Foto: Elish Majumder / HEED

Da: Prestação de contas – Passo a Passo 76

Como podemos prestar contas por nossas ações e também exigir que outros nos prestem contas

 A maioria dos membros da comunidade do povoado de Mwamadilanha, na Tanzânia, costumava achar que a igreja não tinha sentido e era irresponsável nas suas relações com a comunidade. Muitos membros da igreja acreditavam que a missão da igreja era responsabilidade do evangelista e pastor. O crescimento da igreja, portanto, dependia do compromisso destes ministros da igreja escolhidos e treinados. Tudo isso mudou quando a Diocese de Shinyanga iniciou um processo de mobilização da comunidade em Mwamadilanha.

Processo de mobilização da igreja e da comunidade

Este processo usou estudos bíblicos para ajudar os membros da igreja a descobrirem que a igreja existe para fazer o bem de todas as formas possíveis na sua comunidade. Depois disso, os membros da igreja compreenderam que a igreja está aqui na Terra, para servir de sal e luz. Eles perceberam que a igreja precisa assumir a liderança, se quiser que haja transformação na comunidade.

A igreja de Mwamadilanha desenvolveu a seguinte visão: ver a igreja e a comunidade levando uma vida abundante, auto-suficiente e livre de problemas sociais, físicos, econômicos e espirituais. Esta visão deu aos membros da igreja a coragem para ir até a comunidade e compartilhar seu sonho para o futuro. Eles compartilharam a mensagem de que a comunidade e a igreja podem levar uma vida que agrade a Deus, se trabalharem juntas para lidar com seus problemas, usando recursos disponíveis na comunidade.

 

Foto: Nick Burn / Tearfund

Foto: Nick Burn / Tearfund

Depois de ouvir esta mensagem da igreja, a comunidade surpreendeu-se ao ver que a igreja tinha um plano para trabalhar com ela a fim de melhorar seu padrão de vida. A comunidade permitiu que a igreja facilitasse encontros participativos para que as pessoas compreendessem as causas fundamentais dos problemas locais assim como os recursos que poderiam ser usados para resolvê-los.

Impacto

A comunidade agora vê a igreja como os “olhos da comunidade”, guiando-a para fora das trevas que antes limitavam as pessoas, mantendo-as analfabetas, espiritualmente cegas e economicamente pobres. Joseph, um dos membros da comunidade, disse “Se esta igreja não tivesse vindo até nós com este processo, eu poderia estar morto agora de tanto beber. Mas, através da sua mensagem, compartilhada abertamente com todos nós, habitantes do povoado, aqui estou eu, em segurança.”

Desde que o processo de mobilização começou, a comunidade sente que tem liberdade de expressar suas preocupações à igreja. Isto dá à igreja a oportunidade de ajudar a comunidade a encontrar soluções para as necessidades locais. Da mesma forma, a igreja tornou-se transparente para a comunidade e, muitas vezes, encontra-se com ela para compartilhar sua visão e a forma como a está implementando.

O trabalho da igreja, agora, “pertence” muito mais aos membros da igreja do que antes, com a orientação dos líderes da igreja. Da mesma forma, as atividades de desenvolvimento da comunidade “pertencem” aos membros da comunidade, sob a supervisão dos seus comitês setoriais de desenvolvimento selecionados por eles.

A partir do momento em que a igreja inteira começou a prestar mais contas à comunidade, o trabalho do evangelista e pastor local tornou-se mais fácil e mais benéfico tanto para a igreja quanto para a comunidade. Os líderes da igreja também se tornaram mais ativos e responsáveis em seu trabalho. Se eles não agissem de forma responsável, a comunidade poderia vê-los como inadequados para o trabalho e poderia começar a exigir que fossem retirados da liderança!

A partir do momento em que o trabalho do evangelista e pastor se tornou mais gerenciável, eficaz e eficiente, os membros da igreja tornaram-se mais motivados para servir a Deus e a outras pessoas. Eles realizavam tarefas, não porque o pastor tinha mandado, mas porque a Bíblia lhes tinha mostrado que esta era sua responsabilidade.

Princípios da prestação de contas da igreja à comunidade

Desta experiência, podemos tirar alguns princípios da prestação de contas das igreja às pessoas a quem ela está servindo:

O Reverendo Emmanuel Isaya é o Coordenador do Processo de Mobilização da Igreja e da Comunidade da Diocese de Shinyanga.

E-mail: isayaer@yahoo.com

Processo de mobilização da igreja e da comunidade

O processo de mobilização da igreja e da comunidade usado na Diocese de Shinyanga divide-se em duas partes.

PARTE 1 Mobilização da igreja

São reunidos tantos membros da igreja quanto possível para examinar o que a Bíblia diz sobre a missão da igreja. É importante que os membros da igreja tenham a oportunidade de estudar a Bíblia sozinhos. Depois, os membros da igreja são divididos em grupos, e um facilitador faz perguntas sobre a passagem bíblica. Os membros da igreja respondem a estas perguntas e discutem-nas em grupos. Muitas vezes, este método é mais eficaz para motivar as pessoas do que o pastor pregando a mensagem num culto da igreja.

Os estudos bíblicos ajudam os membros da igreja a compreender o ministério da igreja para com a comunidade e a desenvolver uma visão. Os estudos bíblicos também proporcionam aos membros da comunidade a confiança para se relacionarem melhor com a comunidade. Sem boas relações, é difícil alcançar transformação.

PARTE 2 Mobilização da comunidade

A igreja trabalha com a comunidade para analisar a situação atual e desenvolver um plano de ação para o futuro. Este estágio usa técnicas participativas e consiste em:

Passagens bíblicas que podem ser usadas para despertar os membros da igreja

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