Da: Quando um desastre ocorre – Passo a Passo 18

Como as igrejas e as comunidades podem se preparar para os desastres, inclusive treinamento em primeiros socorros

Oirmão Lal (este não é o seu nome verdadeiro) era provavelmente o melhor obreiro cristão em toda a região. Muito comprometido com o seu trabalho, sempre pregando e ensinando em vários vilarejos; uma pessoa de confiança.

Durante o período de fome, foi perguntado ao bispo se um membro de suas igrejas, que fosse de confiança, poderia ajudar na distribuição de alimentos e roupas aos necessitados. Foi uma decisão fácil de ser tomada. O irmão Lal tomaria conta do trabalho, certificando-se de que tudo seria feito da melhor maneira possível.

Depois de alguns meses o bispo começou a ouvir algumas más notícias. Os habitantes duma vila reclamaram por não terem recebido as roupas. Várias pessoas comentaram que o irmão Lal estava a ampliar a sua casa e que tinha comprado uma loja! Como poderia fazer isto com seu pequeno salário? Um fiscal de uma organização de ajuda verificou que alimentos enlatados, por eles doados, estavam à venda no mercado.

Na pista errada

Para encurtar a história, ao invés de servir a Deus, a prioridade do irmão Lal é agora trabalhar como o comerciante a tempo inteiro. O bispo se lamenta muito por ter perdido um ótimo obreiro que não pode ser substituído facilmente. Ele também se preocupa com o irmão Lal, a nível pessoal e espiritual.

O primeiro desastre (a fome) ajudou a produzir um segundo desastre (para a igreja e para o irmão Lal).

Tentações e pressões

Esta história serve para ilustrar um problema que está se tornando muito comum à medida que desastres e fomes se tornam cada vez mais frequentes. Agências de apoio em situações de desastres precisam de pessoas capazes e de confiança para supervisionar o trabalho de assistência. As igrejas ‘emprestam’ seus melhores obreiros mas por várias razões, alguns destes não passam pelo teste. Quais são as razões para isto?

Em primeiro lugar, as tentações e pressões são enormes. O obreiro mal pago de repente tem grandes recursos ao seu dispôr. Há também pressões dos ricos e poderosos que querem comprar os artigos que deveriam ser distribuídos gratuitamente. Eles ameaçam, subornam ou simplesmente persuadem o obreiro a dar-lhes o que eles querem.

Em segundo lugar, tais obreiros sabem de suas responsabilidades para com suas famílias. Os parentes pedem um extra. Como podem eles negligenciar os seus próprios parentes? A Bíblia não nos diz para mantermos as nossas próprias famílias?

Em terceiro lugar, os irmãos da igreja podem pedir um extra. Nós não deveríamos ajudar nossos irmãos e irmãs em Cristo?

Trabalhando com sabedoria

O peso destas e de outras pressões pode ser enorme e talvez demasiado para a maioria das pessoas suportarem sozinhas. Então o que pode ser feito para se evitar isto? Um ditado antigo diz que ‘O maior mal é a corrupção do bem’. Eu sugeriria que líderes de igrejas considerem o seguinte…

Preparando-se para o inesperado

Frequentemente a igreja é empurrada para o trabalho de assistência sem a oportunidade de se preparar para o trabalho – desastres geralmente acontecem de repente! Mas as pessoas podem ser treinadas na área administrativa, em como manter dados e cuidar da contabilidade, podem aprender como liderar reuniões, serem abertas e prestarem contas. É muito importante que a igreja e organizações de apoio invistam no desenvolvimento de pessoas. Isto pode ajudar a igreja e trabalhadores comunitários locais a se prepararem para situações inesperadas, além de ajudá-los a desempenhar suas funções normais do dia a dia duma melhor maneira. Mas tudo isto seria de pouco valor se não for sustentado por um ensinamento cristão sólido, por estudos bíblicos e oração, muito úteis para se desenvolver e fortalecer um caráter como o de Cristo.

O autor trabalhou em Uganda por muitos anos com a organização ‘Crosslinks’ (antiga BCMS).

E as mulheres?

‘As mulheres africanas tem uma melhor compreensão sobre economia do que os homens. No geral elas são pessoas de negócios muito melhores do que os homens! Então por que não colocar mulheres em posições de controle das finanças de igrejas e de projetos? Quando os homens aceitarem a idéia de haver mulheres tesoureiras, o problema de contabilidade mal feita e de consequentes fraudes seria resolvido!’

Comentário dum homem do Senegal numa conferência recente da RURCON no Senegal.

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