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Foto: Jim Loring/Tearfund

Da: Aprendendo com os desastres – Passo a Passo 56

Orientações sobre como as comunidades podem se preparar para o inesperado

Foto: Jim Loring/Tearfund

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Os deltas dos rios Ganges e Brahmaputra, no sul da Ásia, enchem-se conforme a estação. A enchente mantém o solo fértil através do lodo depositado pelos rios todos os anos. Em parte por causa da enchente, esta é uma das regiões de maior densidade populacional do mundo, com milhões de pessoas no Nepal, no norte da Índia e em Bangladesh, cujos meios de sobrevivência dependem dos rios e dos solos férteis.

Entretanto, nos últimos anos, estas enchentes tornaram-se muito destrutivas. Em parte, isto deve-se ao desmatamento no Himalaia e aos efeitos do aquecimento do globo terrestre. 1998 foi um ano especialmente ruim: 4.500 pessoas morreram por causa da enchente só em Bangladesh. O impacto da enchente é sério por causa da alta densidade populacional, da falta de controle da enchente ou de sistemas de alarme e porque as terras baixas de maior risco são ocupadas pelas pessoas mais pobres.

Alguns dos danos causados por enchentes graves são: povoados inteiros sendo levados pela água, terras usadas para a agricultura sendo inutilizadas, colheitas destruídas e a perda de vidas humanas e de animais. Os sobreviventes enfrentam doenças transmitidas pela água, a des-nutrição, o desabrigo e a perda de suas rendas.

O Programa de Preparação para Ciclones (PPC)

O programa PPC é responsável por compartilhar informações sobre ciclones em Bangladesh. Bangladesh possui o pior histórico de ciclones do mundo, afetando aproximadamente 11 milhões de pessoas nas regiões litorâneas baixas. O PPC trabalha em 11 distritos na região litorânea, cobrindo cerca de 3.500 povoados. Graças a uma ampla rede de abrigos contra ciclones construídos pela Crescente Vermelha e pelo governo, o PPC tem condições de evacuar um grande número de pessoas. Ele visa:

Características principais do programa 

O projeto baseia-se no comprometimento de mais de 32.000 voluntários sediados em povoados, os quais estão organizados em equipes de 12 pessoas. Cada equipe possui pelo menos duas pessoas do sexo feminino. Os voluntários são selecionados pelos próprios habitantes dos povoados, através de critérios claros. Estas equipes são vitais para dar os sinais de alarme para as suas comunidades. Todas elas possuem equipamentos básicos de alarme, inclusive rádios transistorizados para monitorizar os boletins meteorológicos, megafones e sirenes manuais para dar o alarme. Dois membros de cada equipe são treinados em primeiros socorros. Todos os membros possuem equipamentos tais como cordas, apitos, bóias salvavidas, estojos de primeiros socorros e vestimentas de proteção, tais como botas e coletes salva-vidas.

Os voluntários não recebem nenhum pagamento pelo seu trabalho, mas são auxiliados com as despesas de viagens e as despesas diárias, quando vão às sessões de treinamento. Todos os voluntários recebem treinamento em preparação para ciclones, seguido de cursos de recapitulação a cada cinco anos. O treinamento equipa-os com as habilidades necessárias e também aumenta o seu comprometimento.

Os voluntários organizam “práticas” e demonstrações periódicas nos seus povoados. Foram produzidas pequenas peças teatrais sobre o armazenamento de rações de emergência, abrigos seguros e higiene básica. Foram compostas letras folclóricas sobre a conscientização sobre os ciclones, as quais são cantadas com as melodias de canções tradicionais. Pinturas nas paredes, apresentações de vídeos, programas de rádios, cartazes, folhetos e pequenos livros são alguns dos outros meios imaginativos usados para transmitir a mensagem para as escolas, os pescadores e as comunidades em risco.

Um ciclone em 1991 matou 138.000 pessoas em Bangladesh. O PPC foi estabelecido logo depois disso. Quando um outro ciclone semelhante atingiu Bangladesh, em 1994, cerca de 750.000 pessoas foram evacuadas com êxito, e 127 pessoas morreram. O sucesso do PPC foi responsável por esta diferença. Um exame realizado em 2000 disse que “O Programa adquiriu, ao longo dos anos, reconhecimento e aclamação do público em geral e das autoridades governamentais. Os sinais de alarme para os ciclones e a resposta a ele tornaram-se parte das vidas diárias das pessoas.”

Estudo de caso adaptado de NGO Initiatives in Risk Reduction, Paper No 4, escrito por David Peppiatt. David Peppiatt é o Gerente do ProVention Consortium Secretariat, PO Box 372, 1211 Geneva, Suíça. E-mail: david peppiatt@ifrc.org

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