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Enfermeira verificando o batimento cardíaco de um bebê. Foto: Richard Hanson/Tearfund

Da: Saúde materna – Passo a Passo 91

Como ajudar famílias e comunidades a prestar apoio crucial às mulheres antes e durante o parto

É trágico quando uma mulher morre ao dar à luz. A família muda para sempre. Precisamos perguntar “Por que ela morreu?”. Geralmente não há apenas uma só resposta para esta pergunta. Com frequência, há vários problemas misturados. Imagine vários pedaços de cordão emaranhados formando uma bola. É preciso desemaranhar a bola para ver os diferentes pedaços de cordão. Então, os problemas ficam mais claros, e podemos começar a ver algumas soluções.

Fatores médicos

Quando uma mulher morre numa clínica ou num hospital, os fatores médicos que levaram à sua morte são escritos no prontuário como a causa oficial da morte. Se os exemplos abaixo parecerem assustadores, lembre-se de que eles dizem o que deu errado no corpo da mulher, mas não dizem nada sobre outros fatores, como, por exemplo, se ela teria sobrevivido caso tivesse recebido ajuda mais cedo. A maioria destes problemas médicos não levam à morte se forem reconhecidos e tratados com tempo suficiente.

Muitas mulheres sangram até morte. Esta é a principal causa de morte de mulheres no parto no mundo inteiro. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 800 mulheres morrem no parto a cada dia, totalizando um número aproximado de 300.000 mulheres por ano. Cerca de um terço destas mulheres sangra até a morte depois que o bebê nasceu.

Outros fatores médicos diretos que podem causar a morte de uma mulher na gravidez ou no parto são:

Os três atrasos

Muitos especialistas concordam que os “três atrasos” são frequentemente responsáveis pela morte das mulheres no parto.

Em princípio, a maioria dos casais que vão ter um bebê pode fazer planos e tomar medidas para reduzir significativamente o risco de sofrer os dois primeiros tipos de atraso.

As consultas durante a gravidez (frequentemente chamadas de consultas pré-natais) são muito importantes. Mesmo que a mulher se sinta bem durante a gravidez, há coisas que poderiam causar problemas mais tarde e que precisam ser verificadas. As mulheres que vão a pelo menos quatro consultas pré-natais têm menos chances de morrer em consequência de problemas na gravidez ou no parto. A família ficará mais segura se tiver um plano para lidar com possíveis problemas.

Serviços de saúde insatisfatórios

Em muitos locais, não há serviços de saúde nas proximidades ou garantidos. Uma pessoa pode gastar dinheiro para chegar até eles e acabar descobrindo que não há uma parteira treinada ou que a clínica está fechada e não há um número de telefone para emergências.

Isto pode causar medo e apatia numa comunidade. Só é preciso uma experiência ruim para espalhar o rumor de que tentar encontrar atendimento médico para o parto é uma perda de tempo, esforço e dinheiro.

O que podemos fazer?

Falta de instrução e dinheiro

Muitas pessoas evitam procurar atendimento médico por terem medo de não poder pagá-lo. Quando se trata de gravidez e parto, é prudente fazer uma poupança, por menor que ela seja, para pagar as despesas médicas ou o transporte para os centros de saúde. Os grupos de autoajuda e poupança podem oferecer apoio mútuo neste sentido.

Se uma família nunca ou raramente usa os serviços de saúde por ser pobre ou por não ser alfabetizada, ela pode não saber que as consultas pré-natais são importantes. A família pode ficar desconfiada e preferir usar medicamentos tradicionais que podem ser ineficazes ou prejudiciais.

Se uma família não souber ler, ela frequentemente terá mais dificuldade para obter atendimento médico e aprender sobre a boa saúde. Uma pessoa não alfabetizada não pode ler o dia e a hora da consulta, a ficha médica, nem o quadro de avisos da clínica.

O que podemos fazer?

Práticas culturais prejudiciais

Algumas práticas culturais aumentam a probabilidade de uma mulher morrer no parto.

CASAMENTOS INFANTIS As meninas e as mulheres com menos de 20 anos podem sofrer problemas no trabalho de parto porque o seu corpo ainda não está pronto. A probabilidade de morte no parto entre as meninas de 10 a 14 anos é cinco vezes maior, e, entre as meninas de 15 a 19 anos, é duas vezes maior.

CIRCUNCISÃO FEMININA A alteração do corpo de uma menina através do corte de partes dos órgãos genitais é muito prejudicial. A circuncisão feminina (às vezes chamada de mutilação genital feminina, ou MGF) é praticada com frequência em comunidades onde a fertilidade das mulheres é altamente valorizada. Contudo, estudos mostram que ela torna muito mais difícil para as mulheres terem um parto seguro. As cicatrizes no local dos cortes e a infibulação (costura do canal do parto) impedem o parto normal. Uma mulher que sofreu cortes frequentemente precisa de cuidados de saúde mais especializados, os quais podem não estar disponíveis no local e podem ser excessivamente caros. Isto aumenta o risco de morte tanto para a mãe quanto para a criança.

PREFERÊNCIA POR MENINOS Às vezes, as famílias que querem meninos e podem pagar uma ecografia para descobrir o sexo do bebê decidem abortar as meninas. Se o aborto for inseguro, a mãe pode morrer em consequência de complicações ou infecções.

Às vezes, quando uma família tem preferência por meninos, as meninas recebem menos alimentos ou alimentos diferentes e menos nutritivos. Se uma menina não consumir alimentos nutritivos suficientes, tais como leite e ovos, o seu corpo não crescerá forte para prepará-la para o parto quando ela for mais velha. Se uma menina ou uma mulher mal nutrida engravidar, ela provavelmente terá problemas. 

O que podemos fazer?

As práticas culturais mudam ao longo das gerações, e não da noite para o dia! Porém, para os exemplos aqui dados, os ensinamentos religiosos sobre a igualdade de valor das mulheres aos olhos de Deus podem fazer uma grande diferença. As decisões individuais dos homens e das mulheres quanto a mudar suas práticas – mesmo se isto dificultar as relações familiares – lançarão as sementes das futuras mudanças nas famílias e nas comunidades.

Falta de serviços de planejamento familiar

As gravidezes muito precoces ou muito próximas uma da outra podem dificultar a vida das famílias. A mãe e as crianças têm maior probabilidade de enfraquecer. Uma mulher que engravida várias vezes com intervalos curtos entre as gravidezes (menos de dois anos entre os partos) tem mais probabilidade de sofrer problemas de saúde na gravidez e no parto do que as mulheres que tiveram intervalos mais uniformes entre os filhos. 

Em alguns locais, há serviços de planejamento familiar, porém as entregas de suprimentos, tais como preservativos e pílulas, não são frequentes o suficiente, e as pessoas não podem comprar grandes quantidades de uma só vez.

O que podemos fazer?

O papel do pai

Em muitas culturas, o pai desempenha o papel de “guardião”. Ele tem o poder de tomar decisões importantes para a família, e isto pode afetar a saúde materna. Muitas causas de morte podem ser evitadas se os homens compreenderem melhor os riscos. Por exemplo, a decisão de procurar atendimento médico na gravidez e no parto frequentemente é tomada pelo marido. Se ele demorar, a esposa poderá morrer. Se ele compreender a necessidade de planejar antecipadamente o parto com a esposa, ela e o bebê terão maior probabilidade de sobreviver.

Os pais também podem prevenir práticas tradicionais prejudiciais e incentivar a educação de suas filhas. Eles podem discutir o planejamento familiar com as esposas e procurar ter filhos com, pelo menos, dois anos de diferença de idade. Eles podem dar o exemplo procurando informações sobre uma saúde melhor durante a gravidez e o parto para proteger a família.

Escrito com a ajuda de Caroline Onwuezobe, gestora dos serviços pré-natais do Faith Alive Hospital, em Jos, Nigéria, e Andrew Tomkins, Professor Emérito de Saúde Infantil Internacional da University College London.

Soluções

"Eu posso fazer algo em relação a isto"

"O responsável médico do distrito poderia ajudar" 

"Vamos pedir ao nosso político local"

Conversando com o governo local sobre a saúde materna

Identifique os responsáveis pelo planejamento dos serviços de saúde materna e os responsáveis por quanto é gasto com eles.

Procure formar uma equipe que inclua funcionários clínicos (enfermeiros, médicos) e representantes da comunidade (agentes comunitários de saúde, líderes comunitários) para descrever o problema antes de abordar os gestores distritais.

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