Foto: Marcus Perkins/Tearfund

Da: Migração – Passo a Passo 78

Considera alguns dos aspectos positivos e negativos da migração

As causas mais comuns da migração nos países mesoamericanos (região que vai do sul do México até a Costa Rica) são o conflito e a degradação do meio ambiente natural. Neste artigo, examinamos ambas as situações e o efeito sobre a região de La Mosquitia, no nordeste de Honduras.

Migração causada pelo conflito na região

As guerras civis dos anos 70 e 80 nos países com fronteira com Honduras, como a Guatemala, El Salvador e a Nicarágua, forçaram a migração de vários povos para Honduras. Os refugiados que cruzaram a fronteira da Nicarágua para a região de La Mosquitia pertencem aos povos indígenas miskito e sumu mayangna. Estes povos compartilham vínculos culturais, étnicos e históricos com ambos os países. Como resultado, os refugiados foram inicialmente acolhidos nas comunidades e nos lares dos miskitos hondurenhos. Entretanto, logo o número de refugiados era tão grande que os miskitos hondurenhos não podiam mais continuar cuidando deles.

Mais tarde, os refugiados nicaragüenses receberam apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) através do trabalho de uma organização chamada World Relief. Os refugiados foram reunidos num centro de agrupamento e distribuição no povoado de Mocoron. A população do povoado cresceu de 200 para 30.000 pessoas. A ACNUR e a World Relief ofereceram apoio na forma de alimentos, alojamento, água, saneamento e vários tipos de assistência técnica.

Os refugiados podiam viver e cultivar a terra da maneira que quisessem. Infelizmente, isso teve um grave impacto ambiental. Os refugiados começaram a usar os recursos naturais sem levar em consideração a sustentabilidade ou as boas práticas agrícolas. Centenas de hectares de florestas foram derrubadas, e muitas espécies de animais, pássaros e peixes começaram a desaparecer como resultado da caça excessiva e da perda do seu habitat natural.

A guerra civil da Nicarágua terminou em 1990, e os refugiados nicaragüenses começaram a voltar para o seu país. Ao longo dos anos seguintes, a floresta cresceu novamente nas áreas que haviam sido desmatadas e, então, abandonadas pelos refugiados, e os animais, pássaros e peixes retornaram para o local.

Foto: Geoff Crawford/Tearfund

Foto: Geoff Crawford/Tearfund

Foto: Geoff Crawford/Tearfund

Foto: Geoff Crawford/Tearfund

Migração causada pela degradação do meio ambiente natural

Outra das principais causas da migração na Mesoamérica é a degradação dos ecossistemas e a redução da fertilidade do solo. A National Geographic Society comparou a cobertura vegetal na Mesoamérica entre 1950 e 2000. As áreas florestais diminuíram muito durante este período. Apenas em Honduras, cerca de 50 por cento da floresta foi perdida durante o mesmo período. 

Grande parte da floresta tropical foi desmatada para que a terra pudesse ser usada para a agricultura. Por exemplo, grandes áreas florestais foram convertidas em pastagem para gado. De acordo com uma recente análise por satélite feita pela MOPAWI, a conversão de florestas em pastagem para gado quase triplicou entre 2000 e 2007 (veja o diagrama). Os recursos florestais também foram explorados de forma irresponsável. Foram cortadas árvores, principalmente por empresas ricas, para serem vendidas como madeira. Foram desmatadas terras, geralmente ilegalmente, para a construção de estradas para o transporte da madeira. As práticas não sustentáveis usadas resultaram na degradação da terra e dos ecossistemas locais. Isto aumentou a pobreza e forçou as pessoas a procurarem outros meios de vida. 

Um dos principais destinos dos migrantes é a floresta tropical da região de La Mosquitia. Infelizmente, as famílias migrantes trazem consigo as práticas ambientais não sustentáveis que inicialmente as fizeram migrar. Assim, a própria região de La Mosquitia já sofreu degradação da terra e dos ecossistemas locais nos últimos anos. 

Migração para outras áreas 

A degradação ambiental também incentivou a migração para as áreas urbanas e para os Estados Unidos. Muitas pessoas vão em busca do “Sonho Americano”: emprego, melhores oportunidades educacionais e melhor acesso aos serviços de saúde para seus filhos. Entretanto, os migrantes freqüentemente acabam vivendo nas periferias das cidades, as quais possuem serviços de saúde pública limitados ou inexistentes, como água, saneamento e eletricidade. 

A migração por terra de Honduras para os Estados Unidos consiste em atravessar as fronteiras da Guatemala e do México. Estas travessias são muito perigosas, com alto risco de vida devido às condições em que os migrantes são transportados. Já foram registrados centenas de acidentes rodoviários que deixaram as pessoas, principalmente homens, sem braços ou sem pernas. As mortes também são freqüentes, como resultado de quedas de trens ou asfixia enquanto as pessoas estão escondidas nos veículos. 

Respondendo à situação 

A MOPAWI identificou três maneiras básicas de reduzir a degradação ambiental e, ao mesmo tempo, oferecer um meio de vida sustentável para as pessoas.

Conclusão 

Existe uma ligação entre a migração e a deterioração ambiental. Quando a migração é causada pelo conflito, o número de pessoas vivendo numa determinada área aumenta com muita rapidez, e elas dependem dos recursos naturais disponíveis. Quando a migração ocorre porque os recursos ambientais foram danificados ou esgotados, as pessoas migram para terras florestais e, muitas vezes, levam consigo práticas prejudiciais de utilização de recursos, o que afeta a sustentabilidade ambiental desta nova área. Embora a migração e a deterioração ambiental estejam ligadas, é importante lembrar que há meios de se reduzir o impacto no meio ambiente. 

Osvaldo Munguía é o Diretor Executivo da MOPAWI. 4B 2a Calle Co. Tres Caminos Apdo 2175 Tegucigalpa Honduras E-mail: mopawi@mopawi.org.hn Site: www.mopawi.org

Conteúdo com tags semelhantes

Compartilhe este recurso

Se você achou este recurso útil, compartilhe-o com outros para que eles também possam se beneficiar

Cadastre-se agora para receber a revista Passo a Passo

Uma revista digital e impressa gratuita para pessoas que trabalham na área de desenvolvimento comunitário

Cadastre-se agora