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Da: Viver com deficiência – Passo a Passo 108

Orientações práticas sobre como tornar nossas igrejas e comunidades mais inclusivas para as pessoas com deficiência

A Rev. Dra. Micheline Kamba dedicou sua vida adulta a confrontar os equívocos sobre a deficiência e incentivar as igrejas a serem mais inclusivas. Aqui ela compartilha parte de sua história pessoal.

Por favor, você pode nos contar um pouco sobre si mesma? 

Tive poliomielite quando tinha dois anos de idade, o que deixou minhas pernas paralisadas, assim, preciso de muletas e tutores ortopédicos para me locomover. Sou casada e tenho um filho de 17 anos.  

Como foi crescer com uma deficiência na República Democrática do Congo (RDC)? 

Meus pais e minha família foram ótimos. Eles me incluíam em tudo, e frequentei a escola da mesma forma que minhas irmãs e irmãos. 

Mas quando me tornei adolescente, achei difícil. Na RDC, muitas pessoas acreditam que, se você tem uma deficiência, é por causa de uma maldição. Foi difícil para mim me proteger contra esse pensamento. Também me disseram que eu não conseguiria me casar ou ter filhos. Em certa altura, tentei cometer suicídio.  

O que mudou? 

Minha irmã ajudou-me a ver que sou uma criação de Deus e que sou amada por ele. Em Isaías 49:15, Deus pergunta a Israel: “Haverá mãe que possa esquecer seu bebê?”. Percebi que isso é impossível. Da mesma forma, Deus não pode me esquecer. Compreender isso foi minha libertação. 

Desde aquela época, nunca pedi a Deus que me curasse fisicamente, porque sei que a graça de Deus é suficiente para mim e que sua força se aperfeiçoa em minha fraqueza (2 Coríntios 12:9). Eu me aceitei como uma mulher com deficiência e sei que Deus tem bons planos para mim. 

A igreja tem uma atitude saudável em relação às pessoas com deficiência? 

Muitas igrejas acolhem pessoas com deficiência, mas tendem a presumir que somos pobres e que queremos algo delas. Eles distribuem roupas e comida, mas, às vezes, tudo o que queremos é adorar a Deus juntamente com os outros. 

Nas igrejas carismáticas, frequentemente se pressupõe que, se uma pessoa deficiente vai a um culto, ela está esperando um milagre. Um dia, eu estava visitando uma igreja, e eles pediram que as pessoas se apresentassem para a oração. Eu fiquei sentada onde estava, e um dos homens me perguntou: “Você não quer subir?”. Eu respondi: “Não, eu estou bem, eu posso orar daqui mesmo”. Ele perguntou: “Você não quer uma oração para ser curada?”. E eu respondi: “Por que você está insistindo tanto? Eu não estou doente! Eu aceitei o fato de que Deus me ama da maneira como eu sou”. Ele ficou totalmente surpreso: “O que? Você é feliz assim?”. E eu disse: “Sim, sou feliz!”.  

Eu sei que nada é impossível para Deus: se ele me dissesse hoje para deixar minhas muletas e andar, eu não ficaria surpresa. Mas é difícil quando os líderes da igreja veem apenas a deficiência, não a pessoa. Isso aumenta o estigma, e as pessoas se sentem mal se não forem curadas.  

O que poderia ser melhorado? 

As igrejas precisam envolver as pessoas com deficiência. Elas devem olhar para além da deficiência, para quem elas são em Cristo. 

Eu conheci uma senhora que canta maravilhosamente. Como eu, ela estava de muletas. Ela disse: “Eu sei cantar, mas eles nunca me usam. Todos os dias eles oram por mim – e eu canto bem!”.  

Para ajudar a mudar essas atitudes, criei a organização Iman’enda, que significa “Levante-se e ande”. Através de estudos bíblicos e oração, ajudamos as pessoas com deficiência a se aceitarem. Assim, elas podem ficar de pé em seu espírito e sua mente, sabendo que são amadas por Deus.


Micheline Kamba é ministra da igreja e professora na Faculdade de Teologia da Universidade Protestante do Congo. Ela ajuda a coordenar a Rede Ecumênica de Defensores da Deficiência na África de língua francesa para o Conselho Mundial de Igrejas. Ela é a presidente e fundadora da Iman’enda Ministries. 

E-mail: micheline.kamba@gmail.com

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