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Da: Lar e hospitalidade - Passo a Passo 116

Como a hospitalidade, a bondade e o planejamento podem reduzir a vulnerabilidade e ajudar as comunidades a florescer

Ao assistir à cerimônia de abertura das Olimpíadas de Tóquio em 2021, não pude conter as lágrimas ao ver uma equipe de refugiados marchando lado a lado com atletas de outras partes do mundo. Isso me lembrou do meu próprio passado, quando eu era um jovem atleta crescendo como refugiado.

Assim como tantos refugiados hoje em dia, não tínhamos um lar. Sentíamos como se não pertencêssemos a ninguém e a nenhum lugar. Éramos vistos como intrusos e tratados com hostilidade e falta de hospitalidade por muitas comunidades de acolhimento e indivíduos. Só nos sentíamos seguros em locais onde as pessoas não sabiam quem éramos.

‘Assim como tantos refugiados hoje em dia, não tínhamos um lar. Sentíamos como se não pertencêssemos a ninguém e a nenhum lugar.’

Como atleta, eu precisava ser o melhor para ter uma oportunidade para competir e, mesmo assim, isso dependia dos preconceitos e vieses dos treinadores. Ao contrário dos atletas de Tóquio, eu frequentemente percebia que meus talentos e capacidades só importavam se pudessem ser explorados e usados para beneficiar outras pessoas. Eu me sentia invisível e sem importância. 

A necessidade de pertencer

Todos nós precisamos de abrigo e um lugar para dormir com segurança à noite, mas o desejo humano por um lar é muito mais profundo do que isso. Ele está enraizado em nossa necessidade de pertencermos e sermos amados, aceitos e apreciados por quem somos.

O início e o final da Bíblia – a criação (Gênesis) e a nova criação (Apocalipse) – oferecem uma visão sobre o que significa pertencer e florescer no lar que Deus criou e em que nos colocou.

Geovanna e sua família tiveram que deixar a Venezuela, mas encontraram um novo lar e uma nova comunidade na Colômbia

Geovanna e sua família tiveram que deixar a Venezuela, mas encontraram um novo lar e uma nova comunidade na Colômbia. Foto: Ferley Ospina/Tearfund

A Bíblia descreve o Éden, o nosso lar original, como um lindo jardim, cultivado por Deus com todos os tipos de plantas. Nesse jardim, os humanos viviam em harmonia com Deus, um com o outro e com o resto da criação. O Éden era mais do que um lugar para morarmos: era um lugar de paz, adoração, relacionamentos de amor e suficiência.

Gênesis 3 descreve como a desobediência de Adão e Eva acabou com esse lar. Eles foram tirados do Éden e tiveram que construir seu lar em um mundo rompido.

O resto da Bíblia conta a história da missão de Deus de redimir e restaurar sua criação. No livro de Apocalipse, vemos de relance como a criação será: um lugar onde mais uma vez haverá relacionamentos fortes, sem dor ou necessidade não atendida (Apocalipse 7:16 e 21:4). 

Hospitalidade

A cada ano, os conflitos armados, os desastres naturais e a mudança climática forçam milhões de pessoas a deixarem seus lares em busca de um lugar mais seguro. Para inúmeras outras pessoas, em vez de um lugar de paz, o lar é onde elas sofrem dor, negligência ou abuso. 

Ao praticar a hospitalidade, todos nós podemos ajudar a proporcionar locais onde as pessoas possam se sentir aceitas e parte de uma comunidade de amor, independentemente de sua origem ou situação atual. A Bíblia deixa muito claro que este é um papel importante e transformador da igreja (Mateus 25:34-40 e Hebreus 13:2). 

Fui refugiado numa época em que havia poucas informações sobre as causas e as dificuldades do deslocamento. Não é de surpreender, porém, que os que mais acolheram as pessoas deslocadas foram as igrejas e os cristãos. Eles ofereceram abrigo, alimentos e roupas e permitiram que seus prédios fossem usados como escolas. Acima de tudo, eles foram bondosos. Eles nos deram um lar. 

A discriminação e o preconceito não têm lugar em nossas comunidades. Em vez deles, devemos mostrar o amor e a compaixão de que Jesus falou quando nos explicou o que significa amar ao próximo assim como a nós mesmos (Lucas 10:25‑37).

Escrito por

Escrito por  Emmanuel Murangira

Emmanuel Murangira é o Diretor Nacional da Tearfund em Ruanda.

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