Da: Motivando a mudança – Passo a Passo 43

Como apoiar os agentes de mudança em sua comunidade

Conselhos de alguns grupos de sucesso

Coloque as necessidades dos alunos em primeiro lugar

Em Uganda, a Community Based Health Care Association (UCBHCA – Associação de Serviços de Saúde da Comunidade) descobriu que a maneira como o treinamento é organizado e conduzido é muito importante. Sua prioridade é assegurar que o treinamento seja relevante para as necessidades de seus alunos, participativo e apropriado para alunos adultos. Eles acreditam que seu treinamento é um modelo para a maneira como os alunos, por sua vez, compartilharão o que aprenderam. Eles incentivam as pessoas a utilizarem suas próprias experiências como recurso principal durante o treinamento.

Eles costumam ter problemas com os alunos que chegam esperando e querendo uma instrução oficial. Os doadores esperam resultados rápidos a um baixo custo e vêem que este tipo de treinamento não oferece isto. Além disso, os alunos podem fazer perguntas que os formadores/treinadores não sabem responder, o que faz com que eles percam a confiança em seu treinamento.

A UCBHCA acha útil:

O treinamento deve:

UCBHCA, PO Box 325, Entebbe, Uganda

Somos pedras preciosas

As Aroles, em Jamkhed, na Índia, trabalham com a promoção de serviços de saúde primários. Elas trabalham com comunidades rurais para criar relacionamentos e ajudar as pessoas a encontrarem suas próprias soluções. O treinamento das profissionais da área da saúde concentra-se em mudar as atitudes e valores. As Aroles acreditam que todos são feitos à imagem de Deus e possuem potencial. Elas dizem ‘É especialmente importante desaprender a crença de que as pessoas de povoados (aldeias) são ignorantes; é essencial que elas sejam respeitadas como possuidoras da mesma inteligência e como pessoas de conhecimento.’

Muitas das profissionais da área da saúde são provenientes de classes rejeitadas da sociedade. Dentro de suas comunidades, elas são menos valorizadas do que os animais de seus maridos. Quando elas vêm pela primeira vez ao treinamento, é-lhes dado um espelho e elas aprendem a olharem para si mesmas, dizerem seus nomes e dizerem para si mesmas ‘nós somos valorizadas’. Muitas delas mal ouviram seus nomes serem utilizados no passado, pois normalmente são chamadas pelos nomes de seus maridos. Uma senhora chamada Sarubai disse ‘Nós nos demos conta de que não somos escravas de nossos maridos, mas sim seres humanos. Não somos como as pedras rejeitadas que achávamos que éramos. Somos pedras preciosas; temos valor e queremos dizer aos outros que eles também são valorizados.’ Criar esta auto-confiança leva muito tempo e é necessário um incentivo constante durante muitos anos. Uma outra aluna comentou ‘Eu aprendi, porque as pessoas aqui se sentaram perto de mim, passaram tempo comigo, mostraram-me coisas e, depois, deixaram-me tentá-las. Eu recebi amor.’

Tine Jaeger, Tearfund

Soluções – primeiro ou por último?

O processo popular do desenvolvimento começa com uma solução para um problema. As pessoas são auxiliadas a compreenderem como a solução é exatamente o que é preciso para ajudá-las e são incentivadas a colocarem a solução em ação.

No entanto, uma vez que o grupo se conscientiza da necessidade de se fazerem mudanças, a maneira de se incentivarem os membros na direção da auto-suficiência não é oferecer soluções. Ao invés disso, comece primeiro com o problema, depois, procurem a solução juntos e, então, motive as pessoas a colocarem a solução em prática. Este processo de animação dentro de um grupo é um processo a longo prazo e não deve nunca ser apressado.

Gilbert Konango, CEA, BP 17023, Douala, Camarões

Multiplicando e fortalecendo

O Centro de Coordenação da PRAAL trabalha apoiando as comunidades de duas maneiras. Ele estabeleceu um Centro Piloto que pode oferecer demonstrações, recursos e treinamento. Os ‘animadores’ voluntários (facilitadores) e líderes das mulheres são selecionados por comitês de desenvolvimento do povoado para receberem um curso de treinamento de três meses no Centro Piloto. Cada mês, eles passam duas semanas no centro e duas semanas em casa, supervisionados por seus formadores/treinadores. Eles aprendem sobre novas técnicas agrícolas, tais como criação de coelhos, aves e peixes, e experimentam-nas em casa. À medida que os animadores concluem o seu treinamento, eles continuam a serem supervisionados pelos formadores/treinadores e, por sua vez, supervisionam os novos alunos. Desta maneira, cada pessoa é responsável por apenas outras três ou quatro pessoas, permitindo bons relacionamentos e apoio contínuo.

Os comitês de desenvolvimento do povoado estão preocupados com a contínua perda de jovens, que vão para as cidades, mortes freqüentes e políticas locais em constante mudança. Assim, incentivamos de três a quatro povoados a começarem a trabalhar juntos em ‘Associações’. Isto tem ajudado a superar conflitos antigos. As estradas, pontes e água em cada associacão podem ser melhor administradas, tornando-se responsabilidade de todos. Os encontros nas ‘Associações’ oferecem uma oportunidade para novas amizades e entusiasmo entre os povoados.

Reverendo Nimi Luzolo, PRAAL, BP 50, Tshela, República Democrática do Congo

Planejamento

Quando planejamos programas, nosso lema é sempre ‘As pessoas antes dos programas.’ Devemos sempre procurar ter programas…

DO povo, PELO povo e PARA o povo.

Tenha cuidado com os programas, encontros e palestras sem uma finalidade. Tenha sempre uma finalidade específica cada vez que as pessoas se encontrarem – planeje o programa do encontro com base no último encontro.

Varie os métodos de apresentação – utilize esboços, palestras, discussões em grupos, estudo, pesquisa, debates, atividades, jogos, canções e música.

Reverendo Ted Correa, Palawan Rural Life Centre, Makiling Heights, Lalakay, Los Baños, 4030 Laguna, Filipinas 

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