Como fazer perguntas

Foto: Isabel Carter
Foto: Isabel Carter

Todos nós fazemos perguntas em nossas vidas diárias. O tipo de perguntas que fazemos pode, muitas vezes, fazer grande diferença para as informações que obtemos. Fazer o tipo errado de pergunta limita a informação recebida.

Há vários tipos de perguntas importantes:

  • perguntas fechadas que permitem que alguém responda apenas sim ou não
  • perguntas conducentes que tendem a fazer a pessoa responder de uma certa forma – geralmente sim ou não – e que podem limitar as informações recebidas
  • perguntas ambíguas que são vagas e confusas, de forma que a pessoa não consegue realmente entender o que está sendo perguntado
  • perguntas abertas que permitem que a pessoa que está respondendo dê mais informações
  • perguntas inquisitivas que procuram descobrir mais sobre o que está por detrás das respostas iniciais.

Não há uma só maneira correta de fazer perguntas. Depende do propósito da entrevista. Entretanto, geralmente são necessárias perguntas abertas e inquisitivas para se descobrirem informações úteis. Estas, muitas vezes, começam com um dos seis “ajudantes”:

O quê? Quando? Onde? Quem? Por quê? Como?

Um exercício de entrevista

Divida as pessoas em grupos de três e peça-lhes que escolham um para atuar como entrevistador, um como entrevistado e o outro como observador. Sugira alguns tópicos para as perguntas. Aqui estão algumas sugestões:

  • cuidados com a saúde de pessoas idosas na região
  • diferentes usos das árvores
  • a boa prática no armazenamento de suprimentos de água doméstica
  • onde obter informações sobre métodos de espaçamento entre os filhos
  • oportunidades de emprego na região
  • vacinação infantil.

Dê a cada grupo dez minutos para tentar descobrir tanto quanto possível sobre seu tópico. Explique que fazer boas perguntas é como descascar as camadas de uma cebola, até que o centro ou a razão sejam alcançados. Antes de começar, peça ao grupo para sugerir algumas perguntas inquisitivas boas. Se eles não tiverem nenhuma idéia, sugira algumas como “Mas por quê?”, “Por favor, você pode falar mais sobre isto?” ou “Mais alguma coisa?”.

Permita que cada grupo diga aos outros o que descobriu. Foram usadas perguntas conducentes? Que observações cada participante fez? Se dois grupos tiverem escolhido o mesmo tópico, deixe um falar depois do outro e compare o que descobriram. Eles acharam fácil fazer a entrevista?

Eles conseguiram manter um bom andamento da entrevista? Que erros as pessoas cometeram?

Erros comuns

  • não escutar cuidadosamente (ao invés disto, preparar-se para a próxima pergunta)
  • fazer perguntas fechadas ou conducentes demais
  • ajudar o entrevistado (freqüentemente respondendo as próprias perguntas)
  • fazer perguntas vagas ou ambíguas
  • não explorar as respostas das pessoas
  • não estar ciente de que já chegou às suas próprias conclusões
  • manter o entrevistado por tempo demais.

Os participantes podem querer repetir o exercício em grupo com um tópico diferente, para ver se suas técnicas de entrevista melhoraram.

Adaptado de “Improving listening and observation skills” em A Trainer’s Guide for Participatory Learning and Action, 1995, do International Institute for Environment and Development (IIED) E-mail: info@iied.org Website: www.iied.org

Exercício prático

Use este exercício para descobrir as diferenças entre várias perguntas. Primeiro decida que tipo de pergunta cada uma é abaixo. Discuta situações em que elas podem ser apropriadas e quando seriam inapropriadas. Depois sugira formas alternativas de se fazerem as mesma perguntas.

  • Como você obtém seu remédio?
  • O novo posto de saúde não é maravilhoso?
  • O que você acha da escola?
  • Você não deveria cobrir o seu recipiente de armazenamento de água?
  • O que você faz a maior parte do tempo como enfermeiro visitante local?
  • Você leva seus filhos para serem vacinados?
  • Você não preferiria cultivar variedades de batatas aperfeiçoadas?
  • É verdade que é difícil encontrar informações sobre o espaçamento entre os filhos?