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Foto: Jim Loring/Tearfund

Da: Aprendendo com os desastres – Passo a Passo 56

Orientações sobre como as comunidades podem se preparar para o inesperado

Mwakamubaya Nasekwa.

A Tearfund possui vários parceiros sediados em Nyankunde, na República Democrática do Congo. Os funcionários foram forçados a deixar Nyankunde, quando as tensões entre as comunidades Hema e Lendu resultaram num massacre de aproximadamente 1.000 pessoas nesse local.

Foto: Marcus Perkins/Tearfund

Foto: Marcus Perkins/Tearfund

“Deixar Nyankunde foi como um pesadelo”, diz Mwaka. “Foi muito difícil ficar só olhando, sem poder fazer nada, enquanto os saqueadores destruíam as casas e carregavam tudo consigo. O futuro parecia negro: não sabíamos como viveríamos, qual seria o destino dos nossos filhos… tantas perguntas que precisavam de respostas. Tínhamos investido grande parte das nossas vidas nesta comunidade, que agora havia sido destruída num só dia. Estávamos traumatizados e desesperados.”

Os sobreviventes fugiram para as florestas ou para outros centros nas proximidades. Mais de 65.000 pessoas deslocadas estão agora na região, a maioria em três centros, Oicha, Beni e Eringeti.

Muitos dos funcionários deslocados são promotores de saúde. Com o apoio da Tearfund, Reino Unido, foi iniciado o PPSSP (Programa de Promoção de Cuidados de Saúde Primária em Áreas Rurais), que logo se tornou popular. Seu objetivo era promover a saúde pública, uma necessidade que poucos consideram durante uma emergência. O PPSSP queria diminuir a doença e a mortalidade causadas pela diarréia e pelas doenças infecciosas entre as pessoas deslocadas e a população local. Numa situação em que as necessidades mais urgentes eram os alimentos, a água potável, o alojamento, os artigos não alimentícios e o atendimento médico, que auxílio prático poderia este programa trazer?

O programa conquistou rapidamente a confiança de seu grupo-alvo, porque:

As principais preocupações em termos de saúde existentes nos campos de refugiados são:

Estratégias 

O programa possui três estratégias principais:

Educação sobre a saúde O trabalho de conscientização realizado pelos promotores resultou na criação de um comitê de saúde e higiene administrado pelas próprias pessoas deslocadas. A função do comitê é planejar atividades para manter a limpeza dos campos e evitar a propagação de doenças diarréicas.

As pessoas deslocadas têm estado muito satisfeitas com o programa, dizendo que “Sem este programa, muitos de nós teriam morrido, especialmente as crianças.”

Distribuição de artigos práticos São distribuídos artigos tais como mosquiteiros, sabão, roupas e recipientes para água, para enfatizar a mensagem que está sendo transmitida sobre a saúde. Estes artigos são dados primeiramente às pessoas mais vulneráveis: famílias com crianças pequenas, mulheres grávidas, viúvas, órfãos e pessoas com deficiências.

Aconselhamento para traumas O aconse-lhamento é uma das principais atividades do programa. É nosso dever cuidar da pessoa por completo (corpo, alma e espírito). As pessoas deslocadas daqui são vítimas da guerra e suas conseqüências. Para resumir, a população inteira está traumatizada.

As mulheres e as meninas geralmente são as mais traumatizadas, porque ou foram vítimas de estupro, ou ficaram viúvas ou órfãs por causa da violência. Organizamos encontros para treinar treinadores na área de aconselhamento para trauma. Durante o trabalho em grupo, foram discutidos alguns casos reais (veja na página 12).

Estes encontros de treinamento representaram uma oportunidade para a reconciliação entre os dois grupos étnicos em conflito. Os promotores mostram a compaixão e o amor de Cristo para com as pessoas deslocadas. Como eles próprios foram deslocados e estão sofrendo, eles acham que podem ajudar melhor os que sofrem.

Mwakamubaya Nasekwa é o Coordenador de Programas do PPSSP. Pode-se entrar em contato com ele através de PPSSP, Beni, PO Box 21285, Nairobi, Quênia. E-mail: ppssp.zsr@uuplus.com

Estudo de caso de trauma

Ao fugir de seu lar, uma família acaba se separando. O pai viaja sozinho com a filha por dois meses. Ele dorme com ela, e ela engravida. Por vergonha, a menina decide fazer um aborto. O pai fica transtornado e vai a um conselheiro. A mãe vai a outro conselheiro dizendo: “Não agüento viver com meu marido e minha filha.”

Se você estivesse nesta situação, pense sobre como se sentiria: primeiro, se você fosse o marido, depois, a filha e depois, a mãe. Como você poderia ajudar esta família a superar este trauma?

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