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Foto: David Crooks/Tearfund

Da: Agricultura e a mudança climática – Passo a Passo 70

Como os agricultores de todo o mundo estão se adaptando às mudança climática

Conservação da água

Francisco Geraldo Neto vive com a família no povoado de Caiçara, no nordeste do Brasil. A família cultiva meio hectare de terra e ganha cerca de US $1.500 por ano, vendendo seus produtos nos mercados locais. A Diaconia (uma parceira da Tearfund) ajuda-os a evitar o uso de intermediários para obterem um preço melhor. Eles cultivam uma variedade surpreendente de cerca de 50 espécies diferentes de árvores frutíferas, legumes, cereais e plantas forrageiras na sua fazenda, assim como plantas tradicionais, as quais eles conservam.

Não foi fácil conseguir isto, pois eles começaram com solos pobres, danificados pelas práticas da queimada e da monocultura. Neto diz: “Eu ouço falar da mudança climática nos jornais, mas sinto os efeitos dela em mim mesmo e na minha lavoura. O sol está mais quente, a temperatura está mais alta, e o vento é mais seco. Eu ouço falar do efeito estufa, da desertificação e do ‘El Niño’. Eu não entendo estas coisas, mas os resultados são secas na Amazônia, inundações em outras partes do nordeste do Brasil e mais redemoinhos.”

Coletando água do riacho, à medida que o nível da água baixa. Foto: Jim Loring/Tearfund

Coletando água do riacho, à medida que o nível da água baixa. Foto: Jim Loring/Tearfund

Carregando a água para casa. Foto: Jim Loring/Tearfund

Carregando a água para casa. Foto: Jim Loring/Tearfund

Neto lembra-se de que, nos anos 80, havia um riacho passando pelas suas terras, que corria por quase todo o ano. Nos anos 90, o nível da água foi caindo gradualmente. Assim, três meses depois que a estação das chuvas terminava, o riacho secava. Para ajudar a resolver este problema, a família construiu uma represa em 1999. “A água da represa é usada para a irrigação e os animais. Agora, estamos irrigando muito mais do que cinco anos atrás, porque está mais quente e mais seco durante a metade do ano. Costumávamos irrigar uma vez por dia. Agora, são duas vezes, e, assim mesmo, as plantas secam. Estamos preocupados, pois podemos ficar sem água no futuro, com um clima tão inconstante agora.” 

Agricultura sustentável 

José Ivan Monteiro Lopes vive com os pais e a família na região de Pajeú, no estado de Pernambuco. Em 1998, houve uma seca na região, e a Diaconia estabeleceu um programa de assistência de emergência. O seu primeiro objetivo foi melhorar a capacidade de abastecimento de água das famílias. Eles criaram um esquema de alimento-por-trabalho, em que as famílias recebiam alimento em troca de trabalho, cavando poços e construindo tanques de água para coletar a água da chuva dos telhados. 

No ano seguinte, a família de Ivan foi escolhida, juntamente com cinco outras famílias, para participar de um programa de produção de alimento, usando irrigação em pequena escala. Uma das condições era que, ao invés das suas práticas habituais de queimadas e do uso de produtos químicos, as famílias deviam usar práticas que respeitassem o meio ambiente e a saúde das pessoas. Eles agora usam sistemas agrícolas sustentáveis, que provêem alimento suficiente e produtos adicionais para vender no mercado. 

Ivan acredita que o clima agora está “tão desequilibrado, que mesmo a experiência das pessoas mais idosas de prever a chuva já não funciona mais. Antigamente, nos anos com boa chuva, produzíamos milho e feijão somente com a água da chuva. Havia o suficiente para comermos e, às vezes, até para vender. Hoje, precisamos usar a irrigação para garantir o alimento para a família.” 

“Interpretação” da natureza 

José e Isaura Mendes vivem no estado de Pernambuco, numa região semi-desértica que sofre secas. Há perdas regulares de animais na sua fazenda devido à falta de forragem. 

A família ouve falar sobre a mudança climática no rádio. Eles estão muito preocupados com o derretimento do gelo na Antártica e os furacões e acreditam que estas mudanças são causadas pela falta de cuidado das pessoas com “as coisas da natureza”. Eles estão muito preocupados com o “aumento na temperatura”. 

José diz: “Os invernos são mais curtos, e as chuvas, mais irregulares. Antigamente, costumava começar a chover em outubro e a chuva continuava até julho todos os anos. O riacho local que passa pelo povoado ou tinha água superficial, ou as pessoas podiam coletá-la facilmente cavando um pequeno buraco. Agora, é muito mais difícil encontrar água ali. A derrubada das árvores nas margens do riacho e em outros lugares ao redor das nascentes piorou ainda mais a situação.” 

José usa a irrigação, mas suas plantas ainda sofrem com o calor. As flores dos cajuzeiros secam com o calor do sol e muitas das frutas murcham. Ele agora irriga as plantas várias vezes por mês para manter as árvores vivas. 

Ele tem alguma experiência em sinais naturais que indicam “anos de boa ou má chuva”. Geralmente, quando as flores das plantas tradicionais caem de forma irregular durante o período de florescimento, isto indica um período de pouca chuva. Quando elas florescem em abundância, e as flores permanecem no topo das árvores por muito tempo, é porque as chuvas serão regulares. “As pessoas mais idosas costumavam saber os períodos das estações das chuvas melhor, mas naquela época, era mais fácil prevê-las.” 

Estas entrevistas foram enviadas por Marcelino Lima, que trabalha com a Diaconia-PAAF, no Brasil. E-mail: marcelino@diaconia.org.br

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