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Da: Doenças transmissíveis – Passo a Passo 112

Como reduzir a disseminação e o impacto das doenças transmitidas de pessoa para pessoa

Durante o surto de ebola no oeste da África, medidas estritas de controle foram postas em prática para tentar reduzir a disseminação da doença.

No entanto, para as pessoas, algumas dessas medidas, tais como as regras referentes ao isolamento e ao sepultamento, eram difíceis de aceitar. A regras pareciam ir contra os valores culturais e as práticas religiosas. Também havia falta de informações claras, o que resultou na negação da doença e na hostilidade contra as pessoas que estavam tentando contê-la.

Muitas das pessoas que contraíram o ebola optaram por permanecer com suas famílias, e as pessoas faziam enterros secretamente. Consequentemente, a doença continuou se disseminando.

Mudança de jogo

Vários líderes religiosos foram convidados a se reunir para discutir a melhor forma de apoiar suas comunidades. Primeiro, eles usaram textos religiosos para interpretar as mensagens de saúde relacionadas com o controle e a prevenção do ebola. Depois, à medida que eles começaram a mudar suas práticas religiosas, as comunidades começaram a atender à necessidade urgente de realizar enterros com segurança.

Um funcionário das Nações Unidas disse: “Havia muita negação do ebola, e era difícil obter acesso para os funcionários de saúde ajudarem na região. O imã e o chefe local trabalharam juntos usando mensagens do Alcorão e da Bíblia para discutir mudanças de comportamento com as comunidades. Isso abriu caminho para que os agentes sanitários tivessem acesso à região.

“Como as pessoas confiam nos líderes religiosos, no momento em que eles começaram a participar das práticas de sepultamento modificadas, a resistência terminou. A participação dos líderes religiosos mudou o jogo.”

Os líderes religiosos de Serra Leoa apresentaram uma mensagem unificada. Foto: Layton Thompson/Tearfund

Os líderes religiosos de Serra Leoa apresentaram uma mensagem unificada. Foto: Layton Thompson/Tearfund

Superação do estigma

Ao pregar e dar o exemplo através da aceitação dos sobreviventes e das pessoas que trabalhavam no combate ao ebola, os líderes religiosos ajudaram a eliminar o estigma que estava causando divisões nas comunidades.

“A estigmatização é um problema social muito sério quando se trata do vírus ebola, assim como costumava ser o caso do HIV”, disse um líder cristão. “Nós desafiamos o estigma do HIV e agora estamos fazendo o mesmo com o ebola. É difícil para as pessoas que sobreviveram ao vírus serem aceitas de volta na comunidade, por isso nossos ministros estão pregando entre as pessoas a aceitação de seus irmãos e irmãs, ao mesmo tempo que ainda seguem as orientações de saúde.”

Os médicos também recorreram aos líderes religiosos para apoiar a enorme e ainda não atendida necessidade de aconselhamento e apoio psicossocial.

O líder de uma igreja da Libéria disse: “A prioridade da igreja são as pessoas que vivem em pobreza. Essa doença impossibilita a bondade costumeira dos seres humanos – como colocar o braço em volta de alguém que está chorando. A chave para a sobrevivência é manter nossa humanidade intacta em face a esse vírus mortal, o ebola, e, como igreja, estamos encontrando formas de fazer isso com nossas comunidades”.

Retirado de Keeping the faith (Manter a fé), publicado pelas organizações Christian Aid, CAFOD, Tearfund e Islamic Relief Worldwide.

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