Da: Pressões sobre a familia – Passo a Passo 27

Um discussão sobre o crescimento populacional, o planejamento familiar e outros temas pertinentes

por Petra Röhr-Rouendaal.

‘Sinto-me como um pássaro que pode voar pela primeira vez!’ Isto é o que Brenda me disse depois de ter produzido os seus primeiros recursos visuais. Ela é uma enfermeira que trabalha no norte do Quênia com os povos nómades Samburu e Turkana. Ela viajou com os nómades nos últimos anos, vivendo em cabanas muito simples. O trabalho de Brenda é ensinar as pessoas sobre cuidados primários de saúde. Isto foi difícil pois poucas pessoas podiam ler e escrever e ela não tinha nenhum recurso visual. Recursos visuais de ensino sobre saúde podiam ser encontrados na capital, Nairobi, mas eles provavelmente não seriam culturalmente apropriados. Quando são usadas figuras para educação em uma comunidade analfabeta, é importante usar imagens com as quais as pessoas possam se identificar.

O poster sobre educação da AIDS/SIDA, por exemplo, mostrado na parte superior desta página, foi desenhado pelo Ministério da Saúde em Addis Ababa e podia ser encontrado em paredes por toda a parte da Etiópia. Quão relevante é este poster para as pessoas das zonas rurais onde não há nenhuma casa de dois andares, onde os homens não usam ternos (fatos)ou sapatos elegantes e não transportam pastas executivas? Não é surpreendente que a resposta das pessoas foi ‘A AIDS/SIDA é uma doença que só está presente nas cidades – ela não vai aparecer por aqui’.

Recursos visuais simples

Mais de 800 milhões de pessoas no mundo não podem ler ou escrever. Em comunidades onde as pessoas são analfabetas, as figuras podem se tornar instrumentos educacionais muito eficazes. Milhares de agentes de desenvolvimento em todo o mundo poderiam usar posters e outros recursos visuais. No entanto, há muita falta de recursos visuais simples sobre saúde e desenvolvimento. Os educadores tem que depender de posters casuais produzidos localmente ou que lhes são fornecidos pelo governo ou agência de assistência. Raramente há suficientes figuras educacionais simples para ajudar os agentes de desenvolvimento a transmitir informações vitais que poderiam melhorar as vidas das pessoas.

‘Health Images’ (Imagens de Saúde) foi iniciada há nove anos atrás em resposta a esta necessidade. Com sede no Reino Unido, ela se especializa em ajudar grupos em países mais necessitados a desenvolverem e produzirem os seus próprios recursos visuais que sejam relevantes localmente para ensinar sobre saúde, desenvolvimento e educação. Trabalhamos com pessoas a nível de base em muitos países diferentes, ajudando-os a identificarem os seus próprios problemas e a produzirem recursos visuais apropriados. Usamos uma abordagem parecida com a de Paulo Freire, o pai da alfabetização de adultos. Ele acreditava que a educação só é bem sucedida quando existe um diálogo verdadeiro com a comunidade e quando se ‘começa onde está o aprendiz’. Esta abordagem participativa é a essência de nosso trabalho. Ajudemos os membros de comunidades a produzirem recursos visuais para a comunidade local.

Considerando os problemas

O nosso papel como facilitadores é prover espaço e tempo para que as pessoas locais se juntem para discutir questões locais de saúde e desenvolvimento. Uma vez que eles tenham identificado os problemas, os ajudamos a pensar sobre as suas idéias na forma de diferentes recursos visuais. Se por acaso eles quiserem lembrar as pessoas para levarem os seus filhos para serem vacinados, um poster com uma mensagem pode ser apropriado. Se eles quiserem conversar sobre educação sobre a AIDS/SIDA, uma apresentação de marionetes pode ser uma boa maneira de comunicar este assunto sensível e possivelmente embaraçoso. Se o agente de desenvolvimento quiser descobrir o que as pessoas sabem sobre doenças transmitidas pela água, algo que inicie uma discussão pode ser o tipo correcto de recurso visual.

Historicamente, as figuras para comunicação na área de desenvolvimento têm sido usadas de maneira inferiorizadora. Mensagens eram dirigidas à audiência alvo sem dar oportunidade para que houvesse o seu envolvimento. Em muitas comunidades notamos que as pessoas viram posters com mensagens simples que as dizem que ‘O leite do peito é melhor’ ou ‘Use um preservativo para evitar a AIDS/SIDA,’ mas elas com frequência não sabem que há muitos outros tipos de recursos visuais tais como aqueles usados para iniciar discussões, cartões com figuras, jogos educacionais, marionetes e máscaras, histórias educativas em banda desenhada (gibis), estampas em camisetas ou figuras para flanelógrafos, todos os quais são muito participativos e incentivam discussões.

Além de participação

Ao longo dos anos percebemos cada vez mais que até mesmo esta abordagem participativa não ia muito longe. A palavra ‘participação’ dá a idéia que as pessoas participam, mas isto não as capacita a tomar as suas próprias decisões. Com frequência, aqueles que planeiam dizem ‘Precisamos capacitar as pessoas a fazerem isto ou aquilo’, mas a própria idéia de que você pode capacitar outra pessoa é uma contradição. A capacitação não pode ser dada ou ensinada. Ela só pode ser feita por elas mesmas.

Em nossos encontros de treinamento tentamos incentivar as pessoas a participarem em discussões animadas. Ajudamos as pessoas a se concentrarem nos assuntos de saúde e de desenvolvimento que elas acham importante em suas comunidades. Nós as incentivamos a tomarem as suas próprias decisões e a aumentarem a sua auto-confiança. Uma vez que isto é feito, introduzimos os diferentes tipos de recursos visuais e explicamos o aspecto técnico, especialmente quando envolve estampagem (silk screen). Também passamos bastante tempo testando os recursos visuais produzidos em todos os encontros de treinamento.

Geralmente as pessoas dizem quando entram em pânico ‘…mas eu não sei desenhar!’ É útil relembrá-las que um recurso visual não precisa ser uma obra de arte – ele tem apenas que passar a mensagem. Nós ensinamos técnicas básicas de desenho às pessoas se for isto o que elas querem. Nós também nos concentramos nos tipos de recursos visuais que podem ser produzidos facilmente ou em massa (como estampagem – silk screen).

Os encontros de treinamento podem abordar temas bem diferentes. Ao longo dos anos estes encontros abordaram cuidados primários de saúde, educação sobre a AIDS/SIDA, treinamento agrícola, campanhas de alfabetização, pecuária, higiene sanitária e o cuidado pelo meio ambiente. É maravilhoso trabalhar com pessoas que realmente se querem ajudar a si próprias.

‘Health Images’ realiza encontros de treinamento em países ao redor do mundo para todo o tipo de grupos. Eles brevemente estarão publicando um novo ‘Caderno de Instruções’ sobre como preparar recursos visuais. Contacto para informações adicionais:

Petra Röhr-Rouendaal, 73 Clarence Road,

Birmingham, B13 9UH, Reino Unido Bob Linney, Holly Tree Farm, Walpole, Halesworth, Suffolk, IP19 9AB, Reino Unido.

Conteúdo com tags semelhantes

Compartilhe este recurso

Se você achou este recurso útil, compartilhe-o com outros para que eles também possam se beneficiar