Uma história de AIDS/SIDA bem sucedida

Mercedes Sayagues.

O Senegal é um país pobre. No entanto, o seu índice de HIV/VIH é um dos mais baixos dos países ao sul do Saara. Como resultado de uma ação antecipada, corajosa e aberta, o Senegal manteve um baixo índice de HIV/VIH de 1,4%. Com pouco auxílio estrangeiro para o trabalho com a AIDS/SIDA, por que os seus índices de HIV/VIH permaneceram baixos, quando eles sobem em todos os outros lugares?

Quando os primeiros seis casos de AIDS/SIDA apareceram em 1986, os cientistas e os médicos convenceram o Presidente Abdou Diouf a usar esta oportunidade, possivelmente a única, para conter a AIDS/SIDA. Assim, o Senegal tomou todas as providências possíveis para a prevenção. Os departamentos de saúde senegaleses agiram rapidamente para assegurar um suprimento de sangue seguro no país e dados de confiança sobre os índices de infecção e para iniciar programas para o controle e o tratamento de doenças sexualmente transmitidas.

Motivos dos baixos índices de HIV/VIH

  • Foi feito um trabalho de divulgação a todos os trabalhadores sexuais nos postos de saúde, com informações e preservativos gratuitos. Através de uma pesquisa nacional feita em 2001, foi visto que quase todos os trabalhadores sexuais usavam camisinhas (preservativos) com os clientes.
  • Foram formadas alianças com os líderes religiosos que trabalhavam com o governo para deter a AIDS/SIDA. Os líderes religiosos islâmicos concordaram em pregar a fidelidade e a abstinência, mas não se oporiam às campanhas para o uso de camisinhas (preservativos). Estas, por sua vez, seriam modestas e salientariam a sexualidade responsável.
  • A circuncisão masculina (quase universal) parece diminuir a infecção. A remoção do prepúcio antes da puberdade torna a pele exposta mais resistente aos danos ou à infecção durante o sexo.
  • O consumo de bebidas alcoólicas, no Senegal, é muito baixo, e os hábitos sexuais são conservativos.

O Senegal sabe que não pode depender de seus êxitos. O país agora está trabalhando para oferecer tratamento anti-retroviral para metade das pessoas que o necessitam. E há o desafio contínuo de não deixar que as novas gerações contraiam o HIV/VIH.

Mercedes Sayagues é uma jornalista sediada na África do Sul. Este é parte de um artigo mais longo, escrito para www.allafrica.com