A boa liderança cria grupos fortes. Geoff Crawford/Tearfund

Da: Liderança – Passo a Passo 84

Considera as perguntas “O que é um líder?” e “O que é a boa liderança?”

Joyce Banda atribui o seu estilo de liderança empoderadora a algumas experiências difíceis e que serviram como lição de humildade nos seus primeiros anos na liderança da Associação Nacional de Mulheres de Negócios (sigla em inglês NABW), no Malaui.

Joyce fundou a NABW em 1990 para ajudar as mulheres malauianas a adquirirem autonomia econômica. Ela mesma havia passado por um casamento abusivo antes de começar o que se tornaria uma das maiores empresas manufatureiras de vestuário do país. Ela estava muito preocupada com o que estava acontecendo com as mulheres menos afortunadas e, então, resolveu convidar algumas colegas para formarem uma organização que agiria como um grupo de pressão para a autonomia das mulheres. 

Problemas iniciais

A NABW foi registrada e cresceu rapidamente. Em 1991, a associação contava com 2.500 membros. Porém, já havia problemas na base. Joyce conta que, “às vezes, as pessoas ficavam entusiasmadas, mas, quando não entendiam o que eu estava fazendo, elas desistiam. Elas iam embora. O impacto que eu estava causando era totalmente fraco. A mobilização era fraca. Isto porque a iniciativa era vista como se pertencesse a mim. Elas queriam que eu fosse a provedora”. As mulheres simplesmente esperavam que alguém lhes dissesse como fazer tudo. A meta de proporcionar autonomia estava longe da realidade de dependência contínua.

Conflito com o Conselho

Isto levou Joyce a combinar com o doador a realização de uma avaliação nacional de necessidades, a qual foi anunciada na rádio um pouco antes de uma reunião do Conselho da NABW. Joyce relata o que aconteceu a seguir: “Quando cheguei à reunião do Conselho, elas tinham ouvido o anúncio na rádio. Elas se recusaram a falar comigo. Então, eu perguntei: ‘O que está acontecendo?’, e elas responderam: ‘O que está acontecendo é que nós não sabemos o que você está fazendo. Não estamos interessadas em continuar trabalhando com você. Quem disse que precisamos de uma avaliação das necessidades?’ A reunião do Conselho não terminou bem. Fiquei chateada. Não pedi desculpas. Será que elas não entendiam que eu simplesmente estava fazendo o melhor que podia, tentando fazer desta organização um sucesso?”

Joyce foi para casa zangada. “Eu me sentia amarga e frustrada. Eu estava fazendo tudo que podia, mas o Conselho não estava grato. Ao sentar-me, pensei: ‘Eu tenho que ou desistir, ou mudar alguma coisa.’ Eu estava decidida a não desistir. A situação do meu próprio casamento anterior fazia-me pensar que devia haver outras mulheres que não tinham tanta sorte quanto eu, sendo espancadas e sem segurança econômica para se opor. Aquela noite, eu me perguntei: ‘O que vou fazer? Procuro outro Conselho ou será que eu mesma posso mudar? Será que eu posso baixar a cabeça e trabalhar com o mesmo comitê?’

Decidindo mudar

Ao refletir sobre a situação, Joyce reconheceu seu problema. Ela não tinha aberto mão do controle e não tinha compartilhado sua visão com as outras. Ela viu que o medo de perder o poder e o desejo de dominar a estavam limitando. O estilo de liderança autocrático com o qual ela estava acostumada havia resultado num Conselho alienado e em membros dependentes. Ela descreve a situação “como se eu tivesse acabado de despertar de um sono profundo e tivesse percebido, pela primeira vez, que não funcionaria se eu fizesse as coisas sozinha.”

Ela decidiu não realizar nenhuma atividade com a NABW até que o Conselho realizasse uma sessão de explosão de idéias para planejar o futuro. Em seguida, as coisas mudaram.

Alcançando a visão

Os resultados desta mudança pessoal foram impressionantes. O membro mais difícil do Conselho tornou-se sua maior colaboradora. “Depois que assimilou a visão, ela ficou mais entusiasmada do que eu”, disse Joyce. A NABW continuou crescendo. O mais importante foi que a vida das pessoas estava mudando na base. Mulheres com cicatrizes resultantes de surras contínuas disseram acerca de seus maridos: “Ele agora me trata como parceira. Ele me ouve, e tomamos as decisões juntos.” Joyce descreve como vê “a maior alegria no rosto das empresárias rurais quando elas sentem que o que fizeram é sua própria iniciativa”. Sete anos depois de iniciar a NABW, Joyce conseguiu tomar um passo raro para um líder fundador: ela retirou-se graciosamente e passou a liderança da NABW para uma nova diretora. A NABW agora possui 30.000 membros.

Rick James entrevistou Joyce para sua reportagem Leaders changing inside-out (“Líderes mudando de dentro para fora”). Joyce Banda agora é a Vice-Presidenta do Malaui.

Joyce Banda falando em 2010. Geoff Crawford

Joyce Banda falando em 2010. Geoff Crawford

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