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Foto: Jim Loring/Tearfund

Da: Famílias sob pressão – Passo a Passo 55

Ideias práticas para tornar as famílias mais fortes e saudáveis

Karl Dorning.

A falta de oportunidades de emprego em suas comunidades de origem e a necessidade de um salário causou uma migração considerável de Mianmar (Birmânia) para a Tailândia. Em algumas comunidades, mais de metade dos jovens migraram. Entretanto, os que migram para a Tailândia enfrentam muitos riscos, entre eles, o tráfico de drogas, o HIV/AIDS (VIH/SIDA), a prostituição, a prisão e a deportação. Todos sabem dos riscos da migração, contudo, ela continua.

A ação mais óbvia seria tentar manter os jovens em suas comunidades através do seguinte:

  • criando-se oportunidades de emprego
  • conscientizando-se as pessoas sobre os riscos da migração para a Tailândia.

Entretanto, a World Vision Mianmar queria envolver as comunidades na identificação das causas do problema e das possíveis soluções. Ela queria que elas compreendessem por que alguns jovens decidiam não migrar. Isto poderia, então, ajudar a identificar estratégias eficazes para evitar que tantos jovens migrassem.

Foi escolhida uma comunidade próxima à fronteira, de onde mais da metade dos jovens migravam. Foram usadas técnicas que incentivavam todos os membros comunitários a compartilhar e participar, tais como desenhar mapas de sua área, para identificar as questões principais. Foi descoberto que:

  • Os meninos migravam como trabalhadores temporários, enquanto que as meninas migravam de forma mais permanente.
  • Os migrantes típicos tinham entre 14 e 18 anos.
  • A principal razão para a migração era a necessidade de um rendimento.
  • A maioria dos migrantes eram de famílias pobres ou de rendimento médio.
  • Havia agentes de empresas da Tailândia vindo periodicamente ao povoado para recrutar jovens.
  • Vários migrantes haviam retornado e morrido de AIDS (SIDA), contudo a migração continuava.

Foi identificado um grupo de jovens que nunca tinha migrado para a Tailândia. Mais uma vez, foram usadas técnicas participativas com estes jovens, para se aprender sobre seus antecedentes étnicos, familiares e educacionais, suas atitudes em relação à migração, suas ocupações atuais, suas atividades de lazer e suas redes de apoio social. Foi descoberto que:

  • Suas situações econômicas eram as mesmas que as dos migrantes (suas famílias eram pobres ou de rendimento médio).
  • Eles tinham as mesmas ocupações dos que migravam.
  • Eles tinham o mesmo nível de instrução.

Todos estes jovens haviam decidido não migrar. Seus motivos eram: desencoraja-mento por parte dos pais e o medo do HIV/AIDS (VIH/SIDA), de serem presos pela polícia, de perderem contato com sua famílias, do tráfico de drogas, do vício das drogas ou de serem maltratados pelos empregadores. Um jovem disse que “tinha orgulho de ter permanecido na sua própria comunidade”. Outros disseram que, embora alguns tivessem migrado por motivos econômicos, suas famílias ainda estavam tendo dificuldades em sobreviver.

Todos eles tinham boas relações com jovens não migrantes em sua comunidade. É provável que a pressão dos outros jovens fosse um dos fatores, pois muitos jovens migravam com grupos de amigos.

Um outro fator fundamental que veio à tona foi que todos os que não migravam eram muito ligados a seus pais. Eles disseram que os pais os haviam incenti-vado a permanecer em casa.

A pesquisa concluiu que as únicas diferenças verdadeiras entre os jovens que migravam e os que permaneciam em casa eram o apoio social recebido dos amigos que também não estavam migrando e a atitude e o apoio dos pais.

Possível ação

Ao invés de criar oportunidades de emprego e conscientizar as pessoas sobre os riscos, a pesquisa mostrou que as verdadeiras prioridades são:

  • Formar um grupo de apoio de pais, que possa informar outros pais
  • Incentivar o orgulho, entre os jovens, de permanecer em sua comunidade
  • Incentivar os jovens que decidiram não migrar a conversar com os mais jovens, que ainda não se decidiram quanto à migração.

Aspectos positivos da abordagem 

A abordagem participativa da pesquisa permitiu à comunidade considerar a questão de uma maneira completamente nova. As pessoas puderam reconsiderar suas estratégias originais e elaborar estratégias novas que podem ser mais eficazes. Os jovens que não haviam migrado foram empoderados após a pesquisa e sentiram que tinham algo de importante com que contribuir para a sua comunidade. Porque o processo era participativo, o interesse na questão, a energia e a esperança, que eram poucos antes, aumentaram rapidamente.

A World Vision Mianmar achou esta pesquisa participativa muito útil na mobilização da comunidade. Recomen-damos que outras pessoas também experimentem esta abordagem.

Adaptado a partir da apresentação de uma pesquisa. Karl Dorning trabalha com a World Vision, Mianmar. E-mail: karl_dorning@wvi.org 

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