Rosa Mariano, um membro ativo da Equipe de Vida, da Província de Zambézia, cumprimentando os vizinhos. Foto: Rebecca J Vander Meulen

Da: Aprendendo por toda a vida – Passo a Passo 90

Artigos sobre como aprender com outras pessoas, bem como histórias e conselhos de outras partes do mundo

Um grupo de trabalhadores de campo e membros da “Equipe de Vida” da Província de Nampula, no nordeste de Moçambique, usando materiais dos Guias PILARES da Tearfund para transmitir conhecimentos a outras pessoas. Foto: Rebecca J Vander Meulen

Um grupo de trabalhadores de campo e membros da “Equipe de Vida” da Província de Nampula, no nordeste de Moçambique, usando materiais dos Guias PILARES da Tearfund para transmitir conhecimentos a outras pessoas. Foto: Rebecca J Vander Meulen

 A Diocese de Niassa, em Moçambique, trabalha através das “Equipes de Vida” para compartilhar seu aprendizado com as comunidades. Estas equipes são grupos comunitários voluntários de aproximadamente 18 pessoas. O ensino ocorre através de uma rede de professores e aprendizes. Primeiro, um “adepto” (ou trabalhador de campo) recebe treinamento num certo tópico. Ele, então, vai de aldeia em aldeia ensinando o tópico aos voluntários das Equipes de Vida, os quais, por sua vez, dividem-se em grupos menores, que vão de casa em casa ensinando-o a qualquer um que estiver interessado em aprender.

Tivemos desafios no nosso trabalho. No início, usamos a palavra “campanha” para descrever o nosso trabalho, mas muitas pessoas acharam que estávamos fazendo uma campanha política! Mesmo depois de pararmos de usar a palavra “campanha”, algumas pessoas não acreditaram e não queriam falar com os professores.

Mas o nosso modelo também tem benefícios. As pessoas que estão aprendendo tendem a ser muito mais abertas a fazer perguntas na privacidade dos seus lares do que num fórum público grande. E também é muito mais fácil prestar atenção quando a pessoa que o está ensinando está sentada na varanda da sua casa, ao invés de na frente de um grupo grande de pessoas.

Uma das comunidades que se beneficiaram com o nosso trabalho é a aldeia de Titimane, localizada a cerca de 30 km da cidade de Cuamba. A Equipe de Vida aprendeu sobre o HIV e estava ansiosa para começar a ensinar o que tinha aprendido a outras pessoas. Eles trabalharam juntamente com o enfermeiro do governo de Titimane para ter certeza de que as suas informações estavam corretas. O enfermeiro incentivou o trabalho da equipe, e eles conseguiram visitar a maioria das casas da sua comunidade.

O chefe e o líder da igreja de Titimane disseram que nunca tinham sido ensinados face a face sobre o HIV antes. Eles já tinham ouvido algumas informações sobre o HIV no rádio, mas comentaram: “Não dá para fazer perguntas a um rádio!”.

Qual foi o impacto em Titimane? As pessoas agora sabem que não correm risco de contrair o HIV simplesmente por comer com alguém que vive com o vírus. Algumas pessoas foram até Cuamba para fazer testes de HIV. O próprio enfermeiro agora está defendendo e promovendo direitos em torno desta questão, pedindo ao hospital do distrito, em Cuamba, para permitir que ele conduza os testes no local e prover os materiais de que ele precisa para isto. As pessoas que aprenderam agora podem ensinar aos outros!

Passe adiante

Aqui estão alguns conselhos se você estiver pensando em adotar o modelo da Equipe de Vida na sua região:

PRATIQUE DIZER “NÃO SEI”

Ensinar coisas novas às pessoas é empolgante. Às vezes, já aprendemos tanto que as pessoas a quem estamos ensinando acham que sabemos tudo. Às vezes, quando nos fazem uma pergunta difícil e não sabemos a resposta, simplesmente fazemos uma suposição! Porém, isto pode ter consequências muito ruins.

Por exemplo: Imagine que você esteja ensinando sobre o HIV, fazendo com que tópicos muito complicados pareçam muito simples. Alguém, então, faz uma pergunta sobre a medicação. Você não tem certeza de qual é a dose certa, mas faz uma suposição. No entanto, infelizmente, a sua suposição é incorreta. Como você conquistou a confiança da pessoa, ela acredita em você. Talvez ela passe o que você disse para o tio, e ele mude a quantidade da medicação que está tomando e fique doente. Ou talvez ela fique sabendo com o enfermeiro que o que você disse sobre a dosagem está incorreto e, então, comece a duvidar de tudo o que você lhe ensinar, mesmo que todo o resto esteja correto.

Portanto, se não tiver certeza absoluta sobre algo, diga: “Não sei”. É muito melhor admitir não saber tudo do que dar falsas informações a alguém. E, se achar que sabe onde encontrar a informação, responda: “Não sei, mas vou tentar descobrir e respondo mais tarde!”.

COMECE COM O BÁSICO

Mesmo quando estiver ensinando tópicos avançados, faça uma boa revisão dos tópicos básicos primeiro. Aprendemos um passo de cada vez. A construção de uma casa é uma boa analogia para o desenvolvimento do conhecimento. Se os alicerces e os tijolos da base da casa não estiverem firmes, os novos tijolos do topo cairão. Não custa nada fazer uma revisão clara dos tópicos básicos antes de explicar os tópicos avançados. Isto pode ser feito de uma maneira que não ofenda a inteligência das pessoas. Por exemplo, antes de explicar um tópico simples, você poderia dizer: “Como vocês provavelmente já sabem...”.

EXPLIQUE POR QUÊ

Como as pessoas entendem e se lembram melhor de coisas novas quando elas entendem o PORQUÊ, não dê apenas informações: explique por que o que você está dizendo é um bom conselho.

Por exemplo: Ao invés de dizer “deve-se usar esterco de vaca para fazer composto”, você pode explicar que “o esterco de vaca é bom para fazer composto porque as vacas têm uma grande quantidade de bactérias boas nos seus quatro estômagos, e que estas bactérias ajudam a decompor os outros componentes do composto”.

CONCENTRE-SE NO MAIS IMPORTANTE

Não inunde as pessoas com informações demais numa só sessão. Decida o que é mais importante comunicar e concentre-se naquilo antes de transmitir conhecimentos mais detalhados. É melhor que as pessoas compreendam bem algumas coisas do que mal muitas coisas e se esqueçam!

Por exemplo: Ao ensinar sobre nutrição, certifique-se de que as pessoas compreenderam a importância de comer uma variedade de alimentos, entre eles, frutas e legumes, antes de ensinar algo relativamente detalhado sobre os benefícios de comer sementes de abóbora.

NÃO DESPERDICE O TEMPO DAS PESSOAS

Se elas não estiverem interessadas, provavelmente não escutarão com atenção. Ensine o que for relevante e aquilo em que as pessoas estiverem interessadas.

SE POSSÍVEL, FORNEÇA MATERIAIS PARA MEMORIZAÇÃO

Se tiver condições financeiras, pode ser muito útil distribuir folhetos com os principais pontos entre os alunos. Isto pode ajudá-los a se lembrarem dos tópicos mais importantes e estudá-los. Estes folhetos podem ser muito simples, de preferência, com gravuras e escritos no idioma local.

Rebecca J Vander Meulen é a Coordenadora de Desenvolvimento da Diocese Anglicana de Niassa.

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