras, o curso BLiSS para homens pode ser a primeira vez na vida que eles usam um vocabulário relacionado com o parto!

Após o treinamento, os facilitadores do sexo masculino precisam adaptar o que aprenderam no curso ao seu contexto cultural – o que, às vezes, é o mais difícil. Por exemplo, em Kabul, é possível fazer dramatizações sendo que o papel da mulher durante o parto é desempenhado por um homem. Porém, nas áreas conservadoras, este funcionário seria expulso do povoado! Os contos frequentemente são uma alternativa aceitável.

Nas áreas conservadoras, os homens influentes, como os mulás e os anciões, precisam dar autorização para que os grupos de mulheres possam se encontrar. Se estes homens mudarem de comportamento após um curso BLiSS para homens – por exemplo, levando suas mulheres à clínica – outros homens seguirão o exemplo.

Algumas formas eficazes de comunicação com os homens são:

Não há mensagem mais poderosa sobre o valor da educação comunitária do que quando a vida de uma mulher e de seu filho é salva através do conhecimento e da ação coletiva de homens e mulheres.

A autora deste artigo trabalha com a International Assistance Mission (IAM) no Afeganistão.

Os cartões com figuras são úteis nos encontros de treinamento comunitário. Veja a página "Recursos" para obter mais informações sobre Home Based Life Saving Skills Large Picture Cards.

ESTUDO DE CASO

Zulaikha casou-se 10 anos atrás, com 15 anos de idade, e, logo em seguida, teve uma filha. Porém, depois disso, ela engravidou várias vezes e deu à luz bebês natimortos (bebês que nascem mortos).

Ela estava grávida novamente quando ouviu falar que um curso BLiSS estava iniciando no povoado para ajudar as mulheres a melhorarem suas chances de sobreviver à gravidez e ao parto e dar à luz bebês saudáveis. Naturalmente, ela ficou muito interessada e inscreveu-se no curso. Com os conhecimentos adquiridos no curso, ela e os vizinhos viram que ela seria fisicamente incapaz de dar à luz crianças vivas. Então, ela foi à clínica local para ver a parteira, que confirmou que esta era a provável causa dos seus problemas.

A família de Zulaikha concordou que, quando o trabalho de parto começasse, ela seria levada ao hospital da província imediatamente (cerca de duas horas de carro ou seis a oito horas de burro). Assim, ela foi levada para o hospital em segurança, e seu filho nasceu através de cesariana. Se não fosse pelo curso BLiSS, pelas conversas depois dele, que proporcionaram respostas a várias perguntas, e pelos maiores conhecimentos e conscientização dos vizinhos e da família, isto não teria acontecido.

Zulaikha é uma das várias mulheres que foram ajudadas ou salvas da morte por sua comunidade desde que o curso foi realizado.

Para obter informações sobre cesarianas, veja as páginas 8–9.

Um grupo de homens aprendendo sobre o parto seguro. O homem no centro da fotografia segura a “gudigak”. Foto: IAM

Um grupo de homens aprendendo sobre o parto seguro. O homem no centro da fotografia segura a “gudigak”. Foto: IAM

A boneca “gudigak” deitada sobre um plástico limpo e usada como material visual num treinamento sobre a saúde comunitária. Foto: IAM

A boneca “gudigak” deitada sobre um plástico limpo e usada como material visual num treinamento sobre a saúde comunitária. Foto: IAM

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