Da: Doenças transmitidas por insectos – Passo a Passo 33

Como reduzir os riscos da malária e de outras doenças transmitidas por insetos

Estas informações foram compiladas por Isabel Carter e baseadas principalmente nas informações fornecidas em publicações da IAMAT e da OMS e matérias publicadas por Tropical Disease Research e Control of Tropical Diseases.

Dengue

INTRODUÇÃO

A dengue é transmitida por mosquitos e, nos últimos anos, ela se tornou um problema sério de saúde. A dengue aparece especialmente nas áreas urbanas. Estima-se que ocorrem cerca de 50 milhões de casos de dengue todos os anos (OMS). Também há uma complicação conhecida como dengue hemorrágica e mais de 40 países ao redor do mundo já tiveram epidemias.

CONTÁGIO

A dengue é transmitida pelos mosquitos Aedes da mesma maneira que a malária – com exceção de que estes mosquitos picam durante o dia. Eles se reproduzem na água suja, geralmente devido ao mau saneamento e esgotos das zonas urbanas.

SINTOMAS

A dengue causa sintomas parecidos com os de uma gripe forte, assim como febre alta, dores de cabeça, dor atrás dos olhos, dor nas articulações e erupções da pele. A dengue hemorrágica é uma complicação fatal com febre muito alta, às vezes acompanhada pelo inchaço do fígado e convulsões.

TRATAMENTO

Não existe nenhum tratamento pré-determinado para a dengue, mas uma boa assistência médica pode freqüêntemente salvar vidas.

CONTROLE

Evitar que os mosquitos piquem as pessoas e eliminar os lugares de reprodução dos mosquitos são as únicas medidas eficazes de controle. Cubra os braços e as pernas e, se for possível, use um repelente contra mosquitos - especialmente se você souber que existe uma epidemia na região.

POTENCIAL FUTURO

Existem quatro tipos de virus que podem causar a doença, o que faz com que seja difícil produzir uma vacina eficaz, mas está sendo feito progresso nesse sentido.

Filaríase

INTRODUÇÃO

120 milhões de pessoas ao redor do mundo estão infectadas com esta doença. CONTÁGIO Esta doença é transmitida por mosquitos infectados com as larvas de um verme.

SINTOMAS

Em um terço dos casos conhecidos, as larvas adultas se desenvolvem na corrente sangüínea e no sistema linfático. Isto pode produzir bloqueios que causam:

Nos outros dois terços das pessoas, os danos causados aos seus sistemas linfáticos e renais poderão passar despercebidos, mas estas pessoas passam por muitos problemas de saúde e perdem muitos dias de trabalho.

TRATAMENTO

Anteriormente, o tratamento era limitado e apresentava efeitos colaterais sérios. Hoje em dia, há novos medicamentos para tratar a infecção. No caso da elefantíase, o simples fato de lavar a área com água e sabão e usar antibióticos é muito eficaz.

CONTROLE E POTENCIAL FUTURO

Uma pesquisa recente constatou que a doença pode ser controlada de uma maneira bem barata e eficaz através de uma dose anual de medicamentos (Ivermectin com DEC ou albendazol) que impede que as larvas se desenvolvam na corrente sangüínea. Custa apenas US $1 para tratar 20 pessoas desta maneira.

Malária

INTRODUÇÃO

Estima-se que existam entre 300 a 500 milhões de casos de malária por ano. A malária é uma das cinco maiores causas de mortalidade entre crianças com menos de 5 anos de idade. A OMS estima que mais de 1 milhão de crianças e até 1 milhão e meio de adultos morrem por causa da malária anualmente. 90% das mortes acontecem na África. As crianças com menos de cinco anos e as mulheres grávidas correm um maior risco de terem sérios ataques desta doença.

CONTÁGIO

A malária é transmitida apenas pelos mosquitos Anófeles. Podemos diferenciar estes mosquitos dos outros pela maneira como mantêm a cauda levantada. Quando os mosquitos picam, eles chupam sangue. Se a pessoa picada pelo mosquito tiver malária, os parasitas encontrados neste sangue se reproduzem e se desenvolvem no mosquito.

Quando o mosquito pica uma outra pessoa, estes parasitas são injetados com a saliva do mosquito. A pessoa poderá, então, contrair malária.

Quase todos os mosquitos Anófeles se alimentam entre o pôr-do-sol e o nascer do sol. Após se alimentarem, eles descansam nas paredes ou no teto, enquanto digerem o sangue.

As fêmeas se alimentam com sangue a cada dois ou três dias. O sangue fornece proteínas para que desenvolvam os seus ovos. Elas depositam os ovos em água raza (poças) ou lagoas. Os ovos se transformam em larvas, as quais demoram cerca de uma semana para se tornarem mosquitos adultos. As larvas do mosquito flutuam horizontalmente na água, o que difere dos outros tipos de larvas.

SINTOMAS

Os sintomas aparecem 10–28 dias depois da pessoa ter sido picada por um mosquito infectado, podendo variar de pessoa para pessoa. Alguns sintomas são febre, dores de cabeça, anemia, convulsões (em crianças), náuseas, vômitos e diarréia.

TRATAMENTO

Há uma resistência cada vez maior aos medicamentos mais comumente encontrados. A quinina e a cloroquina são os medicamentos mais comumente usados. Se a pessoa atrasar o tratamento, os parasitas da malária se multiplicarão rapidamente dentro do corpo. Quando se começa a cobrar taxas pelo tratamento médico, as pessoas geralmente tentam tratamentos tradicionais ou automedicação antes de irem a uma clínica. Esta demora pode ser fatal.

CONTROLE

Evite que haja água empoçada próximo de sua casa. Se houver áreas barrentas próximas de poços ou bombas, cave esta área com uma profundidade de 1 metro e encha o buraco com pedras grandes, usando cascalhos e pedras pequenas na superfície. Verifique se existe água acumulada dentro de latas velhas, vasilhas ou vidros quebrados nos muros. Corte a grama e os arbustos próximos de sua casa. Plante árvores ‘neem’ próximo das casas.

Use mosquiteiros tratados sobre as camas ou cortinas nas janelas e portas (veja as páginas 8 e 9). Tome muito cuidado com os bebês, as crianças pequenas e as mulheres grávidas. Dê prioridade a este grupo de pessoas se não houver mosquiteiros suficientes. Uma pesquisa constatou que o uso de mosquiteiros tratados sobre a cama pode reduzir à metade os casos de malária.

Não tome profilácticos (tratamento preventivo), a menos que sejam recomendados por um médico. Esse tratamento reduz a resistência natural. As pessoas que passam longos períodos em áreas onde não existe malária, assim como nas montanhas, ou estudantes que passam algum tempo no exterior, perdem a sua resistência natural depois de aproximadamente um ano. Se eles retornarem para fazer visitas curtas, eles devem receber um tratamento profiláctico. Se, entretanto, o retorno destas pessoas for mais permanente, elas não devem tomar medicamentos preventivos, mas sim permitir que a sua resistência natural se desenvolva novamente (apesar delas provavelmente terem alguns ataques de malária durante essse período). Os mosquitos são atraídos pelas pessoas adormecidas. Os mosquiteiros tratados funcionam como uma isca. O produto químico contido nos mosquiteiros tratados geralmente é suficiente para matar os mosquitos. Os mosquiteiros rasgados oferecem pouca proteção. Os pesquisadores sabem que o melhor lugar para procurar mosquitos bem alimentados é no interior de um mosquiteiro comum numa casa de aldeia! Os mosquiteiros tratados ajudam a manter os mosquitos distantes dos furinhos. Os furos e buracos devem ser remendados assim que forem encontrados.

POTENCIAL FUTURO

Várias vacinas estão sendo testadas. Algumas delas parecem ser muito eficazes mas provavelmente vão demorar vários anos para estas vacinas estarem amplamente disponíveis. Além disso, tem sido muito difícil encontrar financiamento para as pesquisas.

Febre amarela

INTRODUÇÃO

A febre amarela é encontrada em muitas partes da África e da América Latina. Ela é uma doença causada por um vírus e é transmitida por mosquitos. O vírus pode sobreviver nos seres humanos e nos macacos.

CONTÁGIO

A infecção é transmitida através da picada de um mosquito infectado ou de um mosquito que transporta o sangue infectado de um humano ou de um macaco.

SINTOMAS

Alguns ataques da doença são menos severos, causando febre, dores articulares, náuseas, vômitos e dores de cabeça. O paciente geralmente se recupera e passa a ficar imune aos ataques posteriores. Durante as epidemias, os sintomas tendem a ser mais severos, com icterícia e hemorragias; até metade das pessoas infectadas podem morrer.

TRATAMENTO

Não há nenhum tratamento, com exceção de uma boa assistência médica.

CONTROLE

A vacina dada às pessoas que vivem ou vão ingressar em áreas infectadas dura dez anos. Alguns governos estão introduzindo esta vacina nos programas nacionais de imunização. Caso contrário, as medidas de controle são as mesmas que as usadas contra a malária – procurar proteger as pessoas das picadas dos mosquitos.

Doença do sono

INTRODUÇÃO

Na África, cerca de 55 milhões de pessoas estão expostas ao risco de contraírem a doença do sono (ou tripanossomíase). Apesar desta doença ter sido quase erradicada em muitos países nos anos 50, ela está alcançando as proporções de uma epidemia hoje em dia. A falta de medicamentos para o tratamento tem aumentado o contágio e o número de falecimentos. Esta é uma doença das zonas rurais, onde os casos geralmente não são relatados e não há tratamento disponível.

CONTÁGIO

A doença é transmitida pela mosca africana (tsé-tsé) – uma mosca grande, com asas em forma de cruz, que vive na margem dos rios, nas florestas ou em arbustos pequenos. As moscas contraem a infecção ao chupar o sangue de um animal ou de uma pessoa infectada. Os parasitas se multiplicam na mosca e são injetados com a saliva em uma outra pessoa.

SINTOMAS

No início da doença do sono, a área picada pela mosca fica inchada e endurecida. Febre, dores de cabeça, comichão, dores articulares são os sintomas seguintes dos estágios iniciais. Após várias semanas, o sistema nervoso do corpo é afetado e a pessoa sente cansaço, tremedeiras, inchaços e o corpo se deteriora. O comportamento e a disposição do paciente mudam. Durante o dia, até mesmo comer ou conversar requer um grande esforço devido à exaustão. À noite, o paciente é incapaz de dormir. Se o paciente não for tratado, ele morre dentro de 6 à 9 meses. Freqüentemente os amigos e familiares do paciente convencem-se de que esta morte dolorosa deve resultar de feitiçaria ou de loucura.

TRATAMENTO

O tratamento é caro e geralmente requer hospitalização. O medicamento Melarsoprol é o mais comumente usado. Este é o medicamento mais barato, apesar de custar US $50 por pessoa. No entanto, a sua produção futura está ameaçada devido à preocupação com os danos ao meioambiente durante a sua fabricação na Alemanha. Medicamentos alternativos como o Eflornithine e o Nifurtimox são ainda mais caros (cerca de $200 por tratamento). O tratamento apresenta riscos mas sem ele, as chances de recuperação são inexistentes.

CONTROLE

A remoção do mato pode evitar que as moscas sobrevivam durante a estação seca. As pessoas não devem se estabelecer nas áreas infestadas pela mosca africana (tsé-tsé). Armadilhas e inseticidas contra a mosca tsé-tsé podem ajudar a controlar o número de moscas. Remova cachorros, gado e outros tipos de animais que constituam possíveis fontes de contágio.

POTENCIAL FUTURO

As moscas tsé-tsé quase foram erradicadas durante campanhas realizadas há várias décadas atrás. No entanto, a redução dos gastos governamentais interromperam as pulverizações em muitas áreas. Hoje em dia, esta doença terrível está afetando números alarmantes de pessoas.

Leishmaniose

INTRODUÇÃO

A leishmaniose é um grupo de doenças parasitárias relacionadas que, em conjunto, afetam 12 milhões de pessoas em 88 países ao redor do mundo. Grandes movimentações de pessoas – assim como a ocupação de novas regiões nas planícies tropicais da América do Sul, ou o crescimento da mão-deobra migratória – faz com que números cada vez maiores de pessoas desprotegidas das zonas urbanas entrem em contato com a doença nas zonas rurais e aumenta significativamente a propagação da doença. As pessoas que já contraíram o HIV correm um risco maior de sofrerem manifestações severas da doença.

CONTÁGIO

As doenças são transmitidas por um pequeno mosquito-pólvora. Somente as fêmeas picam, a fim de se alimentarem com o sangue para que os seus ovos se desenvolvam. A picada dolorosa desses mosquitos pode transmitir os parasitas.

SINTOMAS

Esta doença pode apresentar uma série de sintomas:

TRATAMENTO

infecção pode ser difícil de ser diagnosticada. A doença pode ser tratada, mas isto deve ser feito nos estágios iniciais. Os medicamentos antimoniais podem ser usados, mas o tratamento é caro, havendo, muitas vezes, a necessidade de hospitalização.

CONTROLE

Os maiores depósitos da infecção são os cachorros e os roedores. Os roedores devem ser eliminados e os cachorros devem ser testados para verificar se estão infectados com os parasitas. Se o resultado for positivo, devem ser tratados ou mortos.

Elimine os possíveis lugares de reprodução dos mosquitos, cortando a vegetação, removendo o lixo ou o entulho de perto das casas. A pulverização de inseticida (especialmente se for feita simultaneamente) é eficaz.

Use mosquiteiros de cama e cortinas tratadas.

Doença de Chagas

INTRODUÇÃO

Entre 16 e 18 milhões de pessoas estão infectadas com a doença de Chagas nos países latinoamericanos. Estima-se que cerca de 45.000 pessoas morram por ano por causa desta doença. Muitas outras mortes podem ocorrer, mas elas são registradas sob outras causas.

CONTÁGIO

A doença é transmitida através de um besouro sanguessuga marrom (castanho), com um formato oval e de aproximadamente 2cm de comprimento.

Estes besouros vivem em fissuras de casas mal rebocadas, principalmente nas zonas rurais. Os insetos saem das fissuras durante a noite para se alimentarem com o sangue das pessoas adormecidas. Eles também são conhecidos como ‘besouros do beijo’ pois preferem se alimentar no rosto das suas vítimas, enquanto estão dormindo. Enquanto os besouros estão se alimentando, os parasitas passam para o sangue da vítima. A infecção é passada da mãe para o bebê, e pode ser transmitida através de transfusões de sangue.

SINTOMAS

Depois de uma semana, um inchaço duro e roxo conhecido como ‘chagoma’ aparece, enquanto o corpo procura se proteger da infecção local. Alguns parasitas escapam e passam para a corrente sangüínea, infectando o coração, o cérebro, o fígado e o baço. Duas semanas depois de serem picados, alguns pacientes, principalmente as crianças, desenvolvem sintomas gerais, como febre, erupções da pele, inchaço do fígado, do baço e das glândulas linfáticas. Os adultos têm maior probabilidade de contrair uma infecção do coração, que leva à morte em 10% dos casos. Estes sintomas podem durar até dois meses, após os quais os pacientes parecem ficar saudáveis novamente. No entanto, eles continuam a transportar os parasitas, agindo como uma fonte de infecção para os outros. Além disso, os parasitas continuam a se multiplicar nos órgãos do corpo – especialmente no coração – o que geralmente leva à morte dez ou vinte anos mais tarde, através de doenças do coração.

TRATAMENTO

Não existem medicamentos para evitar o contágio. Os medicamentos benznidazole e nifurtimox são eficazes para matar os parasitas nos estágios iniciais da infecção.

CONTROLE

Os métodos tradicionais de controle são baseados na pulverização das casas com inseticidas. Podemos diminuir o número de lugares onde os besouros vivem se rebocarmos melhor as paredes, de maneira que fiquem sem fissuras. Mais recentemente, têm-se usado recipientes para fumigação e tintas que contêm inseticidas, as quais são comprovadamente mais eficazes e duradouras nos seus efeitos do que a pulverização. Muitos países da América Latina estão comprometidos em erradicar esta doença até o ano 2000. Também é importante que os bancos de sangue sejam monitorizados cuidadosamente. Os mosquiteiros de cama, cobertos com um pano para evitar que as fezes caiam do telhado e passem através do mosquiteiro, protegem as pessoas de uma das fontes da infecção, assim como dormir no meio do quarto, distante das paredes.

POTENCIAL FUTURO

As vacinas ainda estão em estágios experimentais. Um novo medicamento (D0870), que tem sido eficaz durante as pesquisas, está sendo testado. 

Quinina proveniente das ‘árvores da febre’

A casca da quina (Cinchona officinalis) contém a quinina. Ela é colhida comercialmente para fabricar comprimidos de quinina. Se você não tiver acesso ao tratamento clínico da malária, esta é a receita para extrair a sua própria quinina:

Nós recomendamos que você procure sempre ajuda e tratamento médico e use isto apenas em emergências.

Esta receita foi retirada do livro Natural Medicine in the Tropics – Hirt e M’Pia

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