Da: Planejando a sustentabilidade – Passo a Passo 64

Como empoderar as pessoas e planejar a longo prazo

Foto: Geoff Crawford/Tearfund

Foto: Geoff Crawford/Tearfund

Emelita Santos Goddard.

Para que o trabalho de desenvolvimento comunitário seja sustentável, é importante ter uma visão e um plano para ele desde o início. A parceria e a participação comunitária são fundamentais, pois a sustentabilidade é alcançada quando o processo de desenvolvimento pertence à própria comunidade local e é gerido por ela, não dependendo de ajuda externa.

Visão para a sustentabilidade

ASAO (Southeast Asian Outreach) Camboja, membro da International Cooperation Cambodia (ICC), trabalha com o incentivo e o fortalecimento das comunidades cambojanas através de projetos de desenvolvimento ou do envolvimento da igreja. Ela se concentra em desenvolver a capacidade dos parceiros locais, tais como igrejas ou grupos comunitários, para futura gestão.

Para que um projeto ou uma parceria sejam sustentáveis, é preciso que sejam apropriados para a situação e os recursos locais. A capacidade dos funcionários locais e a existência de habilidades locais devem ser cuidadosamente consideradas, ao invés de se trazerem verbas ou funcionários externos. A sustentabilidade será difícil de alcançar, se o projeto precisar de muito financiamento ou habilidades especiais, tais como um projeto de cuidados de saúde dos olhos, que exigiria um oftalmologista. Um projeto pequeno e simples tem mais chances de ser sustentável.

É importante que os funcionários e a comunidade local compartilhem e contribuam com a visão desde o início, pois isto faz com que o projeto pertença a eles. Envolva a comunidade no planejamento inicial e de todo o ciclo do projeto e na tomada de decisões, para assegurar que o planejamento seja relevante para a situação local.

Abordagem de parceria

A parceria é a chave do desenvolvimento sustentável e bem sucedido. É importante valorizar as relações, pois as boas relações promovem a cooperação e a confiança. Numa cultura como a do Camboja, em que os jovens não são tratados com tanto respeito como os mais velhos, pode ser difícil para os funcionários mais jovens trabalhar com a liderança comunitária, formada principalmente por pessoas mais velhas. Entretanto, quando eles abordam a liderança comunitária com respeito, eles recebem respeito e cooperação em troca.

A boa comunicação e o tempo que as pessoas passam escutando-se umas às outras ajudam a criar relações positivas e uma compreensão melhor. A comunicação clara, as revisões periódicas e os comentários ajudam a esclarecer as expectativas e assegurar que quaisquer problemas que surjam sejam resolvidos rapidamente.

É útil que os grupos locais se econtrem com outros grupos semelhantes para compartilhar experiências, aprender uns com os outros e lidar com os problemas juntos.

Planos claros para a transferência local

Esclareça as condições e a programação da parceira ou do projeto já no início. Isto ajuda a oferecer uma sensação de segurança e rumo para o futuro. Estabeleça e entre em acordo quanto a um prazo para a transferência das funções e das responsabilidades para os funcionários locais.

Desenvolva a capacidade dos funcionários locais em habilidades de liderança e gestão. ASAO Camboja percebeu que o treinamento na gestão de finanças é especialmente importante num contexto em que as pessoas talvez tenham pouca experiência prévia em lidar até mesmo com pequenas somas de dinheiro.

Para ajudar a incentivar a sustentabilidade financeira, os grupos locais poderiam ligar-se a outros grupos e redes e pesquisar outras possíveis fontes de renda, assim como aprender a redigir propostas de projetos, comunicar-se com os mantenedores e planejar orçamentos.

A prestação de contas financeira e um comitê de gestão eficaz ou um conselho administrativo governante ajuda as organizações locais a manter o respeito e a confiança dos mantenedores.

Incentivo contínuo

Se o processo de desenvolvimento for uma parceria, a relação não precisa terminar quando o financiamento terminar. O apoio pode continuar através do trabalho em rede, do incentivo, da promoção, da oração e da troca de idéias e aprendizado.

Este artigo foi adaptado, com permissão, de uma apresentação feita na conferência de Desenvolvimento Comunitário Cristão em Mosbach, Alemanha, em março de 2005.

A Dra. Emelita Santos Goddard foi a fundadora do Projeto FAITH. Ela agora ajuda outros parceiros da Tearfund no Camboja a desenvolver a sua capacidade para o desenvolvimento transformacional. O endereço dela é: No 12, Street 606, Phnom Penh, Camboja.
E-mail: efc_om@online.com.kh


Relações de parceria

Os cambojanos gostam de usar figuras para descrever situações. Usamos estes modelos de relações entre um ajudante externo e um grupo parceiro local para ajudar a discutir e definir o significado de parceria.

CAVALO E CAVALEIRO O ajudante age como um cavaleiro montado num cavalo (parceiro), controlando o cavalo com muita força?

MOTORISTA DE TAXI E PASSAGEIRO O ajudante age como um passageiro num taxi, em que o parceiro dirige, mas o passageiro dá as instruções e o motorista é pago para ir onde o passageiro quer?

BOIS NUMA CARRETA O ajudante e o parceiro agem como bois unidos por uma visão comum e sendo conduzidos por um “Fazendeiro Divino” para alcançar os seus propósitos para o seu campo?


Estudo de caso: FAITH

O FAITH (iniciais de Food security And Income generation, Training and Health project – projeto de segurança alimentar e geração de recursos, treinamento e saúde) é um projeto piloto organizado pela SAO Camboja – ICC. O Projeto FAITH visa mobilizar a igreja local no Camboja para alcançar o desenvolvimento comunitário sustentável. Ele se concentra em desenvolver a capacidade de um grupo-chave de homens e mulheres cristãos comprometidos para facilitar o processo de desenvolvimento na sua própria comunidade.

A participação comunitária é a chave do sucesso e da sustentabilidade das iniciativas locais. Os funcionários do FAITH ajudam grupos-chaves de cristãos a reunir os habitantes locais para discutir e determinar as necessidades da sua comunidade. As idéias de iniciativas devem vir das próprias pessoas e devem beneficiar a comunidade inteira. Os projetos podem ser: bancos de arroz, poços, banheiros (casas de banho), hortas domésticas, sistemas de irrigação, reciclagem de lixo, educação sobre a saúde, geração de recursos e ensino de crianças. A comunidade participa do processo de tomada de decisões e implementação. Os habitantes locais contribuem com dinheiro, produtos, mãode- obra, materiais ou tempo. Isto ajuda a dividir alguns dos custos totais e facilita a apropriação e a prestação de contas.

A iniciativa de desenvolvimento, portanto, pertence aos habitantes locais e é gerida por eles e para eles. 

A capacidade do grupo-chave é desenvolvida e fortalecida através do Projeto FAITH até que ele seja capaz de facilitar e gerir outras iniciativas de desenvolvimento na sua comunidade. Quando isto é alcançado, os funcionários do FAITH lentamente se retiram, mas continuam à disposição para aconselhar, se necessário.

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