Da: Pressões sobre a familia – Passo a Passo 27

Um discussão sobre o crescimento populacional, o planejamento familiar e outros temas pertinentes

por Tim Chester.

Kala Devi mora com o seu marido e sete filhas em uma favela de Nova Delhi. Quando eu a encontrei, ela estava grávida novamente. Apesar do custo, ela tinha feito uma ecografia. Ao descobrir que o feto era um menino, a família tinha trazido doces para que todos celebrassem. Se tivesse sido uma menina, ela poderia ter tido um aborto.

Ao viajar de trem (comboio), é possível ver anúncios oferecendo abortos – que são legais na Índia desde 1972 – por cerca de 100 rupias (aproximadamente 3 dólares). Com a possibilidade de se verificar o sexo do feto – geralmente através de ecografias – o aborto se tornou o equivalente urbano ao infanticídio, que é a prática de matar bebês do sexo feminino ao nascerem. Estima-se que há 60 milhões de mulheres ‘em falta’ na Ásia, criando um sério desequilíbrio populacional.

Os meninos trabalham para a família, cuidam de seus pais quando ficam idosos e mantêm o nome da família. As meninas partem e se casam.

Mas na Índia é o sistema de dotes que faz com que as pessoas prefiram meninos. A prática, apesar de ilegal, é amplamente usada. A família da noiva paga à família do noivo o equivalente a vários anos de rendimentos que um trabalhador normal receberia, como dote. Os dotes podem levar famílias a cairem em débito durante vários anos.

Em 1994 o governo indiano fez com que os testes de determinação de sexo fossem ilegais – mas a prática ainda continua. ‘Pague 500 Rupias e economize 50.000 Rupias!’ é um anúncio popular para se fazer uma ecografia para determinar o sexo de um bebê. Em outras palavras, pague US $15 por uma ecografia que pode evitar o risco de se ter uma menina cujo dote custará US $1.500.

Em países africanos e latino americanos – assim como nos países asiáticos onde a maioria da população é muçulmana – a situação é muito diferente. A maioria destes países tem leis rigorosas contra o aborto no momento. Mas há pressão para que haja mudanças – especialmente em países do sul da África. Os cristãos estãos preocupados mas com frequência eles não estão seguros quanto a que ação tomar.

A conferência das Nações Unidas no Cairo concordou que o aborto não deve ser visto como uma forma de controle de natalidade. Os cristãos ao redor do mundo enfrentam um desafio enorme – orar, influenciar a atitude da sociedade e influenciar as novas leis. O documento da Tearfund que expõe sua posição sobre questões populacionais diz que ‘o aborto é sempre uma tragédia e nunca deve ser usado como método de natalidade. Aquelas mulheres que realizam o aborto precisam receber cuidados e compaixão.’

Cerca de 25 milhões de abortos arriscados e ilegais são realizados todos os anos.

Rússia

Mais de quatro milhões de abortos são realizados na Rússia a cada ano. Apesar de um aumento de serviços de espaçamento familiar, o aborto é usado por muitas mulheres como forma de controle de natalidade.

Reino Unido

No Reino Unido uma em cada cinco mulheres grávidas opta pelo aborto. Isto representa mais de 180.000 abortos por ano – sete vezes mais do que em 1968 quando o aborto foi legalizado.

China

Oficialmente, dez milhões de abortos são realizados na China a cada ano, 97% dos quais são de fetos do sexo feminino. A política da China de permitir apenas um filho por casal, iniciada em 1979, significa que muitos casais que querem ter um filho abortam meninas, apesar de ser ilegal dizer aos pais o sexo da criança antes do nascimento. O resultado é que há apenas 85 meninas para cada 100 meninos.

Tim Chester é o Administrador da Tearfund responsável por Relações Públicas.

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