A boa liderança cria grupos fortes. Geoff Crawford/Tearfund

Da: Liderança – Passo a Passo 84

Considera as perguntas “O que é um líder?” e “O que é a boa liderança?”

Um mentor permanece ao lado da pessoa e incentiva-a para que desenvolva uma visão para a futura mudança. Richard Hanson/Tearfund

Um mentor permanece ao lado da pessoa e incentiva-a para que desenvolva uma visão para a futura mudança. Richard Hanson/Tearfund

Nossas crenças moldam a maneira como achamos que a liderança deve ser e a maneira como lideramos. Por este motivo, os princípios da liderança geralmente são ensinados a partir do ponto de vista de uma fé em particular. Neste artigo, o Dr. Sam Thomas conta sobre a sua experiência no treinamento de líderes cristãos.. 

Trabalho com pequenos grupos de líderes em diferentes locais. Procuramos limitar o grupo em 25 pessoas. Ao longo dos anos, percebi que os “encontros individuais” são menos eficazes para produzir mudanças de longo prazo na vida das pessoas. Assim, visito o mesmo grupo em torno de três ou quatro vezes por ano. Em cada visita, passo uns três dias com eles, sendo que a última é dedicada à família. Durante estas visitas, aprendemos juntos através de um estilo didático interativo, com ênfase especial na vida prática.

Nas sessões, aprendemos os seguintes princípios:


O impacto que desejamos causar através desta aprendizagem é multiplicar os líderes servis com integridade e eficácia.

Estilo de ensino

A disposição da sala de aula visa acomodar pequenos grupos de cinco pessoas sentadas ao redor de uma mesa. Até mesmo a disposição surpreende muitos alunos, pois eles estão acostumados a se sentarem em fileiras, escutar o que lhes é ensinado e tomar notas. Também mudamos a disposição da sala de vez em quando, dependendo do conteúdo do que vai ser ensinado e do contexto. Freqüentemente fazemos dramatizações e esquetes cômicos e ouvimos histórias incríveis. Mostramos os ensinamentos através de diferentes tipos de mídia: materiais para escutar e assistir, recortes de jornais e assim por diante. Isto é muito criativo e transmite profundamente a mensagem.

A ênfase é toda colocada no aluno, não no professor. A aprendizagem para o impacto é a meta. A função do professor é facilitar a aprendizagem e avaliar o impacto em cada estágio. Os alunos vêem o professor como facilitador, não como um mestre.

A aprendizagem é totalmente baseada na Bíblia, mas não na forma de um estudo bíblico tradicional. Deixe-me dar um exemplo. Para ensinar a liderança servil, eu posso dar ao grupo uma breve introdução sobre liderança conforme a vemos à nossa volta hoje em dia. Na hora, eu posso estar vestido como um grande chefe, com alguém carregando a minha pasta e duas pessoas, uma de cada lado, com flores – é divertido! Eu posso fazer uma dramatização, o que faz com que as pessoas riam e as incentiva a pensar na necessidade de um tipo de liderança diferente. Em seguida, peço-lhes que desenhem figuras da atual liderança com a qual estão familiarizadas, mostrando algumas das suas preocupações. As pessoas usam muita imaginação e produzem figuras coloridas. Cada grupo apresenta suas constatações. No final da sessão, vejo que as pessoas foram afetadas emocionalmente. Então, peço-lhes que desenhem a figura de um líder, usando Filipenses 2:5-9, que descreve Jesus como um líder servil. Os grupos apresentam esta figura também. Ao examinarmos as duas séries de figuras lado a lado, peço-lhes que as comparem. Depois, eu apresento uma série de textos bíblicos, e, em grupos, eles conversam sobre o estilo de liderança encontrado em cada série. A resposta invariavelmente é “servos ou líderes-mordomos”.

Prestação de contas

A prestação de contas existe em diferentes níveis. O primeiro nível é dentro do grupo. Mudamos os grupos diariamente para que os participantes tenham a oportunidade de se reunirem com diferentes pessoas. Eles compartilham suas experiências em grupos.

O próximo nível de prestação de contas é que cada um deles terá de escolher seu próprio mentor pessoal e compartilhar o que aprendeu e as decisões que tomou. Os mentores exigem que eles prestem contas pelo período de aprendizagem. Todos eles devem ensinar o que aprenderam, de maneira que haja um efeito propagador desta aprendizagem.

Vulnerabilidade

Como líder, sou vulnerável perante o grupo. Noto que as pessoas lentamente percebem que podem retirar sua máscara. O estilo de ensino exige que elas falem dentro dos grupos, e elas começam a se dar conta de que estão entre pessoas que cometem erros, assim como elas. Isto cria abertura.

Creio que a vulnerabilidade é de importância primordial. As pessoas procuram imitar o líder. Se o líder se apresentar como a pessoa perfeita, as pessoas terão dificuldade e se fecharão. Jesus não tinha problema algum em dizer aos seus discípulos: “Meu coração está perturbado”. Um dos primeiros líderes cristãos, Paulo, mostra suas próprias dificuldades e admite não ser uma pessoa perfeita. É bom para as pessoas que nos seguem saber que passamos pela mesma dor, sofrimento e tentações que os outros. Precisamos ser pessoas com integridade, e a integridade exige que sejamos por dentro o mesmo que mostramos por fora. Creio que isto é vulnerabilidade. Vi na minha própria vida pessoal que a minha vulnerabilidade e a minha abertura com as pessoas as ajudaram mais do que todos os meus ensinamentos.

O que traz sucesso?


O que as pessoas disseram após o treinamento


O Dr. Sam Thomas trabalha como Consultor Sênior para a Development Associates International, na Índia.

The Development Associates Initiative
E 15, First Floor
Sector 40
Noida
Uttar Pradesh
Índia

E-mail: samthomas51@gmail.com

Site: www.daintl.org



Sobre o curso

O curso de treinamento aqui descrito concentra-se no discipulado, que significa seguir Jesus. Ele é essencial para o crescimento e a experiência de qualquer líder cristão. Mesmo os leitores que não compartilham a fé cristã encontrão princípios importantes e idéias práticas para o treinamento em liderança neste artigo, os quais podem ser aplicados a qualquer contexto.



Minha própria jornada

Tenho trabalhado com o ministério cristão há mais de 30 anos, e, há mais de duas décadas, tenho ouvido a expressão “concluir a tarefa”. Isto levanta a questão: qual é a tarefa? Meu maior chamado é para ser como Cristo – ser seu seguidor. Ministério não é o que fazemos: é quem somos. Ministério não é o que distribuímos, mas o que transborda da nossa vida como resultado da intimidade com Deus. Ministério não é o que fazemos por Deus, mas o que Deus faz na nossa vida e através dela. Precisamos ser motivados pelo amor, não pela obrigação. Para sermos bons líderes, devemos ser bons seguidores – é disso que se trata o programa de discipulado. Passei para o treinamento em liderança depois de deixar minha excelente carreira em cirurgia, em seu auge. Foi muito revigorante para mim – adoro o que estou fazendo.

Dr. Sam Thomas



Precisamos ser pessoas com integridade, e a integridade exige que sejamos por dentro o mesmo que mostramos por fora.


Aprendendo através da discussão. Sam Thomas/DAI

Aprendendo através da discussão. Sam Thomas/DAI

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