Proteção dos meios de vida contra os desastres

Passo a Passo 103 - Empreendedorismo

A Passo a Passo 103 está repleta de conselhos práticos sobre como gerir um negócio bem-sucedido.

Proteção dos meios de vida contra os desastres

por Bob Hansford 

Os desastres afetam quase todos os aspectos da vida, mas particularmente os meios de vida. Às vezes, os danos causados à capacidade das pessoas de ganhar uma renda é um problema maior do que os danos causados a uma casa ou ferimentos físicos. Se a renda dos sobreviventes puder ser restabelecida rapidamente, eles poderão atender às suas outras necessidades. Abaixo estão algumas dicas que as ONGs e os agentes comunitários podem dar às pessoas que vivem em áreas com risco de desastres.

After the earthquake in Nepal, Kopila set up a successful tailoring business. Photo: missionFACTORY Switzerland
Após o terremoto no Nepal, Kopila iniciou uma empresa de confecção de moda bem-sucedida. Foto: missionFACTORY Suíça

Um primeiro passo útil é identificar as ameaças mais comuns que afetam sua área, como, por exemplo, inundação, tufão, seca ou incêndio. Em segundo lugar, faça uma lista das diferentes maneiras como esses perigos podem prejudicar seu meio de vida. Em terceiro lugar, tente pensar em maneiras de reduzir esse impacto, ou medidas que você possa tomar para proteger os ativos (bens) e produtos do seu meio de vida. Aqui estão algumas ideias: 

  • Proteja os principais ativos. Em uma área propensa a inundações, procure armazenar as ferramentas, sementes e produtos para venda do seu meio de vida em um lugar alto em sua casa, embalados ou vedados em sacos plásticos, se possível. Alternativamente, vede os artigos duas vezes com plástico e armazene-os enterrados no solo. Encontre lugares seguros para os itens maiores, como barcos, onde eles possam ser amarrados de forma segura. 
  • Evacue a área. Mude seus animais para um terreno mais alto assim que houver um aviso de inundação ou ciclone. Evacue sua família também e tantos artigos relacionados com o seu meio de vida quanto puder carregar. 
  • Diversifique. Procure não ser totalmente dependente de apenas uma atividade geradora de renda ou de uma só cultura. Use parte da sua terra disponível para outra cultura para consumo ou venda, de preferência uma que cresça fora da estação de desastres. Comece empreendimentos novos, como criação de galinhas, patos ou outros animais pequenos; cultivo de legumes; ou uma atividade não agrícola, como serviços de cabeleireiro ou costura. 
  • Faça uma poupança. Quando a renda for boa, reserve um pouco de dinheiro toda semana em uma conta de poupança bancária ou em grupo. Este dinheiro crescerá gradualmente e poderá ser usado para comprar novos equipamentos, sementes, etc., se a família for atingida por um desastre. 
  • Pense em alternativas. Tente pensar o tempo todo sobre fontes alternativas de matérias-primas ou locais para vender seus produtos se as fontes ou locais de costume se tornarem indisponíveis. 
  • Ajuste as práticas agrícolas. Procure a orientação de especialistas sobre novas variedades de culturas e experimente cultivar as mais resistentes às ameaças, como a seca. (Algumas culturas resistentes à seca são o painço, o sorgo, a mandioca e o feijão-mungo.) Outra ideia é cultivar várias culturas no mesmo campo ou adotar métodos de agricultura de conservação. Os funcionários governamentais ou trabalhadores de ONGs poderão orientá-lo.  

Bob Hansford trabalhou como Assessor de Redução do Risco de Desastres da Tearfund. 

E-mail: bob.hansford27@gmail.com


Reiniciar um negócio após uma crise

por Dora Piscoi 

Quando atingidas por um desastre, as pessoas frequentemente precisam vender seus bens para atender às suas necessidades básicas, como alimentos e remédios. Elas não poderão reiniciar seus negócios a menos que essas demandas urgentes sejam atendidas. No entanto, elas também precisam recuperar suas principais formas de ganhar dinheiro para continuar sustentando suas famílias. 

Portanto, um primeiro passo importante é minimizar a necessidade das pessoas de vender os ativos físicos de que necessitam para sua renda (como gado ou equipamento agrícola) ou gastar o dinheiro de que precisam para investir em seus meios de vida. Se isso já tiver acontecido, auxiliar as famílias a atender às necessidades urgentes e adquirir novos ativos poderá ajudá-las a se recuperarem. 

Se a economia local permitir, uma das melhores maneiras de fazer isso é fornecer subsídios em dinheiro. Se as pessoas tiverem dinheiro, elas poderão decidir por si próprias como gastá-lo. Por exemplo, elas podem usá-lo para pagar seu aluguel e garantir que estarão seguras em sua casa antes de reinvestir em seus negócios. A flexibilidade e o poder de decisão proporcionam dignidade às pessoas.

Dora Piscoi é Assessora de Programas de Transferências de Dinheiro da Tearfund.

E-mail: dora.piscoi@tearfund.org 


Estudo de caso: Máquina de costura no nepal

 

por Rolf Gugelmann 

O momento não poderia ter sido pior. Uma semana antes do terremoto de 2015, no Nepal, Kopila Shresta e seu marido haviam se mudado de seu povoado para a capital, Katmandu. Ela havia feito o curso de costura e queria ganhar a vida na cidade. Quando o terremoto atingiu o país, ela perdeu todas as suas posses, inclusive sua preciosa máquina de costura. 

Kopila ficou desesperada. Apesar disso, ela começou a participar de um treinamento para pequenas empresas dirigido pela organização missionFACTORY Suíça. Os mentores da missionFACTORY ajudaram-na a pensar cuidadosamente sobre sua ideia de negócio de costura. Kopila não sabia ler nem escrever (além de seu primeiro nome e números), mas seu mentor ajudou-a a elaborar um plano de negócios por escrito. Com isso, ela conseguiu acessar o financiamento inicial, que ela usou para comprar duas novas máquinas de costura e outros equipamentos. 

Em agosto de 2016, antes do principal festival nepalês, Kopila iniciou seu próprio negócio de costura. No primeiro mês, ela obteve um lucro de 15 mil rúpias (cerca de US$ 145). No segundo mês, seu lucro aumentou para 20 mil rupias (cerca de US$ 194). Ela logo viu outra oportunidade comercial e começou a ensinar costura a outras mulheres. Isso lhe proporcionou uma renda extra. 

“Estou muito feliz e aliviada”, diz Kopila. “Este negócio permite-me viver uma vida independente. O treinamento ajudou-me a monitorar e controlar sistematicamente as finanças e a compreender a importância de um bom serviço ao cliente.” No entanto, o maior benefício para Kopila é o seu novo senso de autoestima. “Fiz algo por mim mesma”, diz ela.

Rolf Gugelmann trabalha como Gestor de Projetos na missionFACTORY Suíça.

Site: www.mf-ch.org (em alemão) 
E-mail: r.gugelmann@mf-int.org