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Da: Cuidados de saúde sustentáveis – Passo a Passo 37

Trabalho conjunto para estabelecer prioridades de saúde e melhorar a prestação de serviços de saúde locais

Nyangoma Kabarole.

Dois estudos de casos envolvendo centros de saúde – um que herdou uma situação difícil e outro que é uma verdadeira história de sucesso

Centro de Saúde de Adranga

O centro de saúde de Adranga está localizado na região de Aru. Ele foi construído em 1970 com o financiamento da Alta Comissão das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), com o propósito de ajudar refugiados ugandenses em Aru. Inicialmente, este centro de saúde foi equipado com materiais e provisões médicas pela ACNUR sem qualquer assistência ou apoio da população local.

Finalizadas as ações da ACNUR, este centro de saúde foi doado gratuitamente para a comunidade. Infelizmente, eles não tinham nenhuma experiência na administração de um centro de saúde. Materiais e equipamentos foram roubados por pessoas irresponsáveis, deixando o centro em uma situação caótica. Criou-se um comitê de saúde, o qual entrou rapidamente em dificuldades, devido às pessoas estarem acostumadas a receberem atendimento médico gratuito e não estarem dispostas a pagarem as taxas cobradas. As pessoas da região diziam que devido ao centro de saúde ter sido um presente para a comunidade, os serviços de saúde deveriam continuar a ser gratuitos. Ao perceberem que eram incapazes de administrar este centro de saúde adequadamente, as pessoas passaram essa responsabilidade para a Igreja Anglicana.

Duas pessoas responsáveis e bem educadas da região de Aru tomaram a responsabilidade e tiveram a iniciativa de fechar o Centro de Saúde de Adranga, desativar o antigo comitê de saúde e as suas actividades. Em seu lugar, eles elegeram um novo e pequeno comitê, formado por três pessoas locais que tinham a função de:

  • educar a população
  • incentivar uma atitude de autofinanciamento.

Somente depois disso ser feito, o Centro de Saúde de Adranga será reaberto, podendo então desenvolver-se.

Para concluir, eu acredito que a evolução de um centro de saúde bem sucedido depende especialmente:

  • da iniciativa da comunidade local
  • de um líder que acredite que um centro de saúde seja necessário, importante e valioso para as pessoas
  • de enfermeiras com formação na área de saúde comunitária, que saibam trabalhar bem com a comunidade
  • de boa supervisão e assessoria de profissionais experientes da área médica.

Nyangoma Kabarole dirige o Serviço Médico da Igreja Anglicana na Diocese de Boga.

Centro de Saúde de Mabuku

Até há cinco anos atrás, o Centro de Saúde de Mabuku, na província do norte de Kivu, era apenas mais um centro de saúde rural, com dificuldades financeiras e dependente de financiamento externo para atender às suas principais necessidades. Eles realizavam uma média de 5 a 10 consultas por dia e 20 partos por mês. Hoje em dia, o centro é muito bem sucedido, tanto no cuidado curativo como no sentido de alcançar a população com um programa eficaz de saúde comunitária.

Eles realizam entre 25 e 30 consultas por dia e entre 130 e 150 partos por mês. Eles possuem uma equipe de 28 agentes de saúde comunitária, que foram treinados localmente e trabalham em 14 povoados da região, além de um programa para mais de 100 crianças desnutridas. É difícil descobrir com exatidão o que levou a esses resultados. Parece ter havido uma combinação de factores e, hoje em dia, a grande quantidade de trabalho curativo é capaz de financiar, quase na sua totalidade, um programa de saúde comunitária, em expansão, para 25.000 pessoas da região.

Factores que causam mudanças:

  • Uma enfermeira-chefe com uma orientação por cuidados de saúde integrados, mantendo um bom equilíbrio entre as necessidadas imediatas e urgentes pelos serviços curativos e uma orientação de longo prazo, representadas pela atenção preventiva e pelas questões comunitárias.
  • A provisão de uma enfermeira da área de saúde comunitária (apoiada pela Tearfund), com a responsabilidade única de visitar a comunidade, estabelecer e expandir vários programas de saúde comunitária. Esta enfermeira não tem nenhuma responsabilidade pelo trabalho curativo.
  • Uma população que realmente confia nas suas enfermeiras deve-se ao facto delas proverem um serviço curativo de boa qualidade, resultando com que as pessoas ouçam os conselhos dados por essas mesmas enfermeiras quando elas dão educação sanitária ou ajudam as pessoas a explorarem algumas das causas das doenças presentes nas suas comunidades.
  • Um comitê de saúde activo que se reúne regularmente, com uma boa representação de todos os níveis da população. Este comitê tem um determinado nível de criatividade que incentiva o envolvimento da comunidade (veja o quadro abaixo).
  • A construção de casas, onde até 50 gestantes provenientes de regiões distantes do centro de saúde, ou com uma ‘gravidez de alto risco’ podem aguardar o parto.
  • A aceitação de que aqueles que não têm dinheiro possam pagar a conta com produtos ou animais que são vendidos ou entregues como parte dos salários dos funcionários.
  • Uma parte do apoio externo da Tearfund foi usado para estabelecer diferentes projectos comunitários na área de nutrição, os quais foram direcionados às famílias com crianças desnutridas. Existe, por exemplo, um projecto de cultivo de soja que demonstra, de maneira prática, como as mães podem preparar a soja e fornece sementes para serem plantadas nos campos das famílias com crianças desnutridas.
  • Uma política de manter os gastos sob contrôle e incentivar os pacientes a freqüentarem o centro. Com a redução dos preços, o número de pacientes e a receita aumentaram. Com o aumento da receita, o centro pôde ter mais uma enfermeira comunitária de período integral e comprar uma motocicleta usada para o pessoal da área da saúde, especialmente para recolher vacinas.

Mais do que um sonho

Tudo isso fez com que a população se sentisse dona do centro de saúde e do programa de saúde comunitária. Quando as pessoas locais terminaram de construir uma nova sala da maternidade em alvenaria (por si próprios e com a receita do centro de saúde), elas insistiram em chama-la de Maternité Wetu (Nossa Maternidade)!

Sem dúvida, ainda existem muitos problemas que precisam de ser superados, mas fomos muito incentivados por esta abordagem integral e por vermos que um projecto como esse, com enfermeiras bem treinadas na área de saúde comunitária e com uma ajuda inicial para a sua implementação, pode fazer com que a palavra ‘sustentabilidade’ seja mais uma realidade do que um sonho, até mesmo em um dos países mais pobres do mundo.

Compilado por Maggie Crewes, coordenadora do Serviço Médico do Norte de Kivu, CAZ Boga, PB 21285, Nairobi, Quênia.

Envolvimento comunitário criativo

  • Todos os bebês nascidos no Centro recebem um enxoval ‘gratuito’, que é incluido no custo do parto. Isso se tornou muito popular e agora mais mulheres estão vindo ao Centro para darem à luz. Isso diminuiu o custo por parto e agora é mais provável que as mulheres que correm o risco de terem partos complicados frequentem o Centro.
  • As pessoas que participam em trabalhos comunitários (tais como o carregamento de pedras ou areia para ajudar em um projeto de construção ou de proteção de uma fonte de água) recebem um pequeno desconto na compra de remédios. Isso manteve um alto nível de participação comunitária em todos os projectos.

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