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Da: Acção e aprendizagem participativa – Passo a Passo 29

Como garantir que todos tenham a oportunidade de contribuir para as decisões locais

por Maclean Sosono.

Muitas pessoas continuam a ser infectadas pelo HIV apesar de todo o trabalho de educação sobre o HIV e AIDS/SIDA realizado por muitas organizações. (No entanto, no Uganda os casos não estão mais aumentando, o que mostra a eficácia da educação sobre a AIDS/SIDA naquele país). Fica claro que apesar da compreensão das pessoas ter aumentado, as mudanças de comportamento resultantes são bem mais demoradas. Sessões sobre AAP foram apresentadas na região de Lungwena, Mangochi, no Malawi, para se descobrir quanto as pessoas sabem sobre a AIDS/SIDA. Nas oito aldeias que visitamos, o lema que usamos foi ‘grandes ouvidos para escutar, grandes olhos para ver e uma boca pequena para falar’.

Foram feitas anotações sobre como usar AAP para ajudar os membros do grupo a recolherem informações sobre:

Mapeamento social

Os moradores da aldeia fizeram um mapa da aldeia no chão e identificaram as casas onde um ou ambos os pais faleceram e anotaram o número de órfãos que lá viviam. As pessoas consideraram as consequências do elevado número de órfãos e como enfrentar o problema.

Estrutura social

Os nossos membros perguntaram sobre os costumes quanto ao casamento. Eles descobriram a idade de casamento dos homens e mulheres, o número de parceiros sexuais e os costumes usados quando um marido ou esposa falece. Eles perguntaram sobre iniciação e descobriram com que frequência o equipamento usado para circuncisões era reesterilizado. Eles incentivaram as pessoas a fazerem um calendário com as suas actividades durante a noite e o dia. Eles perguntaram sobre os compradores de peixe e por quanto tempo eles ficavam à beira do lago, pois estas pessoas são conhecidas por oferecerem dinheiro em troca de sexo.

A resposta

Em pelo menos 20% dos exercícios de AAP nós não conseguimos participação suficiente de mulheres, crianças menores e, em alguns casos, homens.

A princípio, os moradores da aldeia pensaram que éramos especialistas com informações modernas. Eles pensaram que estávamos lá para lhes dizer o que fazer e que provavelmente desejaríamos que eles adoptassem costumes estranhos. Depois de algum tempo, a nossa amizade e o facto que nos sentávamos no chão juntos, os ajudou a perceber que estávamos lá para aprender e trabalhar em conjunto com eles.

Percebemos que as pessoas evitavam conversar sobre sexo e AIDS/SIDA porque eles relacionavam o sexo com alegria, fama, liberdade e fertilidade. Apesar deles perceberem que o comportamento sexual podia ser perigoso devido à AIDS/SIDA, eles geralmente negavam que as mortes eram causadas principalmente pela AIDS/ SIDA e pelo contrário, colocavam a culpa na chitega (uma doença que se acredita existir nesta região, transmitida a adultos através de feitiçaria e sexo). Isto acontecia apesar do aumento no número de pessoas doentes, mortes e órfãos.

Outras razões dadas foram que as mulheres eram culpadas por serem ‘fracas’ em termos morais, a falta de preservativos e os compradores de peixes. Alguns culparam o centro médico por não prover cuidados e apoio práctico suficientemente. Eles nos disseram que devido à pobreza, as pessoas continuavam o seu comportamento imoral apesar de poderem identificar os riscos.

Os resultados

A identificação das casas com órfãos trouxe problemas porque depois de nossas sessões, as pessoas pensaram que receberiam doações (razão pela qual talvez tenhamos tido números inflacionados). Várias ideias erradas foram corrigidas e os pontos mais importantes sobre a AIDS/SIDA foram compartilhados entre nós. No entanto, a integração social das pessoas infectadas com o HIV e seus familiares ainda continua a ser muito pequena.

Para o nosso centro de saúde, as sessões de AAP foram muito úteis porque actividades de conscientização sobre o HIV/AIDS/ SIDA para o público foram então realizadas. Cada aldeia escolheu um representante para ser treinado em aconselhamento sobre o HIV e AIDS/SIDA.

Maclean F M Sosono trabalha no Centro Médico de Lungwena, PO Box 230, Mangochi, Malawi.

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