Uma revolução verde no Paquistão

Passo a Passo 107 - Resíduos

A Passo a Passo 107 está repleta de conselhos práticos e histórias inspiradoras sobre como lidar com os resíduos em nossas comunidades.

Uma revolução verde no Paquistão

Rashid Hameed* tem 51 anos e vive em um dos 34 assentamentos informais de Islamabad, no Paquistão. Sua comunidade não possui um serviço de coleta de lixo, e o lixo é despejado e queimado a céu aberto.

Os “Guardas Ambientais” coletam o lixo doméstico e transportam-no para o CIRR em Islamabad. Foto: Hamid Ullah/AHKMT
Os “Guardas Ambientais” coletam o lixo doméstico e transportam-no para o CIRR em Islamabad. Foto: Hamid Ullah/AHKMT

Rashid explica: “Nossa favela está localizada à margem de um riacho, cheio de lixo sólido, e é um local de reprodução de mosquitos, moscas e ratos. Estes causam doenças em nossos filhos e idosos, e gastamos muito dinheiro com o tratamento. As pessoas que vivem fora da favela discriminam-nos por causa da sujeira do nosso ambiente”. 

A situação de Rashid pode parecer desoladora, mas uma área vizinha foi transformada através de um centro comunitário de reciclagem e gestão de resíduos.

centros de recuperação de recursos

Nessa comunidade próxima, a fundação Dr. Akhtar Hameed Khan Memorial Trust (AHKMT) introduziu uma abordagem transformadora para a gestão de resíduos em 2014. 

A AHKMT criou um Centro Integrado de Recuperação de Recursos (CIRR), que permite que 90% dos resíduos de uma comunidade sejam reciclados. Ele fornece um “ganho triplo” – cria empregos, melhora a saúde dos moradores e protege o meio ambiente contra queimadas e lixões. 

Nesse sistema, os trabalhadores remunerados coletam o lixo das residências locais seis dias por semana. Eles o levam para o centro e o separam, mantendo o lixo orgânico para produzir composto orgânico de alta qualidade, o qual, então, é vendido para viveiros de plantas. O plástico, o metal e outros materiais recicláveis secos são vendidos a um comprador local. Apenas cerca de 10% dos resíduos não podem ser reciclados ou transformados em composto e são descartados em um aterro municipal. 

O centro paga suas atividades com o dinheiro da venda dos materiais recicláveis e do composto, bem como da cobrança de uma pequena taxa de cada família pela coleta de lixo (aproximadamente 200 rupias paquistanesas por mês, ou US$ 2). A AHKMT forneceu os custos iniciais para o centro, mas, em seu terceiro ano, já conseguiu pagar seus próprios custos operacionais – e obter lucro. Atualmente, o CIRR atende a 1.670 domicílios e processa 1.000 toneladas de resíduos por ano.

empregos dignos

Ao iniciar um projeto como o CIRR, é importante não causar danos às pessoas que já trabalham informalmente como catadores de lixo. Ao invés disso, o centro procura empregar como funcionários os catadores locais existentes, proporcionando-lhes um emprego mais seguro e mais bem-remunerado. O centro chama seus coletores de lixo de “Guardas Ambientais” e fornece-lhes um uniforme de proteção, o que lhes confere dignidade e respeito na comunidade. 

Faraz Karim* tem 45 anos e trabalha no CIRR há três anos. Seu trabalho é separar resíduos orgânicos, recicláveis e rejeitados. Ele ganha 14.000 rúpias por mês (aproximadamente US$ 113) do CIRR e também recebe benefícios de saúde através da Previdência Social. 

Antes disso, ele trabalhava como empregado doméstico e ganhava muito menos. Ele diz: “Depois de entrar para o CIRR, minha vida mudou completamente. Minha situação financeira melhorou e aprendi práticas de saúde e higiene que melhoraram minha saúde e a saúde da minha família. Adquiri conhecimentos em gestão de resíduos sólidos, compostagem e reciclagem, o que é muito útil para mim e para minha comunidade. Estou feliz e satisfeito, pois estou desempenhando um papel produtivo na sociedade”.

ampliação

O modelo do CIRR foi usado pela primeira vez em Bangladesh, em 2007, pela ONG Waste Concern. Desde então, ele foi introduzido com sucesso em vários países do Leste Asiático. Os CIRR são uma boa solução quando o governo não tem capacidade de fornecer serviços de eliminação de resíduos. 

A organização parceira da Tearfund, Pak Mission Society (PMS), está adaptando o modelo do CIRR para atender às comunidades pobres. A PMS iniciou um CIRR no Paquistão em 2018 e planeja introduzir o modelo de forma muito mais ampla em 2019. 

*Os nomes foram alterados para proteger a identidade das pessoas.


Para saber mais sobre o trabalho da Tearfund com os CIRR no Paquistão, envie um e-mail para Richard Gower em richard.gower@tearfund.org